Rodrigo Gomes marcou dois golos nos últimos dois jogos pelo Wolverhampton. O português garantiu que a equipa continua a acreditar no milagre - Foto: IMAGO

Milagre é possível, mas difícil: Wolverhampton quer continuar na Premier League

Evolução dramática da equipa na segunda volta do campeonato dá esperanças à equipa de José Sá, Rodrigo Gomes e Toti Gomes, que, ainda assim, teria de fazer números quase inéditos para impedir a descida. Nuno Espírito Santo e Vítor Pereira, ex-treinadores dos 'wolves' e agora no West Ham e no N. Forest, respetivamente, prometem não facilitar

A primeira volta da Premier League 2025/26 terminou com muitas incertezas. À jornada 19, o Arsenal liderava com quatro pontos de vantagem para o Man. City e seis para o Aston Villa. O quinto, o Chelsea, tinha mais cinco pontos que o Brighton, 14.º classificado. Tudo em aberto... menos uma coisa: o Wolverhampton já praticamente havia assinado a presença na segunda divisão na época seguinte.

Vítor Pereira, atual treinador do Nottingham Forest, deixou o comando da equipa a 2 de novembro. O português, que na época anterior tinha não só salvado a equipa da descida de divisão como batido recordes de vitórias consecutivas, não fora capaz de colocar os wolves, que contam com José Sá, Toti Gomes e Rodrigo Gomes no plantel, ao mesmo nível do ano anterior. As derrotas foram sucessivas: cinco seguidas para começar a época, dois empates e, depois, 11 desaires consecutivos, um registo dividido entre o técnico português e Rob Edwards, o sucessor. A jornada 19, em Old Trafford, terminou com um empate a um golo com o Manchester United. Primeira volta concluída, três pontos conquistados e zero vitórias fizeram da equipa a única na história a terminar a metade inicial da Premier League sem vitórias.

A primeira equipa em lugar de permanência estava a 15 pontos. O Forest, em batalha acesa por continuar no principal escalão, somava mais quatro pontos que o West Ham e seis que o Burnley. O Wolverhampton, por seu turno, lutava para não ser a pior equipa da história — marca pertencente ao Derby County, que, em 2007/08, somou apenas 11 pontos. Só que... algo mudou. O início da segunda volta marcou uma mudança para os comandados de Edwards, que, de repente, passaram a poder sonhar.

Segunda volta deixou tudo em aberto...

O 3-0 caseiro frente ao West Ham foi um marco para o conjunto. Vitória dominante, segundo jogo seguido sem perder e o início de uma série de quatro duelos invictos. Nos últimos cinco jogos a equipa perdeu apenas um, com golo sofrido aos 90' em casa do Crystal Palace. Os lobos derrotaram o Liverpool e o Aston Villa, empataram com o Arsenal e o Nottingham Forest e, desde o início da segunda metade da competição, somaram 13 pontos e foram a décima melhor equipa, ainda que com mais um jogo disputado, o 2-2 frente aos gunners.

Um dado curioso está relacionado com a forma como a equipa passou a fechar os duelos. O Wolverhampton só se superiorizou uma vez ao adversário na segunda parte na primeira volta, mas é, desde a jornada 20, o terceiro melhor conjunto do campeonato na etapa complementar, só atrás de Arsenal e Manchester United — os red devils também melhoraram muito neste capítulo: foram os segundos piores no segundo tempo na primeira metade do campeonato e os melhores na segunda). A disparidade no registo de golos é ainda mais gritante: nos primeiros 19 jogos os wolves marcaram 11 vezes e sofreram 40, nos últimos 11 duelos marcaram o mesmo número de vezes e só sofreram 12.

...mas os ex-treinadores (e a história) não ajudam.

A segunda volta tem sido, a todos os níveis, um exemplo de recuperação por parte do Wolverhampton, uma equipa mais completa, ofensiva e que sente menos o nervosismo de quem luta em vão por resultados. Os resultados recentes, no entanto, não apagam o registo anterior. Os 16 pontos conquistados na Premier League deixam a equipa de , Toti e Rodrigo a 12 do Nottingham Forest, treinado por Vítor Pereira, e do West Ham, liderado por Nuno Espírito Santo. E os treinadores portugueses, ambos antigos técnicos do wolves, prometem não facilitar na luta pela permanência.

Os hammers levam apenas uma derrota nos últimos cinco jogos e os tricky trees empataram a dois golos com o Manchester City na passada ronda, no terceiro jogo do técnico luso à frente da equipa. São visíveis as melhorias na equipa de Rob Edwards, mas os oponentes não têm dado tréguas.

A história também não é animadora. A BBC fez um balanço em novembro passado e concluiu que, em 18 das 30 épocas de Premier League disputadas por 20 equipas, 36 pontos foram suficientes para conseguir a permanência. Se tal se verificasse este ano, o Wolverhampton precisaria de fazer 20 pontos em oito jogos — ou seja, vencer sete ou ganhar seis e empatar dois. Além disso, a distância para os adversários diretos não é dado animador. Para que se tenha uma ideia, o Nottingham Forest que, comandado por Espírito Santo na segunda metade de 2023/24, conseguiu a sobrevivência, fê-lo com 32 pontos, mais 16 do que têm agora os wolves e o menor número alguma vez conquistado por uma equipa que não desceu de divisão.

O peso da segunda volta parece ser âncora para os sonhos de permanência do Wolverhampton, que estão na Premier League desde 2018/19, após Nuno Espírito Santo comandar a armada lusa, representada por Diogo Jota, Rúben Neves, Ivan Cavaleiro, Hélder Costa, Roderick Miranda e Rúben Vinagre, à conquista do Championship. A descida, oito anos depois de futebol ao mais alto nível, é o desfecho mais provável, mas Rodrigo Gomes, autor de dois golos nos últimos dois jogos, recusa-se a desistir: «Temos de continuar a acreditar.»