Gavin Bazunu,
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Guarda-redes da Irlanda explica recusa de jogar frente a Israel

Gavin Bazunu pediu para não jogar por considerar «errado» defrontar a nação em conflito

O guarda-redes irlandês Gavin Bazunu defendeu a decisão de não jogar contra a seleção de Israel, na Liga das Nações, insistindo que não é contra os israelitas ou os judeus, mas sim contra as «atrocidades em Gaza».

Chegou a estar em dúvida, mas o Israel-Irlanda será disputado esta noite, em Debrecen, na Hungria. Mas sem o guarda-redes visitante, Gavin Bazunu, que pediu para ser dispensado, o que atrasou o treino e conferência de imprensa no sábado, por mais de cinco horas. O pedido levou os jogadores a votarem para saber se jogavam, com a maioria a decidir ir a jogo, como explicado depois pelo selecionador Heimir Hallgrimsson, e o CEO da Federação de Futebol da Irlanda (FAI), David Courell. Courell revelou que a seleção tinha inicialmente decidido avançar com a realização do jogo, após uma reunião em Pristina na sexta-feira. No entanto, um dos jogadores «manifestou o seu desconforto» em relação à participação no jogo, o que levou a uma nova e longa conversa no sábado.

«Matar pessoas inocentes é errado»

Após um dia tenso em que o jogo esteve em risco, Bazunu lançou um comunicado no Instagram: «Representar o meu país significa tudo para mim. Tenho o maior respeito por cada um dos meus colegas de equipa, pelo treinador e pelo povo irlandês. Mas tomei uma decisão a que não cheguei de ânimo leve. Sou um homem de forte fé e esforço-me ao máximo para ser uma pessoa de caráter e princípios, por isso, considero que seria errado participar nos próximos jogos contra Israel (27 de setembro / 4 de outubro).

«A minha decisão baseia-se exclusivamente na convicção de que matar pessoas inocentes é errado. É importante referir que a minha posição não é de oposição ao povo israelita ou à comunidade judaica, mas sim contra as atrocidades na região. Há poucos momentos na vida em que se tem a oportunidade de defender algo maior e acredito firmemente que este é um deles», acrescentou o guarda-redes que representa o Bolton.

O CEO da Federação de Futebol da Irlanda (FAI), David Courell, anunciou no sábado que os jogadores decidiram, por maioria significativa, ir a jogo, após votação, e que vão usar fumos negros nas camisolas. «Esta manhã, um jogador manifestou desconforto ao selecionador e indicou a intenção de abandonar a convocatória. Esta nova situação exigiu tempo e reflexão por parte do grupo. Seguiram-se mais quatro horas de conversações, sobretudo com os jogadores, mas também, em alguns momentos, com a equipa técnica e a direção. Foram apresentadas muitas posições diferentes e respeitámos plenamente o direito de cada um a ter a sua opinião sobre estes temas. Por fim, realizámos uma votação entre os jogadores sobre a realização dos jogos. O resultado foi uma maioria significativa a favor da realização dos encontros e a federação tomou a decisão de cumprir estes jogos.» Courell não confirmou se a votação tinha sido 14-8, com o Irish Independent a revelar que Bazunu já nem votou.

Desde o sorteio que estes jogos têm estado sob pressão e o selecionador da Irlanda, Heimir Hallgrimsson, afirmou numa conferência de imprensa que a sua equipa «iria jogar contra o genocídio», no contexto dos ataques de Israel à Palestina, onde mais de 70.000 pessoas foram mortas desde o início da guerra em Gaza.

As declarações tiveram impacto em Tel Aviv, de onde a Federação Israelita respondeu com a mesma dureza: «Contribuímos para o mundo e para a humanidade em inúmeras áreas, ganhando um número impressionante de prémios Nobel ao longo do tempo. Infelizmente, ainda não encontrámos uma cura para a estupidez, ignorância e hipocrisia demonstradas pelo treinador da República da Irlanda. Não jogamos com a ignorância, a hipocrisia e a estupidez, jogamos contra o treinador que as personifica.»

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