João Almeida a puxar o grupo de candidatos na subida do Malhão na Volta ao Algarve 2026

João Almeida: «Estou no caminho certo»

Português da UAE Emirates refletiu sobre o seu desempenho na Volta ao Algarve, em que terminou em terceiro, atrás de Juan Ayuso e Paul Seixas. Na última etapa, no Malhão, esteve ao ataque «porque não tinha nada a perder» e faz balanço «positivo» da corrida

Contra todas as probabilidades — «contra todas as odds», como avisara na véspera a A BOLA —, João Almeida lançou-se à estrada com a convicção de quem não aceita destinos fechados antes da meta. A Volta ao Algarve podia já não depender apenas dele, mas enquanto houve estrada para subir, houve tentativa para fazer.

No Malhão, juiz supremo da edição de 2026, o português voltou a assumir riscos. A geral começava a fugir-lhe à medida que a corrida se inclinava para a derradeira subida, mas Almeida recusou resignar-se. Tentou endurecer, tentou mexer, tentou ganhar a etapa. Não conseguiu. Voltou a esbarrar na força de Juan Ayuso e Paul Seixas — primeiro e segundo da geral — e ainda em Oscar Onley, novamente forte nas rampas decisivas.

No final, a lucidez de quem sabe exatamente onde está. «Hoje, no contrarrelógio e na Fóia, dei tudo o que tinha. Senti-me bem na corrida, na verdade. Creio que tudo está no caminho certo», afirmou.

O ataque na primeira passagem pelo Malhão não foi impulso, foi cálculo. «Queria que o ritmo fosse mais alto do que o que a Ineos estava a meter. E como não estava bom o suficiente, fui para a frente e puxei eu. Por que não? Eu não tinha nada a perder.»

Nada a perder — e talvez tudo a testar. Porque, mais do que a classificação final, Almeida saiu do Algarve com indicadores que lhe interessam. «Creio que foi bem bom, na verdade. Em termos de números [registos de performance] estou até um pouco melhor do que antes, não sei bem. Se comparar com o ano passado, creio que estou muito melhor.»

Há, ainda assim, um detalhe que pesa: os rivais chegaram de altitude nas pernas e frescura afinada. «Por isso, considero que é algo positivo. Claro, os meus principais adversários aqui na Volta ao Algarve vieram de estágios em altitude e parecem muito melhores do que eu. Mas, sim, creio que eu estou bem.»

Sem amarela, mas com sinais encorajadores. Seguem-se Paris-Nice, Volta à Catalunha e, no horizonte maior, o Giro de Itália — o grande objetivo. O Algarve não lhe deu o triunfo, mas poderá ter-lhe confirmado algo talvez mais importante: a forma está a crescer no tempo certo.