Neemias Queta: «Vai haver picardias com o Hugo González»
«Tem sido uma semana muito boa, temos vindo a trabalhar imenso. Contamos com um grupo bastante consistente em termos de rotações, o que ajuda ao entrosamento dentro de campo. Será isso que nos irá dar maiores chances de chegar ao objetivo», assegurou Neemias Queta, após o último treino da Seleção no Pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa, antes da partida para Istambul.
Na capital turca, a Seleção defrontará o Egito, amanhã, e o Líbano, sábado, em dois particulares que servem de preparação para o par de difíceis embates que se seguem no arranque da segunda fase de grupos de qualificação para o Mundial do Qatar-2027. Primeiro contra Espanha em Saragoça (28 de agosto), e recebendo a Geórgia em Matosinhos, três dias mais tarde.
Devido ao facto de, em novembro, quando os Linces voltarem a efetuar mais duas partidas de qualificação, já estar a decorrer a época regular da NBA, Neemias apenas poderá disputar estes dois jogos por Portugal, o que não acontecia desde o EuroBasket-2025. O mesmo acontece com Rúben Prey, que, por estar na Universidade de St. John’s em Nova Iorque, também não poderá tornar a dar o seu contributo — ele que há dois anos não integrava a Seleção principal.
O Rúben tem estado muito bem nos treinos. Tem sido um dos jogadores que tem mais corpulência física e tem evoluído desde a última vez que o vi. Acho que tem um futuro brilhante
Queta só tem elogios para Prey, sobre o qual se espera que, dentro de um ano, seja o próximo português a seguir-lhe as pisadas na NBA. Questionado sobre como tem sido a ligação entre os dois, o poste dos Celtics nem precisa de pensar muito: «Tem sido boa. A maior parte das vezes estamos em equipas diferentes, mas quando estamos na mesma temos um bom conhecimento do jogo um do outro e conseguimos complementarmo-nos muito bem», completa, sem responder ao desafio sobre se o tem apadrinhado.
«O Rúben tem estado muito bem nos treinos. Tem sido um dos jogadores que tem mais corpulência física e tem evoluído desde a última vez que o vi. Acho que tem um futuro brilhante», analisa Neemy.
Ter vindo jogar o EuroBasket é capaz de me ter galvanizado para ter a época que tive. E espero que esta janela de verão possa também trazer uma boa temporada na NBA.
Na última ocasião em que Queta atuou por Portugal, ainda era um dos suplentes na rotação de postes de Boston. Desde então, tornou-se a principal aposta de Joe Mazzulla, tendo atuado no cinco inicial em 75 dos 76 encontros da época regular e em seis dos sete do play-off. Como é que essa responsabilidade se traduz na Seleção? «Penso que começou já no ano passado, a ter um papel mais preponderante na equipa. Ter vindo jogar o EuroBasket é capaz de me ter galvanizado para ter a época que tive. E espero que esta janela de verão possa também trazer uma boa temporada na NBA. Mas, primeiro, quero focar-me na Seleção.»
O Hugo é um jogador bastante versátil: defende, lança, sabe passar a bola, sabe driblar… Vai trazer-nos algumas dificuldades.
Depois de ter terminado o seu campo de treinos para miúdos em Portugal, regressou a Boston para treinar. Hugo González [colega de equipa e jogador de Espanha] também lá estava? «Esteve por um dia, mas não o vi», responde.
Irá defrontar um colega de equipa e como vai ser? Haverá umas picardias especiais? «Vai ser um bom encontro, um encontro bem conseguido. O Hugo é um jogador bastante versátil: defende, lança, sabe passar a bola, sabe driblar… Vai trazer-nos algumas dificuldades, mas conheço-o e consigo dar dicas aos meus colegas sobre o que ele é capaz. Mas, obviamente, haverá picardia, acima de tudo na desportiva».
