O cumprimento entre José Mourinho e Rui Costa na apresentação do novo treinador do Benfica - Foto: José Sena Goulão/Lusa
O cumprimento entre José Mourinho e Rui Costa na apresentação do novo treinador do Benfica - Foto: José Sena Goulão/Lusa

Rui Costa tem de dar algo mais

Trabalho longe de ser positivo, mas treinador já deu muitos sinais sobre a próxima época. Rui Costa, uma vez mais, tem a batata quente nas mãos e está proibido de voltar a falhar

As temporadas vão passando na era de Rui Costa na presidência do Benfica e o filme parece repetir-se quase vezes sem conta. Depois do erro de segurar Roger Schmidt no final de 2023/24, quando o alemão estava quase em contramão e a implorar pelo despedimento numa guerra aberta com os adeptos, Rui Costa foi empurrando o problema com a barriga e à 4.ª jornada da época passada teve de chamar o bombeiro Bruno Lage.

Tal como na primeira passagem, a equipa foi do mais ao menos e, depois de não ser capaz de se impor ao Sporting no jogo do título — é uma tendência dos últimos anos das águias o encolhimento nos jogos a doer — e ter perdido a Taça de Portugal em duas semanas, não era difícil de adivinhar naquilo que a continuidade de Lage redundaria meses mais tarde. Com a equipa a definhar, apareceu José Mourinho como salvador, mas o tiro está a sair pela culatra e, apesar do impacto do Special One no edifício encarnado, sobretudo na comunicação, o trabalho está muito longe de poder ser considerado positivo.

Depois do clássico, no qual, uma vez mais, se percebeu que Mourinho já não tem aquele toque de magia de outrora para os jogos grandes, tamanho foi o domínio do dragão na primeira parte, o treinador voltou a encostar Rui Costa à parede no que toca à próxima época. Não foi a primeira vez que o fez num curto espaço de tempo e, até agora, de Rui Costa sobre o assunto só se ouviu um «sim, vai ficar» em passo acelerado, de fugida de um jornalista espanhol aquando da visita ao Real Madrid. É estranho que, num clube com a dimensão do Benfica, e apesar de a dimensão de José Mourinho não ser pouca, seja o treinador a ditar os ritmos de decisões que, hierarquicamente, não lhe competem.

O presidente estará à espera do final da época para tomar a decisão, mas esse é um risco grande, sabendo-se do fim de contrato de Roberto Martínez com a Seleção após o Mundial e como isso poderá aliciar Mourinho a concretizar o sonho de uma vida. Preparar uma terceira época em cima do joelho, à procura de um treinador e, com isso, de reforços para moldar o plantel à sua imagem, muito provavelmente após uma em que o Benfica apenas vencerá a Supertaça depois de fazer um investimento recorde de €130 milhões, seria bizarro.

Se quiser ficar com Mourinho, então já sabe que o plantel que o técnico tanto elogiou quando o defrontou pelo Fenerbahçe, aqui há uns meses, não lhe enche as medidas. Não é só Aursnes que não dá a Mou a música que ele quer. Ao dizê-lo publicamente e não entreportas no Seixal, Mourinho reduziu a sua quota parte de culpas nos resultados pobres e expôs mais uma deficiente construção de um plantel no qual se gastaram quase 45 milhões de euros na dupla de médios supostamente titular — Enzo Barrenechea e Richard Ríos — e, em dois terços de época, nenhum deles fez esquecer minimamente o mal-amado Kokçu.