Mainz perde batalha judicial contra El Ghazi e enfrenta pagamento milionário
O Mainz, emblema da Bundesliga, sofreu mais uma derrota na sua disputa legal contra Anwar El Ghazi. O Tribunal Federal do Trabalho em Erfurt rejeitou o recurso do clube, que tentava evitar um pagamento milionário ao jogador, despedido em novembro de 2023 por partilhar publicações consideradas «anti-israelitas».
A decisão do tribunal, que considerou o recurso dos alemães «inadmissível», confirma que o clube terá de pagar 1,5 milhões de euros ao extremo neerlandês, valor já determinado nas duas primeiras instâncias judiciais.
O caso, porém, pode não ficar por aqui. O atacante de 30 anos, que atualmente representa os qataris do Al Sailiya SC, pretende ainda reclamar uma indemnização adicional de 1,2 milhões de euros no Tribunal do Trabalho de Mainz. Caso este processo também seja desfavorável ao clube, o custo total da disputa poderá ascender a cerca de €2,7 M.
Stefan Hofmann, presidente do atual 11.º classificado do campeonato germânico, confirmou a receção da decisão e defendeu a estratégia do clube. «Não queríamos deixar nada por tentar e esgotar todos os recursos legais. Independentemente da avaliação jurídica, foi a decisão correta e sem alternativa recorrer, mesmo que as perspetivas de sucesso não fossem altas», afirmou, acrescentando que «a posição fundamental sobre o assunto não muda».
Por sua vez, o advogado de El Ghazi, Alexander Bergweiler, manifestou a sua satisfação com o desfecho. «Estamos totalmente satisfeitos com a decisão. Agora, o processo de indemnização continua. Sentimo-nos totalmente fortalecidos», declarou.
Recorde-se que o conflito ganhou maiores proporções após uma publicação do atleta a 1 de novembro de 2023. Nessa publicação, o jogador desmentiu um comunicado de imprensa do Mainz, que afirmava que o próprio se tinha distanciado de atos terroristas, como o do Hamas a 7 de outubro de 2023, e que não questionava o direito de existência de Israel. Dias depois, o jogador publicou uma mensagem onde afirmava não se arrepender de nada, o que levou ao seu despedimento sem justa causa.
No entanto, o juiz do Tribunal Regional do Trabalho, Andreas Budroweit, considerou que a reação do jogador não justificava o despedimento. «Na nossa opinião, o queixoso não justificou nem apoiou o ataque da organização terrorista Hamas e da Jihad Islâmica Palestiniana ao Estado de Israel, nem negou o direito de existência do Estado de Israel na publicação de 1 de novembro de 2023», explicou o magistrado.
Uma publicação anterior, que continha um slogan controverso sobre a Palestina, já não foi considerada relevante no processo, uma vez que o clube tinha optado por uma advertência em vez de um despedimento imediato, após o jogador se ter mostrado arrependido numa conversa interna. O tribunal não aceitou o argumento do clube de que a publicação posterior de El Ghazi quebrou o consenso alcançado.
Artigos Relacionados: