Da tragédia à comédia, Portugal bate Grécia e mantém sonho do Mundial
A primeira parte foi horrível, o terceiro quarto mudou tudo e até parecia outra peça no berço do teatro, onde, na antiguidade, se alternava praticamente entre a tragédia e a comédia.
E no último ato, ainda com um basquetebol fraquinho — pior ainda o dos anfitriões —, surgiu a confirmação do objetivo sem ter de esperar pelo desfecho do Montenegro-Roménia. O melhor aconteceu mesmo antes do apito final, com Diogo Brito a marcar ainda um triplo com apenas dois segundos no cronómetro.
Com uma vitória ante a Grécia por 56-71 (15-19, 8-9, 19-25 e 14-18) na sexta e última jornada do Grupo B, Portugal garantiu a passagem à segunda fase de qualificação para o Mundial do Qatar 2027, levando 6 pontos de três vitórias
Pelo meio, registaram-se mais dois feitos dos Linces: chegar a uma fase de apuramento que nunca antes haviam atingido e obter o primeiro triunfo de sempre sobre os gregos, terceiros classificados no EuroBasket 2025, sétimos do ranking europeu e 12.º mundial, mas muito desfalcados nesta fase final de qualificação. Só que está quem está, e o resto fica para a história.
Quem, por acaso, tenha tido a sorte de apenas acompanhar pela televisão o confronto na Sunel Arena, pavilhão do AEK, a partir do segundo tempo, não perdeu praticamente nada. Nem sequer aquele ambiente escaldante, por vezes até intimidador, do público helénico no basquetebol; ele simplesmente não existiu.
O único senão terá sido não ter assistido a Diogo Brito (9 res, 2 ass, 2 rbl, 1 dsl) registar nove dos seus 17 pontos para ajudar o conjunto liderado por Mário Gomes a só ceder o comando uma única vez (7-6) — depois de ter começado a ganhar por 0-6 até aos 4,09 minutos — e a só permitir duas igualdades (13-13, 21-21).
De resto, os Linces voltaram a arriscar muito nas suas ambições com más decisões no ataque e fracas percentagens de lançamento: 35% (7/20) em lançamentos de dois pontos e 15,3% (2/13) nos triplos. Safavam-se os lances livres (80%, 8/10) e o aproveitamento de cestos após turnovers (4-10), assim como o domínio na luta das tabelas com 19 ressaltos (3 ofensivos) contra 27 (7 ofensivos), superioridade que se manteve até ao final (35-47).
Fez bem à Seleção a ida ao balneário (23-28). Regressou outra equipa, mais assertiva e com gente capaz de ajudar Diogo Brito.
Com um parcial de 5-13 (30-41), que terminou com uma sequência de 0-9, primeiro Travante Williams (15 pts, 8 res, 3 ass, 1 dsl) e depois Rafael Lisboa (16 pts, 2 res, 5 ass) — cada um converteu oito pontos no período —, Portugal dilatou a diferença para a casa das dezenas. A equipa passou a controlar o ritmo e a minimizar o perigo de faltas dos postes.
O arranque do quarto período, com novo parcial de 0-9 (42-62), logrou alcançar a maior diferença na partida e trouxe uma margem de segurança quando a equipa voltou a cometer passes arriscados (13 turnovers) e lançamentos sem jogadas bem trabalhadas e gestão de tempo; enquanto isso, a Grécia — onde só Elijah Mitrou-Long (11 pts, 5 res, 4 ass) e Vasileios Toliopoulos (10 pts, 2 res) chegaram às dezenas de pontos — reduzia o fosso para 56-66 a 1,34 minutos do fim.
Mais foi tudo o que conseguiu e, uma vez mais, os Linces terminaram a celebrar com alegria no court. Vão ter agora a oportunidade de continuar a sonhar com o Qatar 2027. Espera-se que sem grandes tragédias.
Para o agrupamento de Portugal na segunda fase, seguem também Espanha (parte com 11 pontos), Ucrânia (10) e Geórgia (9), com os primeiros jogos agendados para 28 e 31 de agosto e a esperança que Neemias Queta possa ajudar antes de começar a temporada da NBA.