Salvação de uns, esperança de outros (crónica)
A festa da permanência conheceu este sábado novo protagonista, o Arouca, que à boleia de um empate (2-2) em casa com o Santa Clara garantiu que a época 2026/2027 vai ser no principal escalão do futebol português. A festa ficou beliscada pela fuga dos três pontos ao cair do pano, que devolveu o sorriso ao emblema de Ponta Delgada — a equipa açoriana ainda não está a salvo, mas deu passo importante rumo ao mesmo objetivo, com duas jornadas por disputar.
O conjunto de Vasco Seabra entrou melhor no encontro e aos 8 minutos já festejava: Kuipers trocou as voltas a Frederico Venâncio, cruzou para a área e, após disparo de Tiago Esgaio, Hyunju desviou para o fundo das redes (8').
A festa amarela pouco durou, graças a uma reação supersónica do Santa Clara, que devolveu a igualdade ao marcador num cabeceamento de Gabriel Silva, um par de minutos depois. O avançado brasileiro quase festejou em dose dupla, mas o golo aos 36' foi anulado por fora de jogo de Klismahn.
Sem mais notas dignas de registo junto às balizas até final da primeira parte, entraram em cena os treinadores, pelos piores motivos, com Petit — que cumpria o 300.º jogo na Liga — e Vasco Seabra a receberem ordem de expulsão antes do intervalo, na sequência de um desentendimento.
No segundo tempo, os lobos voltaram à carga e só não voltaram a marcar graças a Gabriel Batista, que secou Van Ee (57'). Na outra baliza, De Arruabarrena também foi chamado ao serviço, para parar Djé Tavres (60'), que logo a seguir teve melhor ocasião para festejar, mas viu o recém-entrado Matías Rocha impedir o golo, com um corte providencial.
O caminho dos açorianos para a baliza ficou mais desimpedido com a expulsão de Hyunju (por acumulação de amarelos, aos 67'), mas curiosamente foi o Arouca a criar perigo... e a materializar. Após um aviso de Fukui — disparo à baliza sofreu um desvio, mas Gabriel Batista travou o remate, com a mão direita, 74') —, Tiago Esgaio aproveitou uma falha de marcação para atirar de cabeça para o fundo da baliza (83'), colocando a equipa de novo na frente do marcador.
Com mais em jogo na luta pela permanência, os insulares não baixaram os braços e batalharam até ao último minuto e foi aos 90+5' que festejaram como ninguém o ponto conquistado, via Elias Manoel. Não valeu a permanência — foi o Arouca a respirar de alívio com a manutenção, pese o sabor agridoce do empate —, mas poderá fazer a diferença nas contas finais...
Tiago Esgaio (7) — Imparável do ponto de vista defensivo e a nível ofensivo, o lateral-direito teve contributo decisivo na altura de inaugurar o marcador, já que foi na sequência de um remate seu que Hyunju chegou ao golo, desviando para a baliza (8'). Na reta final, protagonizou corte providencial, impedindo o Santa Clara de ficar em vantagem, e aos 83' fez o 2-1, com um cabeceamento certeiro.
Gabriel Silva (7) — Entre os mais dinâmicos do ataque do Santa Clara, o avançado brasileiro teve pronta reação ao golo inaugural do Arouca, empatando aos 10’ com um remate irrepreensível de cabeça, e só não bisou aos 36’ porque Klismahn estava em posição irregular. Foi dor de cabeça para os defesas adversários. Aos 56', serviu Djé Tavares, mas o companheiro de equipa não conseguiu concretizar.
Notas dos jogadores do Arouca
De Arruabarrena (6); Tiago Esgaio (7), Javi Sánchez (6), Fontán (6) e Kuipers (6); Van Ee (7), Fukui (7) e Hyunju (6); Trezza (5), Barbero (6) e Djouahra (6); Matías Rocha (6), Amadou Dante (5), Mateo Flores (5) e Pablo Gozálbez (5)
Notas dos jogadores do Santa Clara
Gabriel Batista (6); Diogo Calila (6), Sidney Lima (6), Frederico Venâncio (5) e Guilherme Romão (5); Serginho (6), Djé Tavares (7) e Gustavo Klismahn (6); Brenner Lucas (5), Gonçalo Paciência (6) e Gabriel Silva (7); Paulo Victor (5), Welinton Torrão (6), Lucas Soares (5), Vinícius Lopes (5) e Elias Manoel (7)
Cláudio Botelho, treinador-adjunto do Arouca
«Felicito o grupo por alcançar o objetivo. O jogo começou num ritmo baixo, o Santa Clara parecia confortável com o empate, deixámo-nos adormecer, mas fomos superiores e seríamos justos vencedores. Fizemos golo, mas uma infelicidade no final ditou empate, fica sensação de frustração. Boa época, mas poderia ser muito boa.»
Igor Dias, treinador-adjunto do Santa Clara
Contra 10 precipitámo-nos em algumas tomadas de decisão e permitimos a transição que dá canto e golo. Reagimos, chegámos ao ponto, queríamos os três, mas não perder é importante. Queríamos resolver hoje, pode acontecer amanhã, mas queremos depender de nós. Festejar em casa também seria interessante.