Gianni Infantino, presidente da FIFA - Foto: IMAGO

Indignação na Ucrânia com sugestão do presidente da FIFA

Gianni Infantino falou em iniciar conversações para pôr fim à suspensão da Rússia

Gianni Infantino, presidente da FIFA, abriu, em entrevista à Sky News, a porta a negociações para a reintegração das seleções da Rússia e dos seus clubes em provas internacionais — foram suspensos após a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022.

«Temos de o fazer», afirmou o dirigente sobre o início de conversações. «Esta proibição não alcançou nada, apenas gerou mais frustração e ódio. Permitir que raparigas e rapazes russos joguem futebol noutras regiões da Europa seria benéfico. Alguém tem de manter os canais de comunicação abertos», argumentou.

As declarações do presidente da FIFA geraram uma onda de indignação na Ucrânia. O ministro do Desporto do país classificou-as como «irresponsáveis e até infantis», acusando Infantino de «desligar o futebol da realidade onde crianças estão a ser mortas». Também a falar à Sky, o governante anunciou que mais de 100 futebolistas estão entre os mais de 650 atletas e treinadores ucranianos mortos pelos russos.

«A guerra é um crime, não é política. É a Rússia que politiza o desporto e o utiliza para justificar a sua agressão», acrescentou o ministro. «Enquanto os russos continuarem a matar ucranianos, a sua bandeira e os seus símbolos nacionais não têm lugar entre pessoas que respeitam valores como a justiça, a integridade e o fair-play

Já a Federação Ucraniana de Futebol emitiu um comunicado onde «exorta a FIFA e o seu presidente a não alterarem a posição das autoridades do futebol sobre a exclusão» dos russos. O organismo contraria Infantino e defende que a suspensão é um «método eficaz de pressão sobre o agressor» e que a situação no terreno não melhorou.

«As ações militares no território ucraniano continuam, os ataques destroem infraestruturas e vidas civis. Os russos continuam a avançar na linha da frente», pode ler-se na nota, que conclui: «A potencial reintegração de qualquer equipa nacional da Rússia compromete a segurança e a integridade da competição.»

A Rússia, anfitriã do Mundial 2018, foi excluída da competição de 2022, no Qatar, falhou o Euro 2024 e também não estará no Mundial 2026. A suspensão generalizada seguiu a linha traçada pelo Comité Olímpico Internacional, embora algumas federações, como as de judo e taekwondo, já tenham levantado ou atenuado as sanções.

Infantino, no passado, já admitira a ideia de permitir que as seleções jovens da Rússia voltassem a competir, mesmo que mantendo a suspensão das equipas seniores.

Em defesa do Prémio da Paz a Trump

Na mesma entrevista à Sky, Gianni Infantino defendeu a decisão da FIFA de atribuir o Prémio da Paz a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, apesar da retórica inflamada do político, das ameças de invasão a vários países e da captura de um chefe de estado de um país estrangeiro: Nicolás Maduro, da Venezuela.

«Temos de apoiar toda a gente que faz alguma coisa pela paz, e as mortes em Gaza pararam. Se salvas pessoas, no teu país e mundo fora, mereces respeito», defendeu Infantino, que se mostrou perplexo com as ameaças de boicote ao Mundial 2026.

«Sou contra, não resultam em nada, só contribuem para aumentar o ódio», disse. «Mas alguém defende que o Reino Unido deve deixar de fazer trocas comerciais com os Estados Unidos? Nunca ouvi isso. Nesse caso, porquê o futebol? No nosso mundo dividido, precisamos de situações em que as pessoas possam unir-se em volta da paixão pelo futebol.»