Rafael Nel saudado pelos companheiros após o salto de peixinho que fez mexer a rede monegasca (Foto Miguel Nunes)
Rafael Nel saudado pelos companheiros após o salto de peixinho que fez mexer a rede monegasca (Foto Miguel Nunes)

Meninos no papel de poetas mordem como quem beija... (os destaques do Sporting)

Em semana bem triste para a cultura nacional, Flávio Gonçalves, Nel e Jesse Derry soltaram alegria em campo. Leões e o adeus a Pote: 'ai, saudade...'

João Virgíniaperdeu os papéis numa saída da baliza aos nove minutos que poderia ter causado muito dano aos verdes e brancos. De resto, apenas se voltou a ver em cima do final do jogo para segurar uma bola fácil. Na verdade, só deve ter sofrido com o calor, pois já era noite, mas o termómetro não deu tréguas.

VagiannidisApós uma primeira época a roçar a desilusão, vai dando sinais de reabilitação, sobretudo no capítulo ofensivo, mas continua a escrever com muitos erros ortográficos a defender. Beneficiou de uma equipa do Principado com pouquíssimos perigos reais.

Altimira: assume a 'paternidade'

Numa equipa que ficou orfã do capitão, pois Hjulmand rumou ao Atl. Madrid, é o espanhol que assume a paternidade do meio-campo. Não tão exuberante como o dinamarquês — será uma questão de tempo… — mas igualmente sóbrio na hora de comandar os tempos de jogo e, embora não arrisque por aí além, é raríssimo ver-se falhar um passe. Resta saber quando subir o nível de risco, mas é um cérebro que sabe pisar todos os milímetros de campo. É o mediador de seguros do elenco.

Eduardo QuaresmaCom a braçadeira no braço e o comando na voz, está a consolidar a sua posição no centro da defesa, setor em que Debast está lesionado, Ba em processo de reabilitação e Diomande a escrever as linhas finais do Adeus Português. Fez um corte fabuloso em cima do intervalo (40’), impedindo Biereth de gelar um Alvalade que estava a entrar em ebulição.

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Zalazar: este é eleito pelos pares

Este também tem um poder inaudito, como aquele que mandou anos a fio em Portugal. Mas o uruguaio orienta o ataque porque é reconhecido pelos pares que nele ‘votam’, por ser dono de uma técnica apuradíssima e o mandante das bolas paradas. Aquele passe a rasgar mundos (34’) e a encontrar Maxi Araújo no lado contrário é algo incrível… Pena que o compatriota não tenha (ainda) um motor nos pés para conseguir dominar a bola, pois o lance merecia golo.

Eduardo Felicíssimo — Vai vaguear entre os treinos da equipa A e os jogos da B, mas, pelo menos para já, está a obrigar Rui Borges a sublinhar com cores garridas o seu nome no bloco de notas. Muito sóbrio, só por uma vez comprometeu. E ainda demonstrou a capacidade de fazer passes verticais muito tensos, mas bem medidos.

Issa Doumbia: com muita farinha no miolo

Voltou a ser testado na zona central do meio campo e no ataque descaído para a esquerda e não chumbou em quaisquer dos testes, mas tirou muito melhor na zona no miolo, até porque tem muita farinha (ou compleição física) para que cozer um pão daqueles bem gostosos, acabadinhos de sair do forno. Na componente tática sabe tudo ou não fosse proveniente da escola italiana, porém, em alguns lances tem de refrear o ímpeto porque arrisca disciplinarmente.

Maxi AraújoAinda não está ao nível Super que se lhe reconhece, mas não está… irreconhecível. Raçudo a defender, mas por vezes demasiado ríspido, entregou o de sempre à equipa: tudo o que conseguiu. A conexão com o compatriota Zalazar promete fazer miséria, mas nos oponentes.

