Javi García recorda Benfica: «Soube que estava num clube histórico desde o primeiro minuto»
Numa antevisão ao embate da UEFA Champions League entre Benfica e Real Madrid, Javi García, antigo jogador de ambos os clubes, partilhou as suas perspetivas sobre a carreira, o passado na Luz e a sua transição para o banco.
Após terminar a carreira de jogador no Boavista em 2022, o espanhol integrou a equipa técnica de Roger Schmidt no Benfica, onde permaneceu durante dois anos. Agora, numa pausa profissional, dedica-se à sua formação como treinador e explora o interesse pelos meios de comunicação, ponderando um papel como embaixador da LaLiga.
A passagem de jogador a treinador foi um processo que descreve como «muito natural». Javi García confessou, em entrevista à Marca, que já ansiava pelo fim da carreira: «Nos últimos anos da minha carreira já tinha em mente quando ia deixar de jogar. Era algo que tinha bastante vontade que acontecesse e, depois, com a chamada do Benfica para entrar na equipa técnica, tudo foi muito natural.»
O antigo médio revelou que o fim da carreira foi uma «libertação muito grande», pondo fim a um ciclo de autoexigência extrema: «Fui uma pessoa que se exigiu muito a si mesma, até ao extremo, e isso fazia com que praticamente nunca estivesse contente com o que tinha feito. Agora, neste último ano e meio em que estou totalmente parado, estou bastante mais tranquilo, muito mais feliz, a desfrutar da vida e da minha família.»
O interesse pela carreira de treinador surgiu ainda enquanto jogador. «Nos últimos anos da minha carreira, quando ainda me faltavam três ou quatro anos, uma pessoa já começa a questionar as decisões do treinador, os planos táticos, os treinos. Começas a pensar no que poderias fazer para melhorar a equipa», recordou. A experiência no Benfica confirmou a sua vocação: «Dá-te uma adrenalina que quase senti sem ser jogador. É como uma droga: uma pessoa quer mais».
Sobre o regresso à Luz, desta vez como adjunto, Javi García não poupou elogios. «Quando recebi a chamada do clube para entrar na equipa técnica foi uma das decisões mais felizes da minha vida. Nunca imaginei que poderia voltar como adjunto. Desfrutei ao máximo, tivemos a sorte de voltar a ser campeões. Para mim, o Benfica é um clube que guardarei sempre no meu coração».
Durante a sua passagem pela equipa técnica encarnada, entre 2022 e 2024, coincidiu com o compatriota Álvaro Carreras. «Ao ser espanhol, os primeiros contactos do clube foram comigo para me informar e para que lhes desse a minha opinião. Já o conhecia do Real Madrid, sempre foi um jogador muito bem avaliado», disse, acrescentando que as referências do Granada também foram «muito boas». «O que mais destacaria nele é a personalidade. Começou bastante bem e creio que lhe vai correr bastante bem», vaticinou.
Recordando os seus primórdios no Real Madrid Castilla, Javi García descreve essa fase como «espetacular». «Talvez tenham sido os últimos anos em que desfrutei do futebol como quando era criança. Tínhamos uma equipa impressionante e um grupo humano espetacular», partilhou, elegendo a subida à Segunda Divisão como uma das suas memórias mais bonitas como jogador.
A estreia pela equipa principal do Real Madrid, contra o Leganés na Taça do Rei, foi a concretização de um sonho. «Chegar ao Real Madrid com 13 ou 14 anos, com esse sonho, e vê-lo tornar-se realidade foi uma alegria não só para mim, mas também para toda a família», concluiu o antigo internacional espanhol.
Numa entrevista em que recordou a sua carreira, o antigo médio espanhol Javi García destacou a passagem pelo Benfica como um dos pontos altos do seu percurso, uma decisão que considera ter sido das melhores que tomou e que foi, em parte, influenciada por um conselho de Cristiano Ronaldo.
A mudança para Lisboa aconteceu após uma época no Real Madrid em que sentiu que teria poucos minutos. «Chegou a opção do Benfica depois de uma temporada no Real Madrid em que sabia o que me ia tocar, conformar-me com jogar certos minutos», explicou, acrescentando que o futebol deve ser «explorado». A mudança para Portugal permitiu-lhe conhecer «outros mundos e outras culturas».
