João Félix - Foto: IMAGO
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Ainda vais a tempo, João!

Estreia de Jorge Jesus não teve foguetes nem nota artística, mas fazer de João Félix a nova figura principal pode ser um bom princípio. À beira dos 27 anos, é agora ou nunca

O tempo voa e, num piscar de olhos, João Félix já não é o menino de borbulhas na cara que deixou o Mundo de queixo caído quando rebentou no Benfica, corria a temporada 2018/19. Uma transferência megalómana para o Atlético Madrid, onde nunca foi compreendido por Diego Simeone, e sucessivos agora é que vamos voltar a ver o Félix do Benfica no Chelsea (duas vezes), Barcelona e Milan.

No defeso de há um ano esteve perto de regressar à Luz, mas preferiu o exílio dourado no Al Nassr, onde, sem surpresa, tamanha a diferença do talento do avançado em relação ao pouco competitivo campeonato local, conseguiu os melhores números da carreira — 26 golos, 18 assistências e o coroar de época em cheio com o título de melhor jogador do ano — com Jorge Jesus a treiná-lo.

Na Seleção, o mesmo constante adiar da afirmação definitiva. Roberto Martínez não percebeu o diamante que tinha, utilizou-o a partir dos flancos e, mesmo quando o jogador dava resposta numa posição que não lhe é natural, era muitas vezes o sacrificado pelo deficiente rendimento do coletivo. O tardio adeus de Martínez abriu as portas a Jorge Jesus e eram muitos os que esperavam uma revolução na convocatória e sangue novo para o fechar de um ciclo pós-Mundial e abertura de outro a pensar no próximo Europeu. Isso não aconteceu, mas, convenhamos, o grande problema do legado do antigo selecionador não foram as convocatórias, que, aqui e ali, levantam sempre pontos de discordância, mas sim a incapacidade de ler o perfil dos jogadores que tinha ao dispor para montar uma Seleção dominadora e capaz de ombrear com as melhores.

A estreia de JJ frente ao País de Gales não teve nota artística, tão pouco uma goleada farta ou momentos de futebol brilhante, mas, no adeus ao 4x3x3 para abraçar o 4x4x2, permitiu perceber que Félix fará parte da espinha dorsal daqui para a frente. E na posição certa, não preso a uma ala e com acrescidas responsabilidades defensivas.

O golo foi apenas a parte mais vistosa de uma exibição que foi um vislumbre daquele João Félix que levou o Atlético a pagar 126 milhões em 2019. «Jorge Jesus entende de futebol, na tática dele tem a posição que é a minha e toda a gente viu o que posso dar (...) Está a mudar a minha carreira, sim», disse o avançado depois do jogo com os galeses. Para bom entendedor, três ou quatro frases bastam. À beira dos 27 anos, é agora nunca para mostrar que Félix já não é só um malabarista a brincar no deserto.

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