Mundial
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ADN, identidade, rotinas
É comum dizer-se que uma equipa está bem trabalhada quando são notórias as suas rotinas, sejam elas defensivas ou ofensivas. Terminada a 1.ª jornada do Mundial 2026, há duas equipas que se destacaram das demais no que toca às rotinas – Argentina e Inglaterra.
Nenhuma delas é perfeita. Mas ambas dominam a maioria das fases e dos momentos do jogo. Por estarem rotinadas graças a um ADN vincado e uma identidade assumida.
Scaloni mantém a aura que o levou a ajudar Messi a ser campeão mundial. A sua Argentina continua a ter uma ideia de jogo coletiva, solidária sem bola (muita energia e predisposição mental na reação à perda) e multifacetada com ela.
Assente num 1x4x4x2 Losango, concentra jogadores sobre o corredor central para dominar e controlar o jogo a partir desses posicionamentos. Ao contrário do habitual, não atrai dentro para ligar e chegar por fora. Atrai dentro para fixar marcações e permitir a Messi surgir entrelinhas e em condições de pensar os metros finais do ataque argentino.
Apesar de reconhecida a influência e a importância de Messi na manobra ofensiva da equipa, não se limita a procurar o seu capitão em todo e qualquer momento. De Paul, Enzo Fernández, Mac Allister, Almada e Lautaro Martinez também assumem o jogo. Também pensam o jogo. Também procuram definir os lances. Não têm o dom messiânico de Messi, mas são parte ativa do momento ofensivo albiceleste.
Tuchel fez a convocatória com base numa ideia clara: ser protagonista através do controlo e do domínio do jogo com bola, ser agressivo na reação à perda e na transição defensiva. A Inglaterra mostrou precisamente isso frente à Croácia. Quis ter bola, soube ter bola e venceu num dos jogos mais bem disputados deste Mundial até ao momento.
Apesar do pouco tempo de trabalho quando em comparação com Scaloni, o treinador alemão rapidamente definiu que identidade pretendia ver na seleção inglesa. O 1x4x2x3x1 é o ponto de partida tático de um jogo posicional no qual Harry Kane assume importância vital.
O avançado joga e faz jogar, ataca e defende, assiste e finaliza, sempre dentro de uma ideia de jogo coletiva, a qual respeita as características dos jogadores ingleses.
É precisamente neste ponto que Scaloni e Tuchel coincidem. Ambos sabem o que têm em mãos. Ambos definiram um caminho claro de acordo com o que têm em mãos. Ambos treinam de acordo com o caminho definido tendo em conta o que têm em mãos.
Não espanta por isso que ambos tenham seleções com ADN, identidade e rotinas.