CEO do Anderlecht deixa aviso a Vítor Bruno: «Não estamos totalmente satisfeitos»
O Anderlecht atravessa um período conturbado a nível desportivo, marcado pela eliminação na Taça da Bélgica diante do Beerschot, do segundo escalão, e pela pesada derrota por 4-0 frente ao Gent. Apesar do momento de pressão e do registo de apenas duas vitórias nos últimos cinco jogos, a estrutura do emblema de Bruxelas mantém o voto de confiança em Vítor Bruno, ainda que com reparos claros à gestão da equipa.
Em declarações ao De Standaard sobre o momento do clube, o diretor-executivo (CEO) Kenneth Bornauw rejeitou o cenário de crise iminente e desmentiu qualquer contestação interna ao português. «Expressamos a nossa confiança no treinador. Mas totalmente satisfeitos? Isso não. É incorreto falar em moção de desconfiança. Há pressão, mas a nossa intenção é sair disto todos juntos. Ou seja, com o Bruno», garantiu o dirigente, sublinhando que o balneário partilha a mesma opinião: «Falei com alguns jogadores esta semana e dizem em uníssono que o Vítor é um dos melhores treinadores que trabalhou no Anderlecht nos últimos anos.»
Apesar do apoio, Bornauw não escondeu as exigências que tem colocado em conjunto com o diretor desportivo Antoine Sibierski. Um dos principais pontos de discórdia reside na gestão do extenso plantel de 32 elementos e na constante rotação efetuada pelo técnico.
«Acho que o Vítor tem de ter cuidado para não complicar a sua própria vida. O plantel é demasiado extenso para nós. Não conseguimos encurtá-lo no verão, mas não é por ter 32 jogadores disponíveis que tem de usar todos. Poderia perfeitamente definir um grupo de 25. Ao utilizar toda a gente, e ainda por cima fora das posições habituais, criam-se demasiadas peças no puzzle», apontou o dirigente, defendendo maior estabilidade: «Tem de haver uma hierarquia com 14 a 15 jogadores nucleares. Não se pode colocar alguém a jogar só porque por acaso se destacou no treino de terça-feira», prosseguiu.
No plano estritamente numérico, o dirigente lembrou que o trajeto de Vítor Bruno apresenta aspetos positivos, destacando a qualificação para a fase regular da Europa League e a média de 1,84 pontos por jogo no campeonato — um registo superior, por exemplo, ao alcançado por Vincent Kompany (1,67) em anos anteriores. Contudo, no campeonato tem o registo de três derrotas em nove jornadas, sofridas frente ao líder Gent, ao Union St. Gilloise e ao Beveren.
«No futebol, quem ganha tem razão. O Vítor tem a legitimidade de utilizar qualquer jogador que considere representar uma mais-valia, embora eu tenha a minha opinião pessoal. Quando a gestão do plantel já é exigente por si só, o treinador deve gerir a situação com sensatez e não empolar os problemas. Conceder oportunidades constantemente só torna o processo mais complexo», sustentou.
Relativamente a uma eventual mudança no comando técnico e à situação do luso, o diretor-executivo apelou à união em torno do projeto: «Aprecio a estabilidade, contudo, se for estritamente necessário, é preciso ter a coragem de intervir. Decidirei sempre em prol do melhor para o clube, mas neste momento esse cenário não se coloca. Espero que os adeptos nos acompanhem nessa postura e apoiem a equipa e o treinador no sábado, contra o Westerlo, e nos jogos seguintes.»