Fabio Grosso, antigo treinador da Fiorentina, de Pedro Gonçalves
Fabio Grosso, antigo treinador da Fiorentina, de Pedro Gonçalves

«Se gostas de mim, despede-me»: o caos nos bastidores da Fiorentina de Pote

'Viola' pondera ação legal contra Grosso, que classificou o plantel como «intrinável» antes de ser despedido. Técnico italiano terá ameaçado não treinar a equipa, após três derrotas seguidas

A relação entre a Fiorentina e Fabio Grosso, que durou apenas 59 dias, terminou de forma abrupta e pode agora escalar para os tribunais. Segundo a Gazzetta dello Sport, o clube de Florença está a avaliar a possibilidade de avançar com um processo disciplinar por justa causa contra o treinador, na sequência de uma acesa discussão com o diretor desportivo, Fabio Paratici.

A gota de água terá sido um pedido insólito do próprio técnico. «Se gostas de mim, despede-me», terá dito Grosso a Paratici no domingo, classificando ainda o plantel como «intrinável». Segundo a reconstituição dos acontecimentos feita pelo clube, o treinador já não acreditava ser capaz de obter resultados com o grupo à sua disposição, aponta a mesma fonte.

Apesar de um início de campeonato desastroso — três derrotas em três jogos, com nove golos sofridos e apenas um marcado —, a direção, e em particular Paratici, que já conhecia Grosso dos tempos da Juventus e apostou fortemente na sua contratação, mantinha a confiança no técnico. A intenção era dar-lhe mais três jogos (contra Veneza, Nápoles e Pisa) para inverter a situação antes da pausa para as seleções.

Contudo, a atitude do treinador precipitou o desfecho. Grosso terá manifestado repetidamente a sua insatisfação e a convicção de que não tinha os jogadores adequados para o seu estilo de jogo, nomeadamente extremos com características semelhantes a Berardi e Laurienté, que orientara no Sassuolo. O plantel, que recebeu 13 reforços num investimento de 130 milhões de euros - Pedro Gonçalves, emprestado pelo Sporting, foi um deles -, sentia este clima de negatividade.

No domingo, a situação tornou-se insustentável. Numa acesa discussão no Viola Park, Grosso reiterou que já não se sentia capaz de treinar a equipa, mas sem apresentar a demissão. Perante a falta de empatia com o grupo e as dúvidas do próprio treinador, que terá inclusivamente ameaçado não comparecer ao treino seguinte, o despedimento tornou-se a única opção para a Fiorentina.

Agora, o departamento jurídico do clube está a analisar se existem fundamentos para um despedimento por justa causa. A repetida manifestação de vontade de abandonar o cargo, entre outros comportamentos, poderá ser considerada uma violação contratual. Caso avance, o processo disciplinar, da competência da Justiça Desportiva, implica uma notificação por escrito ao treinador, que terá cinco dias para apresentar a sua defesa.

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