Pavlidis desviou de cabeça para defesa de Robles (LUSA/JOSE SENA GOULÃO)
Pavlidis desviou de cabeça para defesa de Robles (LUSA/JOSE SENA GOULÃO)

Meio milagre não bastou porque o outro meio não chegou (crónica)

Benfica fez o que lhe competia na jornada 34, com três golos antes dos 20 minutos. Mas como as notícias de Alvalade não eram as esperadas pelos benfiquistas, ficou uma Liga sem derrotas

Se era preciso um milagre para chegar ao segundo lugar, como José Mourinho foi repetindo quase até à exaustão, cedo o Benfica começou a fazer a sua parte. Grande pressão sobre os médios e defesas do Estoril, quase sufocante até, impedindo-os de ter bola e de sair de perto da área de Robles. Logo aos 40 segundos (!), as águias mostraram que queriam resolver bem rápido a sua metade do milagre: canto de Prestianni e Bah, de cabeça, a desviar rente ao poste esquerdo.

O Estoril não respirava. Limitava-se a tentar sobreviver. O Benfica, com Prestianni e Schjelderup endiabrados nas alas, ia anunciando o golo. E, aos 7 minutos, Prestianni metamorfoseou-se em Richard Ríos e abriu, longuíssimo, da esquerda para a direita, onde estava Schjelderup. O norueguês da primeira metade da época teria perdido a bola na luta com Ricard Sánchez, mas quem recebeu a bola foi o norueguês da segunda metade, que arrancou, mudou da terceira velocidade para a quinta em menos de um piscar de olhos, cruzando bem rasteiro para a pequena área, onde surgiu Ríos, metamorfoseado no Pavlidis da primeira metade da época, que encostou e fez golo.

Demorou sete minutos o primeiro golo e até poderia ter demorado bem menos, tal a avalancha atacante do Benfica. Logo de seguida, Prestianni fura, como se fosse uma broca, médios e defesas estorilistas, fica na cara de Robles, mas permite que o guarda-redes espanhol desvie pela linha de fundo.

Não havia pausas, não havia quebras, não havia Estoril. Havia apenas Benfica e uma velocidade estonteante, dribles e fantasia, misturados com uma tremenda pressão encarnada. E, entre os 15’ e os 16’, dois golos: Bah e Rafa, 3-0 antes dos 20 minutos. Algo que o Benfica não conseguia há já muito tempo.

O ritmo, então, abrandou. Talvez na sequência de o Sporting ter marcado um minuto antes do golo de Rafa e, assim, o Benfica ter voltado ao 3.º lugar da Liga, de onde saíra entre os minutos 7' (golo de Ríos) e 15’ (1-0 do Sporting).

Só pouco depois da meia hora o Estoril voltou a respirar sem taquicardias. Begraoui entra pela direita e remata, à entrada da área, após Pizzi ter recuperado a bola e lançado o marroquino. O remate deste, porém, foi relativamente frágil e Trubin defendeu sem dificuldade. Até ao intervalo, o Benfica viveu dos rendimentos de três golos e descansou. Meio milagre estava consumado, com classe, mas de Alvalade vinham más notícias: 2-0 para o Sporting.

O segundo tempo começou quase como começara o primeiro: com o Benfica perto do golo. Rafa, logo aos 46’, esteve perto do quarto do Benfica e do seu segundo. Porém, durou pouco, pois o Estoril, mais descontraído e menos pressionado, começou a ter mais bola e a andar mais perto da área de Trubin, ficando o jogo muito mais dividido.

Pedro Amaral (51’) ameaçou, Schjelderup fez o mesmo (54’), mas foi Prestianni (57’) quem mais perto andou do golo, rematando rente ao poste direito de Robles. Até que, aos 59’, surge o momento emocionante do jogo, com Pizzi a deixar o relvado no último jogo da carreira, com os jogadores de ambas as equipas a fazerem uma guarda de honra. Luís Miguel Afonso Fernandes, 36 anos, bem mereceu a homenagem.

Até ao final, enquanto os benfiquistas esperavam boas notícias de Alvalade (que nunca chegariam), o jogo ficou ainda mais partido, sobretudo a partir do momento em que Ian Cathro e José Mourinho começaram a mexer nos onzes: Lacximicant por Peixinho; Prestianni e Rafa por Lukebakio e Leandro Barreiro.

Foram mesmo dois dos que entraram que estiveram perto de marcar: Peixinho (71’ e 73’) e Lukebakio (72’, 74’ e 82’). E Peixinho, aos 90+1’, ainda reduziria para 1-3, com um grande golo, num remate de pé esquerdo, à entrada da área. O Estoril dos primeiros 15 minutos não merecia o golo, mas o da segunda parte mereceu-o.

O apito final de Miguel Correia ditaria o 3.º lugar do Benfica e o 10.º para o Estoril. Os encarnados terminam a Liga sem derrotas, sim; com muitos empates, sim; sem os muitos milhões da Liga dos Campeões, igualmente sim.

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