«Desde o primeiro minuto em que pisei Lisboa e o estádio, soube que estava num clube histórico. Foi uma das melhores decisões que tomei na minha vida, foram talvez os três melhores anos que tive a nível futebolístico», afirmou Javi García.
Curiosamente, a transferência coincidiu com a chegada de Cristiano Ronaldo ao Real Madrid. O médio recordou uma conversa com o internacional português durante a pré-época. «Ele tinha visto o meu nome num jornal português e disse-me: “Javi, vais para o Benfica?”. Aproveitei que ele veio ter comigo para lhe perguntar como era o clube e ele disse-me para ir sem pensar duas vezes», revelou.
As boas exibições em Portugal despertaram o interesse de vários clubes da Premier League, com o Manchester City a garantir a sua contratação. «Foram três anos muito bons, sabendo que a filosofia do clube é contratar gente jovem com projeção e depois vendê-la. Houve interesse de bastantes equipas, mas o City vinha de contratar grandes jogadores e já se via o projeto que o clube estava a tomar», recordou, admitindo que tinha «muita vontade» de jogar naquela que considerava ser «a melhor liga do mundo».
Ao fazer um balanço da carreira, que o levou a Espanha, Portugal, Inglaterra e Rússia, Javi García mostrou-se satisfeito com as suas escolhas, inspiradas por um conselho do pai. «Lembro-me de, em criança, o meu pai me dizer que o bonito do futebol é viajar, conhecer, poder espremer todas as opções que te dá até ao final», partilhou. «Sempre tive claro que, quando chegasse o final da minha carreira, não me podia arrepender de nada, e por isso estou tranquilo com todas as decisões que tomei».
O antigo médio recordou ainda os tempos passados com Álvaro Arbeloa no Castilla, descrevendo-o como um «líder» nato. «Era o nosso capitão, não por ser dos mais velhos, mas porque era um líder. Encontrava sempre maneira de motivar o grupo», elogiou, destacando a «personalidade e a inteligência» de Arbeloa em campo, características que, acredita, o ajudarão na sua carreira de treinador.
Numa análise ao percurso de Álvaro Arbeloa, agora como treinador do Real Madrid, um antigo colega de equipa destaca a sua inteligência e a capacidade de liderança, traços que já eram visíveis quando era jogador. A mudança de atitude da equipa é já notória, segundo o mesmo, que acredita no sucesso do técnico espanhol.
Questionado sobre se o método e o discurso atual de Arbeloa o surpreendem, a resposta é clara: «Não me surpreende. Álvaro é muito inteligente, sabe perfeitamente o que está a fazer, para que o faz e por que o faz». A mesma fonte sublinha que o principal objetivo do antigo lateral é «ganhar títulos e triunfar no Real Madrid».
As qualidades de liderança já eram evidentes nos tempos de jogador. «Tinha aquele caráter que contagiava, procurava sempre motivar o colega. Encontrava sempre uma maneira de puxar pelo grupo, de nos manter a todos focados. Olhando para trás, muitas das coisas que fazia como jogador encaixam perfeitamente no que se vê dele hoje como treinador».
As melhorias na equipa são já visíveis, com especial destaque para a atitude dos jogadores. «No último jogo contra o Villarreal, vi uma equipa que queria jogar, ter a bola, defender, que jogava com prazer. Essa mudança vem do Álvaro e, depois daquele jogo, acredito sinceramente que as coisas vão funcionar».
Relativamente ao seu próprio futuro, o entrevistado revela estar numa fase de pausa e formação, após ter terminado a carreira de jogador «praticamente a zeros» em termos de energia. «Este último ano e meio serviu para descansar e recarregar baterias. Estou a aproveitar para estar com a família, mas também para me formar, vendo muito futebol».
Embora não se identifique com um treinador em particular, admite que Jurgen Klopp é uma referência. O objetivo é claro: lançar-se como treinador, mantendo-se aberto a todas as oportunidades: «Adoro analisar diferentes equipas, competições e ligas, aprender línguas, visitar colegas que hoje são treinadores. Estou em modo de aprendizagem total para estar preparado para o futuro. Quero lançar-me como treinador, mas estou aberto a qualquer possibilidade, porque sei que tudo o que vier me fará crescer.»
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