Julgamento de Maradona: secretário pessoal revela 'queda livre' e consumo descontrolado de álcool antes da morte
O julgamento sobre a morte de Diego Armando Maradona conheceu novas revelações. Maximiliano Pomargo, secretário pessoal do argentino desde 2016 até à morte em 2020, testemunhou em tribunal que o ex-futebolista estava «em queda livre» cerca de um mês antes de falecer, impulsionado por graves problemas de saúde e pelo consumo excessivo de álcool.
Pomargo, que tratava de tudo na vida de Maradona, «desde comprar um par de ténis, até falar com o presidente da FIFA», confirmou que o estado do camisola 10 era crítico em outubro de 2020.
«Estava a beber muito. Não havia solução. Nesse mês chegou a discutir‑se a hipótese de interná‑lo à força, falava‑se disso», testemunhou.
O depoimento do antigo secretário foi marcado por alguma tensão e contradições, especialmente no que toca à polémica decisão de manter Maradona sob tratamento domiciliário na residência onde viria a falecer, a 25 de novembro de 2020. Confrontado com mensagens, admitiu que Maradona recusava ser internado e que «nunca faria nada contra a vontade de Diego».
Em agosto de 2020, exames médicos já apontavam para problemas hepáticos graves. Pomargo revelou ter pedido ao médico de família, Leopoldo Luque, para «assustar Maradona» com esses resultados, numa tentativa desesperada de o fazer parar de beber.
Nos últimos dias de vida, Maradona apresentava uma inflamação visível e um estado depressivo acentuado. Segundo o secretário, o médico minimizou o cenário: «Quando avisei da inflamação, Luque disse‑me que era porque Diego passava muito tempo deitado.»
A autópsia viria a revelar que a lenda do futebol mundial morreu devido a um edema pulmonar agudo, num quadro de insuficiência cardíaca crónica agudizada.
O julgamento contou também com o depoimento de Carlos Díaz, o psicólogo e especialista em adições que acompanhava Maradona. Díaz queixou-se de que as suas propostas terapêuticas eram sistematicamente boicotadas pelo resto da equipa de saúde e revelou que a psiquiatra Agustina Cosachov rejeitou a sua proposta de introduzir um fármaco específico que provoca reações físicas desagradáveis quando misturado com álcool, o que teria impedido Maradona de continuar a beber.
Mensagens reveladas em tribunal mostraram que Luque e Pomargo conspiravam para «dar a volta» ao psicólogo, acusando-o de os expor perante as filhas de Maradona. Díaz defendeu-se vigorosamente das acusações de homicídio por negligência: «O meu único plano era oferecer um tratamento abstencionista. Não poderia ter feito nada diferente para evitar um quadro cardíaco, não tenho esse tipo de conhecimento.»
Luque e Cosachov estão a ser julgados por homicídio simples com dolo eventual, tal como a coordenadora de cuidados domiciliários da Swiss Medical, Nancy Forlini, o clínico Pedro Di Spagna, o coordenador de enfermeiros Mariano Perroni, o enfermeiro Ricardo Almirón e o psicólogo Carlos Díaz.