Técnico do Benfica avisou que jogadores do Real Madrid «castigam» eventual falta de equilíbrio das águias

Mourinho e as portas do mercado do Benfica, pecados da qualificação e os golos

Treinador das águias fez a antevisão do jogo com o Real Madrid desta quarta-feira; saiba tudo o que disse

Que jogo espera?
 — É difícil prever. Por muitos fenómenos que existam a falar de futebol, a imprevisibilidade do jogo continua a ser fantástica. Nunca se sabe o que pode acontecer. Analisas o adversário, preparas o teu plano de jogo, mas há sempre essa dose de incerteza. O que nos resta é preparar a equipa o melhor possível e jogar com respeito pelo adversário, sabendo quem eles são, mas também sabendo quem nós somos. O objetivo é ganhar. Se não ganharmos, não há contas que nos salvem. Só depois do apito final é que veremos se os outros resultados ajudaram, mas o foco é entrar para vencer.

Como treinador do Real fez conferências de Imprensa polémicas nos jogos com o Barcelona, há até um caso arbitral pendente, a ser investigado. O tempo trouxe-lhe respostas?
— Não me interessa. Vivo a minha carreira dia a dia, penso em amanhã, o passado é passado.

No jogo com o Real estará um árbitro que conhece bem de Itália e já lhe deu dissabores, que pensa disso? E o plantel está fechado a entradas e saídas? 
— Relativamente ao mercado, nunca gosto de dizer que a porta está fechada enquanto ele estiver aberto, porque tudo pode acontecer. Os dois jogadores que entraram têm qualidade para nos ajudar nesta segunda metade da época. Não estou desesperado por saídas nem por entradas; estou tranquilo. Quanto ao árbitro, como disse há umas semanas, antes dos jogos não comento arbitragens. Gosto de ir para o jogo a acreditar que o árbitro vai fazer o melhor trabalho possível. Depois do jogo, logo se vê. No último jogo contra a Juventus, por exemplo, o árbitro foi fantástico e fiz questão de o dizer, mesmo tendo perdido. Do árbitro de amanhã, veremos depois do jogo.

— Na semana passada fez uma reflexão sobre a juventude de alguns treinadores. A inexperiência de Álvaro Arbeloa como novo treinador do Real Madrid chama-lhe a atenção?
— Os jornalistas têm uma qualidade, que respeito, que é levar as coisas na direção que vos interessa. A pergunta que me fizeram é se estava surpreendido que Spaletti esteja a treinar a Juventus, se ele tinha condições. E a minha resposta foi que obviamente não me surpreende e que treinadores de grandes trabalhos, grandes currículos, entrem nos melhores clubes. O que me surpreende é quando treinadores sem grande história entram nos grandes clubes, é uma refleção que me parece normal e conto uma história que reflete bem isso: no ano 2000, um gigante que se chama Benfica ligou a um treinador, que não tinha treinado ninguém, para ser treinador do Benfica. Esse treinador respondeu: ‘não vou, porque não quero ser adjunto’. Pensava que me queriam para adjunto, afinal era para treinador principal, foi uma grande surpresa. Passou-me a mim e foi com surpresa que recebi isso. Aos italianos deu-lhes jeito [o assunto] por causa de Chivu [treinador do Inter]; aos espanhóis por Arbeloa [treinador do Real Madrid]. Mas há um problema, os dois são meus meninos, não apenas ex-jogadores meus, mas ex-jogadores especiais. Arbeloa, diria mesmo que do ponto de vista humano, da relação pessoal e empatia, é um dos favoritos de sempre. Não é seguramente um dos melhores jogadores do Real Madrid, mas para mim é seguramente um dos melhores homens que já jogou no Real Madrid. Era o último em quem poderia meter pressão, querer pressionar, o último. A Álvaro [Arbeloa] espero que lhe saia tudo muito bem e tenha uma carreira fantástica como treinador.

