MP belga pede dois anos de prisão para Nainggolan por branqueamento de capitais
O Ministério Público de Bruxelas exigiu uma pena de dois anos de prisão e uma multa de 105 mil euros para Radja Nainggolan. O antigo internacional belga está a responder perante o tribunal correcional por suspeitas de branqueamento de capitais, num processo que surge à margem de uma investigação sobre tráfico internacional de cocaína.
A investigação foi aberta pelas autoridades judiciais de Bruxelas em março de 2023, visando uma rede que importava grandes quantidades de droga da América do Sul através do porto de Antuérpia. Na sequência de escutas telefónicas e operações de vigilância, as autoridades realizaram uma operação de grande escala em janeiro de 2025, na qual foram detidos vários suspeitos.
Radja Nainggolan, atualmente ao serviço do Patro Eisden Maasmechelen, foi um dos detidos na operação policial, tendo chegado a passar uma noite sob custódia. O jogador entrou na mira das autoridades após ter recebido, num período de poucos meses, mais de 100 mil euros em numerário de Nasr-Eddine Sekkaki, irmão mais novo do criminoso Ashraf Sekkaki. Posteriormente, o montante foi devolvido em tranches para a conta bancária da mãe de Sekkaki.
Nas declarações prestadas após a sua detenção, o futebolista justificou a necessidade do dinheiro vivo: «Não tenho dívidas, mas, devido ao meu divórcio com a Claudia, as minhas contas italianas estão bloqueadas. Queria manter o meu estilo de vida e por isso precisava de dinheiro em numerário, que pedi emprestado a Sekkaki.»
Durante o interrogatório policial, o jogador garantiu desconhecer o historial do indivíduo. «Aos meus olhos, não era um rapaz maldoso. Achei-o normal e modesto, não posso dizer nada de mal sobre ele. Nunca me contou nada sobre as suas origens ou antecedentes. E, na verdade, isso não me interessa. Não conhecia a sua reputação. Só soube de tudo isso através da comunicação social, após a minha detenção neste processo», afirmou.
Embora a acusação reconheça que Nainggolan não esteve diretamente ligado ao tráfico de droga nem seja suspeito de integrar a organização criminosa que envolve a maioria dos outros 15 arguidos, o procurador sustenta a acusação de branqueamento de capitais.
Segundo a acusação, Nasr-Eddine Sekkaki subsistia com recurso a um subsídio estatal, mas dispunha de avultadas quantias em dinheiro líquido sem origem legal comprovada. «Nainggolan recebeu 105 mil euros em numerário de Sekkaki, que pediu para devolver o montante na conta da sua mãe», sublinhou o Ministério Público, acrescentando detalhes sobre as transferências bancárias: «Na descrição da ordem de pagamento, Radja Nainggolan fez referência a obras de construção fictícias. A defesa contesta, entre outros aspetos, o elemento moral por parte de Radja Nainggolan, mas os dados do telemóvel mostram que ele sabia muito bem o que estava a fazer e que estava a prestar um favor a Nasr-Eddine Sekkaki.»
O processo conta com 16 arguidos no total, com o Ministério Público belga a solicitar penas que variam entre 12 meses e 14 anos de prisão, além de multas que podem atingir os 800 mil euros para os alegados cabecilhas da rede. A defesa terá a sua intervenção posteriormente, estando as alegações dos advogados de Radja Nainggolan, que já anunciaram que vão pedir a absolvição, agendadas para o dia 13 de novembro.
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