Flávio Gonçalves: Assim, 'Perdidamente'

Na semana em que o País se despediu de um nome maior da cultura, Luís Represas, o menino da Academia comprovou que uma das estrofes de uma das canções mais conhecida do Trovante, Perdidamente, se aplica em muitas facetas da vida, como por exemplo no futebol: ‘Ser poeta é ser mais alto/ é ser maior do que os homens/ morder como quem beija’. O extremo, a maior de todas as surpresas desta pré-época, morde o adversário e beija a bola com os pés…Faz quase tudo bem, só lhe falta um pouquinho mais de pontaria…

Geny Catamo — Voltou a ter o momento com sinal mais naquele movimento que é a sua imagem de marca: da direita para o meio, bola no pé esquerdo e remate ao poste mais distante, mas desta vez o esférico bateu mesmo no ferro.

Rafael Nel: os outros a ver, ele a marcar

Luis Suárez estava na bancada a ver, Ioannidis no banco e numa visão puramente egoísta poderão não ter gostado nem um bocadinho do que fez o menino, que na primeira parte assinou muitas baladas em ritmo acelerado com o companheiro de muitas luas Flávio Gonçalves mas pecou na finalização e, assim, deixou um depoimento: não lhes vai dar descanso na luta pela titularidade. Até aquele momento em que em salto de peixinho meteu a bola na rede monegasca.

Pedro GonçalvesTudo indica que tenha sido a última aparição na casa verde e branca e, se bem que tenha sido em pouco mais do que 20 minutos, foram suficientes para ajudar a desenhar a jogada do primeiro golo e fazer mais um passe à baliza que só não acertou no alvo porque a bola vinha muito enrolada. Ficarão os leões a dizer como na canção: ‘ai saudade’...

Silas Andersen: agressividade que se entranha

O dinamarquês é daqueles que sobem ao relvado com o sangue a raiar-lhes os olhos, a disputar cada bola como se fosse a última; numa agressividade positiva que se vai entranhando nos restantes companheiros de equipa. E tem esse item que pode fazer grande diferença: é muito forte nos duelos aéreos. Frente ao Estrasburgo marcou num belíssimo golpe de cabeça, na estreia em Alvalade os deuses da bola viraram-lhe as costas e a bola embateu com (muito) estrondo na barra da baliza monegasca

Luís GuilhermeO brasileiro está a demonstrar que pretende ser um dos protagonistas da nova versão do leão, isto após alguns laivos mostrados em metade de 2025/26.

IoannidisDemasiado sôfrego por marcar como tinha feito diante do Estrasburgo, lutou imenso; contudo, ficou uns furos (bem) abaixo de Rafael Nel. Mas a sua compleição física dará, por certo, enorme jeito ao leão.

Jesse Derry: saem umas caixas de paracetamol!

Rui Borges bem pode começar a encomendar caixas de paracetamol, tantas serão as dores de cabeça que terá quando tiver de escolher entre o inglês e Flávio Gonçalves. Talento a sair de todos os poros têm os dois, são ambos destros e jogam como extremos pela esquerda. O golo que apontou foi um autêntico 'Baile no Bosque', com um arco perfeito a tocar no violino do qual saiu uma das mais belas notas da noite. Descarado e autêntico, promete criar grande élan com as bancadas.

Fresneda — Somou os primeiros minutos e mostrou a desenvoltura e o andamento que lhe são característicos.

Pedro Lima: criterioso mas discreto

Demasiado discreto na primeira aparição na casa nova, não se aventurou muito no ataque, mas demonstrou critério com o esférico nos pés. Talvez por culpa das cargas físicas a que tem sido sujeito nesta pré-época, deu a sensação de estar com uma rotação a menos em relação aos companheiros de equipa, ou seja, mais preso de movimentos. Contudo, é preciso ter em atenção que a procissão leonina ainda nem sequer saiu do adro, quanto mais o andor.

Daniel Bragança — Posicionou-se a dez sem qualquer ação relevante. Mas nem todas as noites podem ser de brilho…

Rodrigo Dias — Entrou para dar algum descanso a Maxi Araújo.

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