O desalento de Ruben Amorim quando o Benfica perdeu a final da Liga Europa para o Sevilha, em 2014, em Turim
O desalento de Ruben Amorim quando o Benfica perdeu a final da Liga Europa para o Sevilha, em 2014, em Turim

Itália não está sozinha: as grandes marés de azar no futebol e nas modalidades

Italianos falharam o apuramento para o Mundial pela terceira vez consecutiva e vão estar, pelo menos, 16 anos sem estar na fase final de um

A Itália falhou a qualificação para o Campeonato do Mundo de futebol pela terceira vez consecutiva, um facto que abalou o país, onde o futebol é o desporto mais representativo. A seleção, quatro vezes campeã mundial (1934, 1938, 1982 e 2006), não conseguiu o apuramento para as edições de 2018, 2022 e 2026, somando-se a eliminações precoces nas fases de grupos de 2010 e 2014.

Esta crise no futebol italiano contrasta com o sucesso do país noutras modalidades. No entanto, a Itália não é a única nação ou equipa a atravessar longos períodos de infortúnio desportivo.

No futebol, a Espanha, uma das seleções mais poderosas da atualidade, falhou a presença em dois Mundiais consecutivos por duas vezes: em 1954 e 1958, e novamente em 1970 e 1974. Na altura, a fase final contava com apenas 16 equipas, ao contrário das 48 que participarão no Mundial do próximo verão.

A nível de clubes, o Real Madrid viveu uma seca de 32 anos na Taça dos Campeões Europeus, entre a conquista do sexto título em 1966 e o sétimo em 1998. Em Inglaterra, o Liverpool esperou três décadas para voltar a ser campeão nacional (de 1990 a 2020), com Jurgen Klopp a quebrar o jejum, enquanto o Arsenal já leva 22 anos sem vencer a liga - está bem lançado para fazê-lo este ano. Em Espanha, clubes como o Betis e o Sevilha acumulam 91 e 80 anos, respetivamente, sem conquistar o título de campeão.

Arsenal não é campeão inglês desde 2004 e está perto de quebrar o jejum - Foto: IMAGO

Ainda no futebol, o Benfica não ganha uma competição europeia desde a saída do húngaro Béla Guttmann, em 1962, ano em que as águias se sagraram bicampeãs da Taça dos Campeões Europeus. Desde aí, o Benfica já esteve em outras oito finais e perdeu todas: Milan (1963, TCE, 1-2); Inter Milão (1965, TCE, 0-1); Manchester United (1968, TCE, 1-4); PSV Eindhoven (1988, TCE 0-0, 5-6 nos penáltis); Milan (1990, TCE, 0-1); Anderlecht (1983, Taça UEFA, 0-1); Chelsea (2013, Liga Europa, 1-2); Sevilha (2014, Liga Europa, 0-0, 2-4 nos penáltis)

Já o Sporting esteve 2002 e 2021 sem conseguir conquistar o título de campeão nacional.

Fora do futebol, os exemplos de longas marés negativas são ainda mais impressionantes. No basebol norte-americano, os Chicago Cubs foram campeões em 1908 e só voltaram a sê-lo em 2016, 108 anos depois. No râguebi, a Escócia, vencedora de 14 edições do Torneio das Nações, não triunfa desde o ano 2000, precisamente quando a competição passou de V para VI Nações com a entrada da Itália, que também ainda procura o seu primeiro título.

Nos desportos individuais, a França enfrenta uma longa espera por vitórias caseiras. Nenhum ciclista francês vence a Volta a França desde Bernard Hinault, em 1985. No ténis, o último triunfo masculino francês em Roland Garros remonta a 1983, com Yannick Noah. No quadro feminino, desde a vitória de Françoise Durr em 1967, apenas Mary Pierce, em 2000, conseguiu o título para o país anfitrião.

Mary Pierce foi a última francesa a vencer Roland Garros - Foto: IMAGO

A própria Itália vive outra crise de identidade desportiva na Fórmula 1. A Ferrari, a escuderia mais laureada e a única presente em todas as edições do Mundial, não vence o campeonato de pilotos desde 2007, com o finlandês Kimi Raikkonen, e o de construtores desde 2008.

Kimi Raikkonen venceu o mundial de pilotos pela Ferrari em 2007 - Foto: IMAGO