Acima de tudo, temos confiança no nosso trabalho, nas nossas qualidades. Vamos ao jogo, deixamos a bola rolar e, a partir daí, estamos prontos para isso
Já esta Espanha será algo diferente daquela que defrontaram há pouco mais de um ano. Na altura tinha dois jogadores na NBA e, para a época que vem, arrisca-se a ter quatro ou cinco. O que espera? «Trata-se de uma equipa bastante completa. Bastantes jogadores jogam na NBA e outros na Euroliga ao mais alto nível. Depois a liga espanhola [ACB] é capaz de ser das melhores do mundo. Só o nome fala por si. Mas, acima de tudo, temos confiança no nosso trabalho, nas nossas qualidades. Vamos ao jogo, deixamos a bola rolar e, a partir daí, estamos prontos para isso», completa Queta.
Mas pensa que o facto de o encontro ser ainda numa fase de pré-época aproxima ainda mais as coisas? Que Portugal terá mais hipóteses de vencer estes dois jogos face à qualidade dos adversários? «Janeiro, fevereiro… dezembro, às 8h da noite, 7h da manhã… é tudo igual. O que interessa é que começa zero a zero. O que fazes dentro de campo nesses 40 minutos é que interessa para ganhar. A partir daí é deixar que as fichas caiam», comenta.
Antes de fazer a sua análise às partidas que se seguem, o selecionador Mário Gomes queixou-se das condições que tiveram para treinar. Nos últimos anos, Neemias teve o privilégio de atuar numa liga onde não há treino que não seja com ar condicionado, nem pavilhões sem condições. Ficou surpreso por, ao regressar à Seleção, ter treinos com sauna incluída? «Não, não…»
É basquetebol, faz parte. Por vezes os campos são mais frios, outros mais quentes, não interessa. Ninguém dá desculpas a ninguém
«Não fiquei porque já conheço a realidade de Portugal, não é? Mas não acho que seja assim tão, tão diferente. Primeiro porque cresci cá, já estive habituado a treinar em pavilhões mais quentes do que este. Se calhar foi um choque inicialmente por não estar habituado, mas à medida que vamos treinando começas a adaptar-te. É basquetebol, faz parte. Por vezes os campos são mais frios, outros mais quentes, não interessa. Ninguém dá desculpas a ninguém», diz, desvalorizando a elevada temperatura que se fazia sentir.
É um estilo de jogo [jogar com dois postes] que traz outras vertentes: consegues ressaltar muito bem, atacar mismatches, proteger o pintado… É um estilo de jogo de que gosto e no qual me sinto confortável.
Mário Gomes não afastou a hipótese de jogar apostando em dois postes, colocando alguém ao lado de Neemias. O que pensa? «Sempre joguei com dois postes, desde jovem. Fi-lo na universidade [Utah State], no Benfica, no Barreirense, na Seleção, nos Sacramento Kings, em Boston também… É um estilo de jogo que traz outras vertentes: consegues ressaltar muito bem, atacar mismatches, proteger o pintado… É um estilo de jogo de que gosto e no qual me sinto confortável», garantiu.
Penso que [Joe Mazzulla] a coisa que mais mais gostou foi a comida... Veio sozinho, mas disse para o ano vem com a mulher e com os filhos.
Em junho, enquanto decorriam os Finals da NBA e a final da Liga Betclic, Neemias teve oportunidade de dar a conhecer um pouco de Lisboa, do Benfica e onde cresceu e jogou no Barreiro ao treinador dos Celtics Joe Mazzulla. O que é que ele partilhou também consigo daquilo que pôde ver em Portugal e do basquetebol português? «Acho que gostou do que viu. Disse que tem pessoas que conseguem chegar lá se se quiserem trabalhar a sério. E acho que gostou imenso de Portugal. Penso que a coisa que mais mais gostou foi a comida. Foi um bom tempo. Veio sozinho, mas disse para o ano vem com a mulher e com os filhos. Vamos recebe-los de braços abertos» revelou.
Quanto às expectativas para esta próxima temporada nos Celtics, Neemias Queta conta que voltem a «ser competitivos outra vez». «Já se começou a dizer, oura vez, que os outros é que são bons e que nós não temos qualidade. Mas acho que com o grupo que nós temos e as pessoas que a gente tem no balneário? E o nosso treinador?
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