— Como é que se prepara uma equipa para defrontar tantas estrelas? O Benfica pode perder um pouco da sua matriz ofensiva por ter de dar atenção redobrada a jogadores como Vinícius, Mbappé ou Bellingham
— O Benfica tem de jogar com as características que tem e não com as que não tem. Analisando este Real Madrid, se me pergunta se eu gostaria de jogar estrategicamente contra este Real Madrid como vamos jogar amanhã [hoje] - Não, estrategicamente gostaria de ter a possibilidade de jogar de forma diferente, mas temos de jogar de acordo com as qualidades e potencialidades que temos. Não me querendo alargar, para ganhar, temos de marcar mais um golo que eles. Não marcar não nos serve. Temos de jogar para marcar, mas ser equilibrados, mas repetir o jogo que fizemos o jogo em Turim, no qual pisámos 34 vezes a área adversária e não fizemos um golo... não acredito que aconteça neste jogo. Nas vezes que pisarmos, temos de fazer golos.

Ficou surpreendido o pouco tempo que Xabi Alonso aguentou como treinador do Real Madrid? Falou com ele? 
— Xabi é outro dos meus meninos. Só tenho memórias positivas dele, tive a emoção de jogar contra ele e de me emocionar. É uma alegria muito grande o que fez no Leverkusen, chegar ao Real Madrid, depois o que aconteceu é algo que não me interessa. É diferente que alguma coisa no futebol me surpreenda. Seguramente que ainda será muito feliz na carreira, pois demonstrou qualidade no Leverkusen.

Ficar fora do play-off será falhanço, ou há atenuantes que podem explicar isso? Essa qualificação ou não condicionará ataque ao mercado nos últimos dias?
 — Não penso que a qualificação ou não qualificação tenha a ver alguma coisa com o mercado. O Benfica fez mercado no verão, agora tenta melhorar a equipa para o que resta da época, com equilíbrio e estou convencido que não tem nada a ver com a qualificação. A hipotética não qualificação pode ser vista de prespetivas diferentes. O grande problema desta fase passa por uma derrota num jogo que deveríamos ter ganho [2-3 com o Qarabag, na Luz], o que nos deixaria neste momento com nove pontos e muito provavelmente a um ponto de nos qualificarmos. Depois também houve jogos que acabámos por perder, diria que a derrota em casa com o Leverkusen, completamente injusta e descontextualizada, mas foi uma derrota, que também marca a qualificação.

Que pensou quando soube Arbeloa iria treinar o Real Madrid e que conselho lhe pode dar? 
— O que pensei imediatamente é que quero que tudo lhe corra bem. Pode treinar qualquer clube do mundo que desejo que tudo lhe corra bem. O Real Madrid pode ser treinado por qualquer treinador do mundo que desejo que tudo corra bem. Arbeloa e Real Madrid, imagina quanto eu quero que corra bem. Só amanhã [hoje] desejo que corra mal, depois bem, sempre. Não posso analisar Álvaro como treinador porque não o conheço, não segui com os meus olhos a trajetória dele como treinador dos jovens do Real, mas tem dimensão humana para ser treinador do Real Madrid. Conselhos? Nenhum. Que ele seja feliz, ser treinador é muito difícil, há sempre muita gente que sabe mais que tu e te critica todos os dias. Ele tem de gostar muito deste trabalho.

Tem plantel jovem, falta experiência Champions, além da tática e da estratégia, que se diz a um plantel antes de um jogo desta dimensão? 
— O mesmo que disse antes da Juventus. Pode dizer que podemos e não funcionou, mas acho que fomos bem sucedidos na abordagem. Quando chega uma altura em que não tens nada a perder e não tens pela frente grandes equipas, com grandes jogadores, que não tem uma estabilidade pontual que permita outro tipo de abordagem, tens de ir com tudo. Ou matas ou morres de pé. É isso que vamos tentar, com equilíbrio, porque se não o tiveres o Real Madrid é uma equipa que castiga. Jogadores deste nível, castigam-te. Não precisam de meter 37 pés dentro da área, metem três e marcam-te três golos. É gente que castiga, de um nível tão alto que estão à espera de um erro teu para te castigarem.

Falou com Arbeloa? A chave para este jogo será a união, a mentalidade?
 — Não falei com ele. Perco o contacto telefónico de muita gente, mas ele não precisa de contacto para saber o que sinto, ele sabe. Para nós é muito simples: se não ganharmos, não há contas a fazer; se ganharmos, saberemos no balneário se nos qualificámos ou não. O pensamento único é que teremos de ganhar.