Motivação após goleada, mercado em sintonia com a SAD e futuro: tudo o que disse Marco Silva
Motivação no limite. Desde logo, porque quem joga no Benfica não pode pensar de outra forma. Esta foi uma das ideias principal de Marco Silva na conferência de Imprensa de antevisão ao jogo com o Hearts, realizada ao início da noite desta quarta-feira, no Tynecastle Park, em Edimburgo.
O treinador dos encarnados garantiu uma equipa preparada para carimbar o passaporte para o play-off da UEFA Europa League, sendo que a goleada (6-1) alcançada na primeira mão desta terceira pré-eliminatória, na Luz, serve para dar ainda mais confiança à equipa para novo triunfo diante do emblema escocês. Marco Silva não quis abrir o jogo sobre quem será o titular na baliza amanhã e garantiu que SAD e equipa técnica estão em perfeita sintonia, também, no que toca a todas as questões de mercado.
— Espera um Benfica diferente depois do 6-1 da primeira mão?
— Os jogos são sempre diferentes. Se fosse no dia seguinte já seria diferente. Ambicionamos sempre a vitória. O resultado dá-nos mais confiança, claro, mas sem facilitismos. Esse seria o primeiro passo para errarmos e não queremos errar. Queremos estar no play-off e com dois bons resultados. Estamos já a competir, mas com jogadores que chegaram mais tarde e que ainda têm de adaptar-se a várias coisas. Mas isso faz parte, ainda não estão na melhor condição física e o jogo de amanhã é bom também para isso. É importante vê-los em treino, mas muito mas importante em jogo. Mesmo com uma vitória clara no primeiro jogo, amanhã terá será uma partida com intensidade, como o próprio ambiente aqui promove.
— O resultado permite-lhe gerir a equipa de outra forma? E Trubin, vai voltar a ser titular?
— Não vou fazer referência a quem pode ou não jogar. Amanhã verão. Mas, sim, é uma oportunidade para todos. É importante vermos jogadores em competição. Jogadores que têm vindo a acelerar em treino, mas ainda não com a intensidade constante em jogo. O jogo de amanhã também servirá para isso, há jogadores que merecem essa oportunidade e vão tê-la.
— Há vários nomes falados para o Benfica. Sobre o mercado, o treinador pensa da mesma forma do que o presidente do Benfica?
— Pensamos da mesma forma, claro. O que falamos fica entre nós e depois comunicamos da forma que entendemos ser a melhor para o Benfica. Os jogadores irão chegar quando nós conseguirmos que eles cheguem. O mercado não é só para agosto, é também para o futuro.
— Está satisfeito com os defesas-centrais? Que perfil pretende para esta posição?
— Não vou falar de jogadores que não são nossos. Falou do Tomás [Araújo] e do Lenglet, são dois centrais de grande qualidade e estamos muito satisfeitos com eles. Como deve calcular, não vou estar a dizer-lhe o perfil de central que queremos ou não. Aliás, vocês têm falado tanto sobre o perfil do central que o Benfica precisa que já sabem a resposta.
— Como é que se motiva uma equipa que tem uma vantagem de cinco golos na eliminatória?
— Quando vestimos a camisola do Benfica e temos este nível de responsabilidade a motivação tem de ser algo natural. A intensidade com que queremos jogar vem muito do treino. Quem treina bem acaba por jogar bem, acredito muito nisso. Essa motivação e exigência são colocadas diariamente no treino. O resultado é bem dilatado porque fizemos as coisas bem no primeiro jogo. Isso significa que podemos fazer amanhã também.
— Houve frustração após o empate com o Académico de Viseu. Espera, também por isso, uma reação forte da equipa?
— A nossa expressão de frustração depois desse jogo fala por nós mesmos. Queremos ganhar a jogar bem, com exibições que deem prazer. Por vezes, se empatarmos com adversários que consigam nivelar o jogo, temos de reconhecer, mas não foi o caso. Agora, não há mais ansiedade depois desse jogo, temos de fazer tudo para ganhar, melhorando alguns aspetos da última partida. Manter o foco. O nosso objetivo é manter consistência nas ações individuais e coletivas.
— Como analisa estes dois meses no Benfica e o que sente que ainda falta à equipa?
— Falta muito. É humanamente impossível termos tudo o que queremos em sete semanas de trabalho e com jogadores a chegarem a conta-gotas. Tivemos jogadores no Mundial que foram titulares do Benfica na época passada. Mas já vejo coisas boas. A ideia que queremos tem sido seguida pelos jogadores, que querem fazer sempre mais. O desafio é o de trabalhar num clube com esta dimensão, isso é sempre primordial. Estar nesta fase era quase obrigatório e estar na fase de liga é o nosso desejo. Compete-nos moralizar e colocar ambição e motivação aos jogadores para que isso aconteça, em simultâneo com o campeonato, que é um grande objetivo para nós.
— Que posições gostaria de ver reforçadas além da de defesa-central?
— Não vou estar a falar disso. Existirão saídas e entradas, mas nem tudo é como nós queremos. A nossa ambição é tentar melhorar as nossas forças. O meu foco agora é falar do jogo. A estrutura do Benfica está a trabalhar no mercado, sempre em contacto comigo, para o melhor do Benfica.
Rui Costa entre autógrafos e fotografias
Já depois de ter assistido à conferência de Imprensa de Marco Silva, no Tynecastle Park, em Edimburgo, Rui Costa não defraudou as expectativas de alguns adeptos — estrangeiros — do Benfica, que, equipados a rigor, acercaram-se do presidente das águias, já no exterior do estádio, para tentarem a sua sorte. E tiveram sucesso.
Rui Costa esteve durante alguns minutos a distribuir autógrafos e a tirar fotografias com os benfiquistas que ali se apresentaram, saindo, depois, em passo acelerado para rumar à unidade hoteleira onde a comitiva dos encarnados está instalada na capital escocesa.