Federico Valverde (Uruguai): três jogos. A estrela maior uruguaia fundiu no Mundial. Foi substituído aos 57' contra a Espanha, na última jornada. Terminou a prova em rota de colisão com Bielsa
Federico Valverde (Uruguai): três jogos. A estrela maior uruguaia fundiu no Mundial. Foi substituído aos 57' contra a Espanha, na última jornada. Terminou a prova em rota de colisão com Bielsa

Não gostava de correr, chegou a Madrid com uma camisola de 2 euros... e fez história

Federico Valverde é produto da resiliência dos pais e de inúmeros banhos de realidade. Pensou que era «deus» aos 16 anos e «Ronaldo e Messi no mesmo corpo» aos 18

A resiliência de um dos melhores jogadores polivalentes do futebol mundial começou em casa. Filho de um segurança e de uma vendedora ambulante, Federico Valverde é produto do sacrifício dos pais e dos diversos choques de realidade que lhe indicaram o caminho de sucesso.

«Não gosto de dizer que éramos pobres. Prefiro dizer que os meus pais eram trabalhadores», começou por admitir, em carta publicada no The Players Tribune, em novembro de 2023. Valverde aprendeu a andar com a bola nos pés, mas a transição para o futebol de onze promoveu um desafio inesperado. O terreno de jogo era demasiado extenso para o jovem jogador viciado em explorar o espaço com a bola no pé.

Chueco Perdomo, que treinou Valverde nas camadas jovens do Peñarol, recordou em 2022 que o uruguaio «não queria correr e simplesmente não gostava de fazê-lo». O jovem médio era viciado na liberdade posicional e na criação. O trabalho sem bola era, pelo contrário, dispensável: «Nem uma vez perdeu um treino ou respondeu-me mal. Ele só não queria correr.»

A paciência e os conselhos do treinador precipitaram a mudança de atitude e a ascensão de Valverde. O médio realizou 13 jogos pela equipa principal do Peñarol com apenas 17 anos, entre 2015 e 2016, antes de receber o convite para rumar ao Real Madrid.

Federico Valverde em 2018 - Foto: IMAGO

Valverde admitiu que a ascensão meteórica lhe subiu à cabeça: «Quando fui para a equipa principal do Peñarol pensei que era deus. Quando cheguei a Madrid pensei que era o Messi e o Cristiano Ronaldo num só corpo». A ficha caiu e a humildade regressou, ainda assim, ao fim de apenas um treino em Valdebebas.

As marcas de luxo envergadas pelos colegas de equipa fizeram corar o jogador uruguaio: «Comecei a aperceber-me das marcas que vestiam. Não estamos a falar do Benzema, do Modric ou do Marcelo. Eram miúdos. Pensei 'm****, Fred. Tu tens vestida uma camisola de dois euros'.

As diferenças identificadas transportaram Valverde para os primeiros anos de vida e ligaram a água fria para o banho de realdade: «Nunca me senti tão pequeno. Só pensava 'Isto é o Real Madrid. Quem é que tu pensas que és. O Cristiano? Não és ninguém'.»

A estreia pela equipa principal do Real Madrid teve lugar em 2018, após uma experiência no Castilla e no Deportivo, por empréstimo. Os números levantam o véu sobre a importância de Valverde, quer nos merengues (41 golos e 43 assistências em 372 jogos), quer na seleção uruguaia (73 internacionalizações).

Segue-se o segundo Mundial da carreira.

Este artigo partiu do perfil de Federico Valverde que A BOLA publicou no âmbito da Guardian Experts’ Network, uma rede de troca de conteúdos liderada pelo conceituado jornal inglês, e que inclui meios de comunicação social de vários países representados no torneio.

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