Pedro Canoa, de 48 anos, é agora agente de jogadores - Foto: D. R.
Pedro Canoa, de 48 anos, é agora agente de jogadores - Foto: D. R.

«Torreense ganhar no Jamor seria mudança de paradigma»

Pedro Canoa jogou de leão ao peito durante uma década, na formação, e ao serviço do clube do Oeste foi capitão, adjunto e dirigente. Coração dividido na Taça de Portugal, com especial carinho pelo clube da Liga 2

Pedro Nuno da Silva Canoa, nascido a 14 de setembro de 1977 , em Torres Vedras, no seio de uma família benfiquista, escolheu o Sporting para cumprir formação depois de ter começado a dar os primeiros passos no Lourinhanense.

Na década de 90 as oportunidades para os jovens leões chegarem à equipa principal não se assemelhavam às de agora, tendo -se afirmado como sénior ao serviço do Torreense. Em vésperas da final da Taça de Portugal, não esconde que o coração está dividido, mas, em declarações exclusivas a A BOLA, revela quem gostaria de ver subir as escadarias do Jamor.

«Passei dez anos no Sporting e catorze no Torreense. É difícil, são dois clubes que me dizem muito, em diferentes alturas da carreira, mas, sinceramente, gostava de ver o Torreense ganhar no Jamor, seria uma mudança de paradigma do futebol português, que as equipas de ligas inferiores podem chegar a uma final e até ganhar, como acontece em Inglaterra. Sabemos que os recursos são diferentes nos vários níveis competitivos mas acho que era uma imagem boa para Portugal, o Torreense, da Liga 2, ganhar a Taça de Portugal», diz.

Canoa com o guarda-redes Nuno Santos no Sporting - Foto: D. R.

Recuando no tempo, Canoa recorda a chegada ao Sporting, com 13 anos: «Fui várias vezes observado pelo senhor Aurélio Pereira no Lourinhanense, estava um bocado escondido no limite do distrito de Lisboa, também tinha um convite do Benfica, mas optei pelo Sporting, pelos valores do clube e pela forma como foi tratado todo o processo. Cumpri lá a formação, fui campeão nacional de iniciados logo no primeiro ano e fui internacional jovem até aos sub-18.»

Canoa, o primeiro à esquerda na fila de baixo, numa equipa de formação do Sporting - Foto: D. R.

Não chegou à equipa principal dos leões, onde tinha como referências Figo, Peixe, Paulo Torres, Filipe, Marinho, Oeano, Paulo Sousa, mas o Sporting marcou-o: «Quando cheguei o treinador da equipa sénior era o Marinho Peres, não havia tanto espaço para jovens da formação, eram mais valorizados os jogadores com experiência do que propriamente um jogador de 18 anos com qualidade. Além de que não havia tanto esta vertente negocial, apenas existiam dois empresários, o Manuel Barbosa e o José Veiga, o Jorge Mendes veio depois.»

Depois do Lourinhanense, então clube satélite do Sporting, deu início à carreira sénior, que teve auge no Torreense, depois de ter passado por Espanha. Agora, não esconde a emoção de ver, 70 anos depois, a equipa azul-grená repetir presença na final da Taça de Portugal.

Canoa vingou no Torreense, clube da cidade onde nasceu - Foto: D. R.

«O Torreense sempre teve, mesmo quando eu jogava, história em jogos da Taça. É um clube que nesta competição sempre fez coisas diferentes. Lembro-me que ganhámos ao Gil Vicente, já no final da minha carreira, o Toni Pereira era o treinador, também jogava o Marçal [saiu de Torres Vedras para o Nacional, seguindo-se Lyon, Wolverhampton e Botafogo], ao Rio Ave e depois perdemos com o Moreirense. E há ainda a inesquecível vitória no Dragão. O Torreense sempre fez boa figura na Taça de Portugal», realça Pedro Canoa.

«No fundo, gostava que o Torreense fizesse história, o Sporting já tem muitas taças [risos], seria interessante até a nível de mentalidade de que são sempre os grandes é que ganham e que estão nos grandes momentos e nos grandes palcos», finaliza.

Dos relvados para os gabinetes

12 de novembro de 2012. «É data que nunca esqueço. Um dia depois de ter sido considerado o melhor em campo diante do Mafra, o presidente Joaquim Carlos convidou-me para ser diretor desportivo, foi um choque, mas já tinha 35 anos, sabia que não ia jogar mais dez. Foi muito intenso, mas uma grande aprendizagem, sempre quis dar um cariz formativo ao clube, apostar em jogadores da formação e da região Oeste, onde há muita qualidade. Sinto que contribuí para tirar o clube da zona de conforto e torná-lo apetecível», sublinha.

Seguiu depois para funções similares no Amora e Cova da Piedade e, atualmente, Canoa é agente de jogadores: «Represento uma empresa de Madrid, a PH Sport, que tem como objetivo captar talentos e apostar neles, principalmente jogadores sub-23. Temos vários atletas nos campeonatos profissionais em Portugal e em Espanha. É uma vertente de diretor desportivo, onde aplico toda a experiência que acumulei no futebol para aconselhar jovens talentos.»

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