Kasper Hogh celebra terceiro golo para o Bodo/Glimt
Kasper Hogh celebra terceiro golo para o Bodo/Glimt

Não houve aurora boreal, mas sim grande avalanche amarela (crónica)

Fresneda cumpriu no lado esquerdo da defesa, Vagiannidis foi ‘poucochinho’ na direita. Suárez teve pouca bola e meio-campo teve um só dono: Patrick Berg. Segue-se semana ‘limpa’ para limar aresta para o jogo da 2.ª mão, em Alvalade

O fogo de artifício logo no início do jogo, soltado de cada vez que o speaker anunciava o nome dos 11 titulares do Bodo/Glimt criou ambiente festivo nas bancadas, mostrando bem a felicidade e orgulho nos amarelos, que entraram no relvado – sintético, mas que não causou escorregadelas – sem pressão depois de já terem ‘despachado’ o vice-campeão europeu em título, Inter.

O Sporting desde logo mostrou a estratégia que queria impor, instalando-se no meio-campo do Bodo/Glimt, mas foi sol de pouca dura — tal como os raios de luz que na manhã de ontem surpreenderam a cidade para lá do Círculo Polar Ártico — com Fresneda adaptado ao lado esquerdo da defesa, cedendo a direita a Vagiannidis que, com o desenrolar do jogo mostrou algumas hesitações, que foram prejudicando aqui e ali.

João Simões fez dupla com Hjulmand no miolo, como médio centro à esquerda, Trincão e Luis Suárez recuavam um pouco para maior sustentação no meio-campo e depois apostar na rapidez destes dois jogadores, mas Patrick Berg, o cérebro do Bodo/Glimt não só foi dando conta do recado como ainda foi desencantando espaço no corredor central para lançar ataques perigosos.

A equipa nórdica no seu 4x3x3 clássico, base imutável de Kjetil Knutsen, com foco num estrutura coletiva clara onde cada jogador conhece perfeitamente a função, nem precisam de olhar para o lado, sabendo que o homem está lá.

Aos sete minutos, Hauge conseguiu finalizar, na sequência de uma transição rápida, que até deu ilusão de golo, num claro 2x3x5, em posse de bola no último terço, em que os Bodo/Glimt projeta-se com cinco jogadores na linha de ataque para sobrecarregar a defesa leonina (numa paragem para assistência a Rui Silva, Gonçalo Inácio foi à linha conferenciar com Rui Borges).

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Os amarelos foram crescendo, sempre com os médios Sondre Fet e Evjen a integrarem-se nas ações ofensivas, conseguindo o Bodo povoar a zona da meia-lua da área do Sporting e, numa dessas invasões, Vagiannidis acabou por ver o camisola 19 cair, o lance foi ao VAR, que considerou falta que o próprio Fet se encarregou de converter, enganando Rui Silva, que caiu para o lado contrário de onde entrou a bola.

Só perto dos 40 minutos é que os verdes e brancos conseguiram meter a bola na área dos noruegueses, por Fresneda, mas sem consequência. E numa altura em que, claramente, os leões ansiavam pelo intervalo, sofreram um golo. Numa descida pela esquerda, Blomberg apareceu isolado na cara de Rui Silva – a bola ainda desviou em Simões - e rematou colocado, não dando hipóteses ao camisola 1.

O Sporting surgiu na segunda parte sem mexidas e atrás do resultado, com o Bodo/Glimt a manter a toada, ainda assim, foi João Simões a desviar um canto de cabeça, para o segundo poste, mas não houve emenda e a bola foi às malhas laterais. O jogo conheceu, então, de parada/resposta, com ameaças a ambas as balizas, mas sem ocasiões flagrantes de golo.

Três mudanças de uma assentada

Aos 63’ tripla substituição: uma troca por troca, com Morita a render João Simões; Nuno Santos lançado na esquerda, com Vagiannidis a sair para Fresneda virar à direita e Faye estreou-se nestas andanças para a saída de Catamo. Mas, num ápice a noite tornou-se num pesadelo: passe longo para a esquerda, excelente trabalho de Hauge, cruzamento rasteiro para a pequena área e Hogh a apareceu de rompante para assinar o terceiro.

Os leões ainda reclamaram penálti, por queda de Suárez, aos 81’, mas o árbitro, bem enquadrado com o lance, apontou de imediato para a bandeirola de canto. E até ao apito final ainda houve mais duas ocasiões de golo.. mas para o Bodo/Glimt.

O Sporting tem agora uma semana 'limpa' para limar arestas e tentar, em Alvalade, reverter esta desvantagem na eliminatória.