Técnico dos leões diz que o mérito desta partida inesquecível foi todo dos seus jogadores - Foto: Miguel Nunes
Técnico dos leões diz que o mérito desta partida inesquecível foi todo dos seus jogadores - Foto: Miguel Nunes

Rui Borges? «Conhecíamos o melhor Bodo, mas o Bodo não conhecia o melhor Sporting»

Treinador da formação leonina não tem palavras suficientes para elogiar a qualidade demonstrada pela sua equipa nesta noite histórica, uma das mais épicas da vida do emblema de Alvalade. A página é dourada, naturalmente, mas na cabeça do líder do balneário verde e branco está já... o Alverca

Os esmagadores 5-0 que o Sporting aplicou ao Bodo/Glimt, na noite desta terça-feira, em Alvalade, e que selaram o apuramento dos verdes e brancos para os quartos de final da Liga dos Campeões deixaram Rui Borges extremamente feliz, mas, acima de tudo, orgulhoso. O treinador dos leões, que lembrou a família, deu o mérito todo ao grupo de trabalho que orienta.

«Antes de mais, deixe-me dedicar a vitória aos meus pais, à minha família, ao meu filho... Merecem. Sofrem muito comigo, de certeza. Tenho saudades deles e estão sempre lá a torcer por nós. Nunca o fiz, mas hoje acho que é uma vitória para lhes dedicar. Bem como à minha mulher e às minhas irmãs, que sofrem muito, e em especial à minha estrela, o meu avô. Não me esqueço... Eu digo sempre que tenho uma grande estrela. Em relação à vitória, é um bocadinho a frase que utilizei hoje na palestra e que até foi o Neto que disse e muito bem, ou seja, nós conhecíamos o melhor Bodo/Glimt, mas o Bodo/Glimt não conhecia o melhor Sporting. Tínhamos de ser o melhor Sporting e fomo-lo. Senti nestes dias, desde o primeiro momento que entrámos para treinar, que a energia era diferente, a vontade de fazer algo diferente era infinita, e com o passar dos dias tivemos também a mensagem de acreditar dos adeptos. Senti claramente que ia ser uma noite diferente. Podíamos estar aqui depois de termos ganho 2-0 e não termos passado que eu estava aqui super orgulhoso por tudo o que tínhamos sido capazes de fazer. Mais do que qualquer estratégia, teve tudo muito que ver com a crença, com a vontade e com a intensidade que metemos no jogo, nas nossas ações individuais e coletivas. Isso fez toda a diferença», assumiu, em primeira instância, aos microfones da Sport TV.

Instado a pronunciar-se sobre a exploração dos corredores laterais como chave para o sucesso frente ao conjunto nórdico, Rui Borges deu a devida explicação estratégica: «Sabíamos que nas poucas coisas que fomos criando no jogo em Bodo, não poderíamos entrar em demasiado jogo interior, que gostamos muito, e tínhamos, sim, de explorar os corredores. Porque foi dessa forma que tivemos momentos de finalização lá [na Noruega]. A equipa percebeu e hoje fê-lo na perfeição. A energia esteve lá, tanto da malta que jogou [de início], como da malta que entrou e que foi importantíssima. Acho que, mais do que tudo, eles estava completamente ligados e queriam muito virar o jogo. Sabíamos que na partida de Bodo não tínhamos sido o Sporting que somos sempre. Acontece, faz parte. Ao fim de sete ou oito meses tivemos um jogo menos bom. Infelizmente foi na Champions, podia ter-nos saído caro, mas faz parte. Eles [jogadores] merecem esse respeito, da minha parte e de todos. Não são máquinas, aprendemos com o que não fizemos tão bem, e hoje foi do 8 ao 80. A intensidade foi altíssima durante o jogo quase todo, caímos aqui na parte final do prolongamento, o que é normal, mas de resto foi impressionante a forma como queríamos ter bola e pressionar. Estiveram perfeitos na parte estratégica do jogo.»

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O pesado desaire (0-3) sofrido na primeira mão, na Noruega, deu lugar a críticas de vários quadrantes, mas Rui Borges não gostou muito do que foi ouvindo após esse encontro: «Eu vou ser muito honesto. Percebo as críticas, mas os meus jogadores, que eu vou defender sempre, não mereciam. Por tudo o que têm sido capazes de fazer até aqui. Podíamos estar aqui derrotados e eu dizia na mesma que os meus jogadores são fantásticos e merecem tudo. E não é pelo jogo de Bodo que mereciam as críticas. Têm sido todos estupendos. Mas mais do que as críticas em si, nós, internamente, ficámos desiludidos pelo que não fomos capazes de fazer e de demonstrar. Estivemos longe do que nós somos e nós, mais do que ninguém, tivemos essa noção mal acabou o jogo. Sabíamos que aqui ia ser diferente. Se há equipa que conseguia era esta, se havia estádio onde era possível era neste. E deixe-me dizer que os adeptos hoje foram fenomenais. Queria que fossem sempre assim. Têm sido bons, mas hoje foram extraordinários. Tal como a equipa. Que seja sempre assim, porque precisamos deles. Foram muito importantes para esta remontada.»

Sobre a dimensão do feito alcançado pelo Sporting, especialmente pela forma como deu a volta a uma eliminatória que depois do primeiro jogo ficou claramente em risco, Rui Borges foi pragmático.

«Os verdadeiros campeões caem e levantam-se as vezes que forem precisas. Tal como eu tinha dito ontem, a resiliência deste grupo é inabalável e infinita. Isso tem sido demonstrado desde que eu estou no Sporting. E hoje demonstraram-no mais uma vez», assumiu.

E terá sido este o triunfo mais marcante da carreira de Rui Borges? «Não. A vitória mais importante tem de ser domingo. Este foi um jogo importante, é mais um que marca o meu caminho, mas foi mais uma vitória de Champions. Continuo, de alguma forma, a marcar a história do Sporting, e é isso que me deixa feliz. Amanhã já estou a pensar no Alverca, que será um jogo também muito exigente para nós e que temos de ganhar para continuarmos na luta pelo campeonato», finalizou o treinador do emblema de Alvalade.