Início de uma era: Jorge Jesus joga para ganhar e Portugal sorri
Jorge Jesus teve um início exuberante à frente da Seleção de Portugal. Melhor do que o próprio imaginava, como admitiu este domingo, com quatro vitórias em quatro jogos, com destaque para aquelas na Dinamarca (4-2) e na Noruega (2-1). Além do apuramento para os quartos de final da Liga das Nações, a equipa não deixou que o caso Ronaldo afetasse a performance coletiva.
«A vitória na Dinamarca encheu-me de orgulho como treinador, mas também posso dizer que quando acabou o jogo, fiquei muito feliz, mas podia estar mais feliz», disse Jesus. Palavras que denotam que nem tudo estava bem.
O assunto Cristiano Ronaldo será resolvido em breve, segundo o selecionador e Pedro Proença. Mas, para já, importa olhar para a forma como Portugal venceu e convenceu nestas partidas, que não deixam de dar boas perspetivas para o futuro.
Mesmos jogadores, ideias diferentes
Os jogadores que Jorge Jesus mais utilizou nesta fase não diferem dos que Roberto Martínez priorizou no Mundial 2026 (exceptuando Ronaldo, claro). JJ alterou o 4x2x3x1, com dois extremos que jogam colados à ala, que Martínez utilizou, e colocou a equipa num 4x1x3x2 assimétrico, com muitas mudanças do meio-campo para frente de jogadores e nos respetivos papéis.
A ligação entre João Félix e Gonçalo Ramos é de enaltecer. Ambos marcaram três golos nestes quatro jogos e ainda fizera uma assistência cada. Félix marcou o único golo português com o País de Gales, selou a vitória na Dinamarca e assistiu Ramos para o golo decisivo no Dragão; o avançado do Milan esteve endiabrado em Copenhaga, depois de também já ter marcado na Noruega. A dupla formada no Seixal deixa água na boca para o futuro.
Bruno Fernandes também se destacou em diferentes momentos, tanto no espaço centro-esquerda como no centro-direita. As duas assistências com a Dinamarca foram o grande destaque e Jorge Jesus deposita muita confiança no jogador que lançou no Sporting, precisamente por poder jogar em diferentes posições, além de também ter assumido a braçadeira de capitão na ausência de Ronaldo.
João Neves e Bernardo Silva mais desaparecidos
No meio-campo, João Palhinha ou Rúben Neves têm assumido o papel mais recuado, mas igualmente ativo e agressivo na pressão sem bola. Vitinha também se tem mostrado, jogando mais adiantado no terreno. João Neves é que tem sido pouco utilizado: não saiu do banco no Dragão, após somente um jogo a titular (em Oslo) e 65 minutos espalhados por três encontros.
Mas mais desaparecido esteve Bernardo Silva: só participou em dois jogos. Fez nove minutos em Copenhaga e 10 no Dragão. De momento, nem parece ser uma segunda opção imediata para JJ, isto num início de época em que ainda não se afirmou no Real Madrid.
Solidez e consistência defensiva
Diogo Costa, João Cancelo, Rúben Dias, Renato Veiga e Nuno Mendes: está encontrada a linha defensiva predileta de Jesus, que foi titular em todos os quatro jogos. O treinador mostrou valorizar a liderança do jogador do Manchester City e a força física do do Villarreal (o facto de ser canhoto também auxilia na construção desde trás).
Depois, há os laterais. Preponderantes para darem largura ao ataque, para que os jogadores de ataque pisem terrenos interiores (nomeadamente Pedro Neto ou Francisco Conceição, na direita). Cancelo marcou dois golos e Nuno Mendes fez duas assistências. Note-se, assim que com Jorge Jesus, tirando os centrais e Diogo Costa, todos os jogadores da equipa aproximam-se facilmente da área adversária. É mesmo uma equipa que joga para ganhar.
No entanto, há um aspeto a melhorar: Portugal sofreu quatro golos nestes quatro jogos. A forte produção ofensiva foi suficiente para ultrapassar esse défice, mas é algo a ter em conta, sobretudo, quando Portugal enfrentar as maiores seleções da Europa e do Mundo.
Estatísticas de destaque
Portugal tem o terceiro melhor ataque da Liga das Nações, com nove golos marcados — Espanha (10 e Inglaterra (11) estão na frente. A equipa das quinas fez 18,5 remates por jogo, valor que, na Liga A, só é superado por Países Baixos (22) e Alemanha (19,8).
São mesmo as análises atacantes que mais se destacam, Às quais se junta um dado interessante: Portugal só teve, em média, 51% da posse de bola por jogo. Não precisou muito dela para criar perigo às equipas adversárias, sendo sim uma equipa objetiva e que, como a generalidade dos jogadores tem afirmado, assimilou rapidamente as ideias do novo treinador.