Cláudio Pereira,  árbitro do Santa Clara-Benfica (Lusa)
Cláudio Pereira, árbitro do Santa Clara-Benfica (Lusa)

O impercetível futebol português

Durán acordou sem saber se podia jogar pelo Benfica, mas foi a marcar um golo que fechou o dia em que Luciano Gonçalves foi à RTP dizer que «o futebol tem coisas esquisitas»

Jhon Durán acordou sem saber se podia jogar, acabou o dia a fechar a vitória do Benfica sobre o Gil Vicente e deitou-se sem saber se vai ser — ou não — castigado pela expulsão frente ao Santa Clara. Impercetível.

As imagens da transmissão televisiva já não sustentavam a decisão de Cláudio Pereira, mas restava ainda o benefício da dúvida associado ao relatório do árbitro. Argumentar que um jogador contribuiu para um conflito generalizado com «palavras impercetíveis» é algo que não pode continuar a ser normalizado nos relatórios — até o delegado da Liga destacado para o jogo dos Açores recorreu a essa argumentação.

O processo (disciplinar) ainda vai fazer correr muita tinta, aposto, mas já foi evidente o embaraço do presidente Conselho de Arbitragem ao dizer, em entrevista ontem concedida à RTP, que Cláudio Pereira «podia ter-se explicado melhor», considerando que «a forma como escreveu não foi a mais clara».

A condescendência pública não surpreende, mas dentro de portas é bom que o líder da arbitragem erradique tais práticas. Ninguém quer que o relvado seja transformado em sala de audiência, mas um árbitro também não pode ser leviano ao assumir o papel de juiz.

Não sei se Luciano Gonçalves cometeu algum crime, mas partilho da dificuldade assumida pelo instrutor do processo do Conselho de Justiça para encontrar conexão entre a mensagem enviada a Hélder Malheiro pelo presidente do Conselho de Arbitragem e a justificação dada posteriormente por este, assim como considero que a decisão de ir à Amadora para conversar apenas com Paulo Lopo, depois das suspeitas levantadas por Duarte Gomes, é altamente censurável.

O que me parece evidente, desde já, é que a polémica confirmou que a arbitragem continua a ter condutas pouco recomendáveis, de forma generalizada.

O presidente do Conselho de Arbitragem diz que «o futebol tem coisas esquisitas». Impercetíveis, diria eu...

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