Lille em rota de colisão com a federação congolesa por causa de ex-FC Porto
Olivier Létang, presidente do Lille, manifestou «profundo descontentamento» com a ausência de Chancel Mbemba, que permanece ao serviço da seleção da RD Congo apesar dos compromissos do clube, nomeadamente o dérbi do Norte de França contra o Lens, agendado para este sábado.
A polémica surgiu após a seleção africana garantir um histórico apuramento para o Mundial 2026, o primeiro em 52 anos, ao vencer a Jamaica por 1-0 no play-off de terça-feira. Na sequência do feito, o capitão dos congoleses, que vestiu a camisola do FC Porto ao longo de quatro épocas (de 2018 a 2022), terá viajado para o seu país para participar nas celebrações oficiais organizadas pela presidência da república, uma decisão que enfureceu a direção dos dogues.
Enquanto o treinador Bruno Genesio prepara o importante jogo no Stade Pierre-Mauroy com quase todo o plantel disponível, a ausência do central é notória. Ngal’ayel Mukau, seu compatriota, já regressou ao centro de treinos do clube, mas o defesa que chegou ao Lille esta temporada (leva 20 jogos) continua ausente.
Olivier Létang acusa a federação congolesa de desrespeitar as normas internacionais. «A federação congolesa decidiu de forma unilateral bloquear os jogadores até segunda-feira, quando os regulamentos da FIFA são claros: os jogadores devem regressar aos seus clubes 48 horas após o jogo», afirmou o presidente do Lille, sublinhando que Mbemba «deveria ter chegado a Lille na quinta-feira ao final da tarde».
O caso já foi encaminhado para as instâncias competentes, com o clube gaulês a tomar medidas formais. «O processo já está nas mãos da comissão de disciplina da FIFA, pois isto abre uma jurisprudência muito perigosa para todos os clubes, que pagam os salários dos jogadores», acrescentou Létang. «As instâncias estão muito atentas e também já escreveram à federação congolesa».
O dirigente revelou ainda que o emblema da Ligue 1 estava disposto a conceder uma dispensa de dois a três dias a Chancel Mbemba, mas apenas após o dérbi contra o Lens. O defesa, que esta época já participou em 20 jogos em todas as competições, vê-se agora no centro de um conflito institucional.
Recorde-se que a seleção da RD Congo vai medir forças com Portugal no Mundial, estando inserida no grupo K juntamente, ainda, com Uzbequistão e Colômbia.
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