Mourinho e Otamendi: a última dança de dois craques
Nada está ainda confirmado, mas tudo aponta para que o jogo deste sábado, frente ao Estoril, seja o último em que Nico Otamendi envergará a camisola do Benfica e o último em que José Mourinho se sentará no banco dos encarnados. O jogador argentino deverá jogar no River Plate em 2026/2027 e o treinador português estará, ao que parece, ao serviço do Real Madrid.
O defesa chegou ao Benfica no início de 2020/2021, vindo dos ingleses do Manchester City. E chegou recheado de títulos: campeão da Argentina (Vélez); tricampeão de Portugal e vencedor de uma Taça de Portugal, três Supertaças Cândido de Oliveira e uma Liga Europa (FC Porto); bicampeão de Inglaterra e vencedor de uma Taça de Inglaterra, quatro Taças da Liga e duas Supertaças de Inglaterra (Manchester City).
Agora, seis anos depois de ter chegado ao Benfica, sai com uma Liga portuguesa, uma Taça da Liga e duas Supertaças Cândido de Oliveira. E ainda, embora pela Seleção da Argentina, com um Campeonato do Mundo, duas Copas América e uma Finalíssima. Sai com 280 jogos de águia ao peito (18 golos e 14 assistências), não contabilizando ainda o provável jogo com o Estoril.
O futebol português não dirá adeus apenas a um futebolista; dirá adeus a uma lenda.
Outra lenda estará de saída: José Mário dos Santos Mourinho Félix. E sairá sem acrescentar qualquer troféu ao seu extenso currículo: oito campeonatos (dois em Portugal, três em Inglaterra, dois em Itália e um em Espanha), oito Taças (uma em Portugal, cinco em Inglaterra, uma em Itália e uma em Espanha), cinco Supertaças (uma em Portugal, duas em Inglaterra, uma em Itália e uma em Espanha) e cinco provas da UEFA (duas Ligas dos Campeões, duas Taças UEFA/Ligas Europa e uma Liga Conferência).
Sairá (sem contar com o de hoje) com 44 jogos: 26 vitórias, 10 empates, 8 derrotas, 83 golos marcados e 38 sofridos. Estes números juntam-se aos da sua primeira passagem pelo Benfica (setembro a dezembro de 2000): 11 jogos, 6 vitórias, 3 empates, 2 derrotas e um saldo de 17-9 em golos. E despedir-se-á onde nunca esteve como treinador principal: no terreno do Estoril.
O futebol português não dirá adeus (até breve?) apenas a um treinador; dirá adeus (até breve) a uma lenda.
Deverá ainda haver mais saídas, mas, para já, estas estão no segredo de alguns deuses: António Silva ou Tomás Araújo? Sudakov? Sidny Cabral? Dedic? E entre Schjelderup, Richard Ríos e Pavlidis um deles sairá...