Portugal celebrou a conquista do 5.º lugar no Europeu de andebol - Foto: IMAGO

«Já está a faltar uma medalhazinha a esta equipa!»

Heróis do Mar regressaram a Portugal após o histórico 5.º lugar alcançado no Europeu

Foi com o sentimento de dever cumprido que a seleção de andebol regressou a Portugal, depois de alcançado o 5.º lugar no Europeu, que se torna no melhor resultado de sempre, depois do 6.º posto que tinha sido conquistado em 2020.

No aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, estavam pouco mais de duas dezenas de apoiantes dos Heróis do Mar, sobretudo familiares dos seis jogadores que viajaram da Dinamarca para a capital – a maioria do grupo viajou para o Porto -, num momento sempre marcado pela emoção.

António Areia, um dos jogadores mais experientes do grupo, enalteceu o feito alcançado, ele que estivera também no anterior melhor resultado em Europeus.

«Propusemo-nos a fazer melhor do que o Europeu 2020 e tivemos uma competição supercompetente. Conseguimos lutar pelo lugar que queríamos e fazer história. Estamos no caminho certo, com uma forma de estar irrepreensível e temos feito coisas muito bonitas e especiais para o nosso país e o nosso desporto», declarou.

Instantes após o apito final do encontro com a Suécia o ponta foi filmado em lágrimas, mas garante que elas foram provocadas apenas pelo sentimento do momento, afastando a possibilidade de um adeus à Seleção.

«Foram lágrimas de emoção pelo dever cumprido e de agradecimento àquele grupo de trabalho fantástico no final de uma competição dura, supercompetitiva, com muitos momentos para gerir emocionalmente. Foi inacreditável o que conseguimos fazer», defende.

«Isto vai deixar de ser histórico»

Com a filha de apenas 6 meses ao colo, Salvador Salvador também comentou o momento histórico conseguido na véspera, elogiando o acerto de um dos irmãos Costa, com quem também partilha balneário no Sporting.

«Felizmente, o Martim marca golo muitas vezes neste tipo de situações e aconteceu mais uma vez. Foi uma explosão de sentimentos, uma descarga de muitas forças que metemos em campo durante todo este mês de janeiro. Acabou exatamente como queríamos, com uma classificação histórica para Portugal», sublinhou.

Salvador Salvador com a filha na chegada da seleção de andebol - Foto: Miguel Nunes

Ainda assim, o primeira-linha garante que as pretensões dos Heróis do Mar não se vão ficar por aqui, elogiando o potencial de uma equipa que era a quinta mais jovem do Europeu.

Salvador Salvador com a filha na chegada da seleção de andebol - Foto: Miguel Nunes

«Temos margem para crescer, temos vindo a evoluir ano após ano, com muitos jovens que estão a aparecer com qualidade. Temos de começar a ambicionar uma medalha. A este grupo só está a faltar uma medalhazinha para nos afirmarmos ainda mais na Europa e no Mundo», acredita.

Apesar de Portugal já ter terminado a competição, em termos individuais, Salvador Salvador está nomeado para melhor defensor do Europeu, e vai aguardar a divulgação dos prémios, que têm ainda Kiko Costa como candidato a melhor lateral-direito e melhor jovem, e Martim Costa entre os candidatos para melhor lateral-esquerdo.

«As coisas acabam por acontecer. Fico extremamente feliz porque o meu trabalho está a dar frutos e por poder ajudar a Seleção a alcançar este feito histórico. Depois, a confiança que depositam em mim sabe muito bem, e os prémios individuais vêm apenas depois do sucesso coletivo», terminou.

Uma baliza defendida a três
Sem um guarda-redes a destacar-se particularmente, Portugal contou com o contributo de Gustavo Capdeville, Diogo Valério e Pedro Tonicher, todos com os seus momentos de brilho. Capdeville, aquele que partia como titular, assumiu na chegada a Lisboa que não esteve ao seu melhor nível e elogiou por isso os companheiros de setor. «Ao longo da competição fui um pouco inconstante e não consegui dar o meu contributo da forma como todos estão habituados», disse, antes de elogiar os outros guarda-redes. «Mostra que a qualidade dos jogadores é cada vez maior. O Tonicher está a jogar em Espanha, o Valério foi jogar para a Grécia. O mais importante é a equipa, e se eu não estava a apresentar a qualidade que a equipa merece, tinha de entrar outro. O Tonicher esteve muito bem, o Valério também, e todos juntos conseguimos alcançar este feito», resumiu. Já Diogo Valério, que ao longo da competição passou pela bancada, pelo banco e pela titularidade, reforçou a concentração que é preciso manter para estar ligado ao longo de todo o Europeu. «Mantive-me sempre preparado, física e psicologicamente. Quando fiquei de fora tentei ajudar, quando foi ao contrário eles fizeram o mesmo. Surgiu a oportunidade de mostrar o meu valor e ajudar Portugal, consegui fazê-lo, o que me deixa muito satisfeito», concluiu.