Mário Gomes 
sabe que a qualificação para o Mundial é difícil, mas acredita ser possível       Fotografia Miguel Nunes/A BOLA
Mário Gomes sabe que a qualificação para o Mundial é difícil, mas acredita ser possível Fotografia Miguel Nunes/A BOLA

Mário Gomes: «Vamos tentar morder!»

Portugal disputa hoje, contra o Egito, o primeiro de dois encontros de preparação antes de enfrentar a Espanha e Geórgia na qualificação para o Mundial-2027. Neemias Queta e Rúben Prey são armas 'escondidas' no esquema tático nos encontros à porta fechada em Istambul

Antes dos expectantes embates ante a Espanha em Saragoça (28 de agosto), e da receção à Geórgia em Matosinhos três dias mais tarde, os quais marcam o arranque da segunda fase de Grupos da qualificação para o Mundial Qatar-2027, a Seleção Nacional realiza, entre hoje e sábado, duas partidas de preparação na Turquia. Primeiro face ao Egito, esta tarde, e depois contra o Líbano. Jogos que terão lugar no pavilhão do Complex Istambul e à porta fechada, sem qualquer transmissão online ou sequer estatística oficial.

Tudo em segredo para que os adversários não possam ver ao pormenor como Portugal irá voltar jogar com Neemias Queta desde o EuroBasket e agora com o retorno de Rúben Prey (U. Saint John’s), os quais integraram a última semana de concentração dos Linces.

«A semana passada foi muito dura, os jogadores fizeram um trabalho extraordinário para aproximarmo-nos o mais possível da forma desportiva, porque estamos em princípio de época», referiu o selecionador Mário Gomes no último apronto, em Lisboa, antes da viagem para a Turquia e instigado a contar como foi o trabalho defensivo e ofensivo para voltar a colocar o valioso poste dos Celtics no esquema tático.

«Esta semana é muito mais para afinar as coisas em termos táticos, porque em termos de carga de treino, como vamos ter dois jogos, essa parte não é preciso estar tão preocupado», conta.

«Mas não é só o Neemias, o Rúben também. Com eles a equipa tem de fazer algumas coisas diferentes», acrescenta.

«Não é mudar muito, mas procurar encontrar a forma de aproveitar aquilo que eles nos podem trazer. Basicamente é isso, nada de muito importante. Podemos adaptar coisas na defesa, aumentando um pouco mais a pressão exterior, porque temos as costas protegidas. Já no ataque temos capacidade para, entre outras coisas, também, tal como as outras equipas, poderemos quando a ocasião se proporcionar, jogar acima do nível do aro, o que hoje em dia é uma coisa importante» completou.

Com dois postes? «Depende... Depende…», responde. «Temos as coisas organizadas de maneira a que possam estar os dois em campo ao mesmo tempo. O Rúben pode jogar a quatro e a cinco. Quando tivermos um quatro mais lançador, vamos mais à procura de certas coisas. Quando contarmos um quatro menos lançador e mais forte perto do cesto, procuraremos outras. Não temos muito tempo para trabalhar, mas eles estão a fazê-lo muito bem, a assimilar as coisas e sinto-me confiante. Vamos ser uma equipa forte, competitiva, à qual vai ser difícil ganhar», diz Mário Gomes que terá seis jogos até março para tentar colocar Portugal (4.º) entre os três primeiros do Grupo I, composto por seis países e onde na zona de apuramento está a Espanha, Ucrânia e Montenegro. E atrás Grécia e Geórgia.

Mas, apenas nestes dois jogos iniciais contará com Neemias e Prey no plantel, depois ambos regressam aos Estados Unidos e só podem voltar à Seleção no próximo verão.

Fotografia Miguel Nunes/A BOLA

«Sou treinador há mais de 50 anos e sei que isso pode acontecer [vencer seleções mais fortes, como aconteceu com a Grécia], não vou estar a hipócrita. Mas o fundamental em qualquer jogo é a cabeça e a maneira como as equipas entram nos encontros e frequentemente depois, durante o jogo, tenta-se mudar o chip e não se consegue, não é? É possível que tenha sucedido».

«Sabemos que a Grécia é por norma mais forte do que nós, mas é um facto que, naquele jogo, fomos mais fortes que eles. Fizemos talvez a melhor exibição defensiva desde que estou com a Seleção Nacional. Tirando talvez o jogo com a República Checa no ano passado, no EuroBasket, temos tido momentos assim, mas defendemos muito bem. Mas acho que a chave do jogo foi o nosso mérito, especialmente em termos defensivos».

Quanto ao facto de Portugal manter-se como um outsider na poule, Gomes concorda. «É uma coisa que transmito aos jogadores: temos que ter noção clara da equipa que somos. Hoje em dia somos uma equipa forte, mas se não estiver no seu melhor, quer do ponto de vista defensivo, quer do ofensivo, quase qualquer um pode ganhar-nos. Temos de ter noção disso. Foi o que aconteceu na Roménia», recorda.

«A qualificação é possível, mas é muito difícil. Diria que continuamos a ser, neste grupo, o underdog, mas um underdog que já mostrou que pode morder. Portanto, vamos tentar morder», concluiu.

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