Internacional português mudou-se para os EUA em 2024 e está a colher os frutos da aposta

Rúben Prey: «Chegar à NBA é o sonho, este vai ser o ano»

De regresso à Seleção após dois anos de ausência, ninguém poupa elogios ao poste da Universidade de St. John's e à sua notória evolução. Vê Neemias como um exemplo e esta temporada importante para atingir a meta ambicionada

«O Rúben tem estado muito bem nos treinos. Tem sido um dos jogadores que tem mais corpulência física e tem evoluído desde a última vez que o vi. Acho que tem um futuro brilhante», comentou Neemias Queta quando instigado a falar sobre o jovem poste da Universidade de St. John’s, em Nova Iorque, que, tal como o campeão dos Celtics, optou pelo percurso universitário na NCAA para tentar entrar na NBA. O que acontecerá, provavelmente, no draft de 2027, em junho.

Miguel Queiroz também não escondeu a diferença que é ter o jovem poste de 21 anos ao lado de Neemy: «Criam uma presença física muito grande, é difícil para as outras equipas acabarem perto do cesto com eles em campo. A nível de ressalto também nos ajuda bastante e, no ataque, há os bloqueios grandes de ambos, ressaltos ofensivos… São jogadores diferenciados, mas acredito que vão trazer muito à Seleção e serão uma ajuda para o excelente trabalho que a equipa está a fazer», vai analisando Queiroz, antes de falar sobre como é estar novamente a treinar com Rúben na Seleção, passados dois anos.

O Rúben e penso que fisicamente está maior. Ganhou alguns quilos — na altura era um bocadinho magrinho —, mexe-se muito bem (é um animal!), corre muito bem o campo, vai ao ressalto ofensivo e encontra-se a lançar um pouco melhor - Miguel Queiroz

Miguel Queiroz, capitão da seleção Fotografia Miguel Nunes/A BOLA

«Sempre que posso tenho acompanhado o Rúben e penso que fisicamente está maior. Ganhou alguns quilos — na altura era um bocadinho magrinho —, mexe-se muito bem (é um animal!), corre muito bem o campo, vai ao ressalto ofensivo e encontra-se a lançar um pouco melhor. A evolução é grande e está a dominar estas primeiras duas semanas, sem dúvida», acaba por reforçar o capitão dos Linces.

Só faltava mesmo confrontar Prey com estes e outros elogios. Não houve ninguém que os poupasse neste regresso à Seleção — não apenas pela presença, mas pela forma como se encontra física e tecnicamente, além do nível do lançamento exterior.

Por isso, a questão era simples: Sente essa diferença desde a última vez que veio e contra quem treina? E como sente este regresso ao mais alto nível? «É sempre um grande orgulho poder vir aqui treinar, desfrutar com a malta toda, poder disputar esta competição de qualificação para o Mundial e preparar-me para dar o meu melhor», começa por responder.

Também sinto que melhorei tecnicamente o meu jogo interior. Desde a última vez que estive cá, em 2024, pesava 95 kg, agora peso 105 kg

Rúben Prey Fotografia Miguel Nunes/A BOLA

Já face aos rasgados elogios de colegas e selecionador, Rúben concorda: «Também sinto que melhorei tecnicamente o meu jogo interior. Desde a última vez que estive cá, em 2024, pesava 95 kg, agora peso 105 kg», revela o poste de 2,08 m. «Fisicamente também ganhei algum músculo e isso nota-se dentro de campo. Além do mais, a malta entende já melhor como jogar comigo», completa.

Anível ofensivo, é entender que também sou um bom jogador a poste baixo e que posso trocar [defensivamente], fazer rotações defensivas porque sinto que sou ágil.

E como é entender melhor como jogar consigo? Do que é que gosta que procurem, para que possa ajudar a Seleção, tanto a nível defensivo como ofensivo? «Por exemplo, a nível ofensivo, é entender que também sou um bom jogador a poste baixo e que posso trocar [defensivamente], fazer rotações defensivas porque sinto que sou ágil. Ainda estamos a aprimorar isso, mas acredito que contra a Espanha já vá estar no máximo», refere.

Chegar à NBA não é fácil, é um sonho. Tens de sonhar e depois é trabalhar para consegui-lo. Para mim, este ano vai ser muito importante, vai ser o de tentar entrar para a NBA

E sente que esta também é uma geração que se está a aprimorar para conquistar coisas que nunca foram alcançadas no basquetebol português [Portugal nunca havia chegado a esta fase da qualificação para um Mundial]? «Acho que sim. Por exemplo, quando treinamos, todos puxamos pelo nível uns dos outros. Acredito que quando voltar para St. John’s, em setembro, já serei um melhor jogador do que quando cheguei em agosto, e isso é muito importante para elevar o nível do basquetebol português», considera.

Quanto a Neemias, considera-o «um grande exemplo»: «É o exemplo a seguir para todos os portugueses. Dedicação e muito trabalho. Chegar à NBA não é fácil, é um sonho. Tens de sonhar e depois é trabalhar para consegui-lo. Para mim, este ano vai ser muito importante, vai ser o de tentar entrar para a NBA», não esconde quanto à ambição.

É motivacional defrontar quem joga na melhor liga do mundo? «É muito motivacional e para mim será mais um teste. Vou estar a jogar contra os jogadores da NBA e da Euroliga

Quando Rúben Prey foi para St. John’s, a aposta foi precisamente essa: ser esse o caminho para chegar à NBA, em vez de estar no basquetebol europeu. Agora, contra Espanha e a Geórgia, Prey não só vai ter a oportunidade de atuar com um basquetebolista da NBA [Neemias] — o que é proibido pelas regras da NCAA e da NBA —, mas também contra espanhóis e georgianos que estão na NBA.

O que é que isso significa para alguém que quer lá chegar? É motivacional defrontar quem joga na melhor liga do mundo? «É muito motivacional e para mim será mais um teste. Vou estar a jogar contra os jogadores da NBA e da Euroliga, que também é uma liga com muito talento, e é igualmente um teste para ver onde é que está o meu nível e o de Portugal.»

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