Marinho com a Taça de Portugal, o herói da Brisa em 2012 - Foto: A BOLA
Marinho com a Taça de Portugal, o herói da Brisa em 2012 - Foto: A BOLA

Marinho: «Marcou a minha carreira, foi o ponto mais alto»

Formado no Sporting, foi o autor do golo que valeu a Taça de Portugal à Académica, em 2011/2012. Passados 14 anos tem o lance vivo na memória

20 de maio é uma data que Marinho festeja há 14 anos. Foi o dia que, em 2012, escreveu a letras de ouro página de história na Taça de Portugal. No Jamor, a Académica ombreou com o Sporting e conseguiu, 73 anos depois, conquistar o segundo troféu da prova rainha para a equipa de Coimbra. Marinho, autor do golo da vitória, ficou eternizado como o herói da Briosa.

«É fácil falar sobre essa tarde, sobre esse jogo, sobre esse momento. Na realidade, marcou a minha carreira, foi o ponto mais alto. Foi quase como tocar o céu. Embora não fôssemos os favoritos, éramos uma equipa de Liga, mas sabíamos que as nossas vantagens eram baixas, em comparação com a equipa do Sporting, pelo historial e conquistas. É uma recordação que já começa a ter contornos de nostalgia. Apesar de não ser um aniversário, cada 20 de maio é uma data sempre lembrada com muito carinho, é sempre um dia muito especial», confidenciou a A BOLA.

Ficou atravessado

Curiosamente, o momento alto da carreira valeu-lhe rótulo de traidor junto dos sportinguistas, tendo em conta que Marinho fez parte da formação dos leões. Passada mais de uma década, o antigo jogador diz que o perdão já aconteceu, mas durante muitos anos sentiu que os adeptos ficaram com ele 'atravessado'.

«No fundo, acho que foi algo normal, é a finalidade do futebol, do clubismo. Mas, acho que já passou, sou presença assídua em Alvalade e na Academia porque os meus dois filhos jogam no Sporting [Duarte Tomás, nos sub-23, e Dinis Tomás, nos sub-15] e não sei se me desculparam ou não, mas estão habituados à minha presença», sublinhou.

«Inglório para o Torreense»

No próximo domingo o Sporting volta a marcar presença na final da Taça de Portugal, diante do Torreense, da Liga 2, que, na opinião de Marinho, acabará por não desfrutar totalmente da magia do Jamor.

«É injusto para o Torreense jogar uma final da taça no meio de um play-off a decorrer e, muito sinceramente, acho que se a percentagem do Torreense já era inferior, fica ainda mais reduzida, porque estão envolvidos na principal luta da época, que é a subida de divisão, e a final da taça seria sempre um prémio, a emoção de um jogo, aproveitar o dia, e viver o momento, a experiência. Obviamente que vão querer levantar o caneco, mas claramente com desgaste físico e emocional de um play-off, de estar perto de uma subida de divisão, acaba por complicar esse dia e até perder o brilho, com o Sporting a ter total responsabilidade e até, diria, obrigação de vencer o jogo», justificou.

«Marcámos cedo e tivemos de sofrer bastante até ao apito final»

É certo que já se passaram 14 anos desde o golo que marcou no Jamor, que valeu o troféu para a Académica, mas o momento foi tão especial que Marinho não esconde que o lance do golo continua bem vivo na memória, como se o tivesse marcado ontem.

Eis o momento do golo de Marinho, com Rui Patrício na baliza - Foto: A BOLA

«Até porque deve ter sido o golo que mais vi em toda a vida [risos]. Foi um golo que aconteceu muito cedo [quatro minutos], que nos deu um troféu, é certo, mas que nos fez sofrer muito durante quase 90 minutos. Aliás, recordo-me perfeitamente que as bancadas ainda nem estavam completa, havia muita gente a entrar no estádio naquele momento. Foi um golo muito especial, muito desejado, foi mesmo esse foi o momento da minha carreira», confessou.

Desafiado a relatar o lance, Marinho não hesitou: «O Adrien recuperou a bola, jogou no David Simão, que meteu na esquerda no Diogo Valente. Depois o Diogo fez aquilo que tantas e tantas vezes fazia e que eu aproveitava muito bem, acho que [risos]. Sabia que a bola ia cair ali, mais ou menos naquela zona, já tinha acontecido mais vezes, e não foi uma surpresa a bola aparecer ali, eu fiz o que tinha de fazer naquele momento, que foi empurrar a bola para a baliza, e consegui chegar ao golo. O Rui [Patrício, guarda-redes do Sporting] estava ali com um papel difícil, a baliza estava aberta e lembro-me perfeitamente de, naquele momento, parecer que estava a ver as coisas em câmara lenta, e conseguir perfeitamente ver e escolher o sítio para onde tinha de cabecear.»

Depois, a equipa orientada por Pedro Emanuel teve de aguentar as investidas de Wolfswinkel, Capel e companhia.

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