Schjelderup corre para Prestianni depois de marcar e para agradecer a assistência — Foto: Catarina Morais/Kapta+
Schjelderup corre para Prestianni depois de marcar e para agradecer a assistência — Foto: Catarina Morais/Kapta+

Um anjo a derramar bênçãos e a consolar corações contritos (crónica)

Prestianni foi a figura maior da vitória do Benfica sobre o Moreirense. Num mini-inferno da Luz, ou melhor, num paraíso vermelho no Minho, encarnados, com exibição de alto nível, fazem sonhar adeptos

A reação tão eufórica quanto apaixonada por amor correspondido, como a que se viu desde o apito inicial até à despedida da equipa, foi a melhor prova de que os adeptos do Benfica voltam a acreditar depois de passarem por provações, adversidades ou dúvidas que corroem a fé como a ferrugem o ferro. A equipa de Marco Silva reconquistou essa força para atacar a conquista do título de campeão, confirmou sinais de evolução, suficientes para golear, sem mácula e com exibição de luxo, o Moreirense. Não é um produto acabado, longe disso, afinal ainda ontem se estreou mais um reforço (El Karouani), mas os sinais são tão positivos que o mini-inferno da Luz no Minho se transformou em espécie de paraíso vermelho.

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Será quase obrigatório dar o pontapé de saída desta crónica por Gianluca Prestianni, hoje um anjo que derrama bênçãos (um golo e uma assistência, e muito mais do que isso) a atender corações contritos de adeptos pelo passado recente. Foi o avançado argentino, sobretudo, que fez palpitar os corações vermelhos e quem os consolou. Foi acompanhado por outros, como Schjelderup ou Pavlidis, e foi acompanhado depois por todos. O Benfica foi equipa completa, com erros também, claro, da baliza ao ataque.

Os três pontos conquistados neste jogo em atraso da terceira jornada mostraram o Benfica no caminho certo para jogar como gostam sócios e adeptos, à Benfica — entrada fortíssima em campo, utilização de vários recursos no ataque (passes curtos ou longos com vertigem pela baliza, explorando, sobretudo, o corredor esquerdo), linhas adiantadas, recuperação da bola rápida e no meio-campo adversário, velocidade, oportunidades em abundância, embora desperdício a mais para tanta produção.

Aos 10 minutos, o Benfica tinha construído e perdido três oportunidades claras de golo, arrancou logo com Pavlidis aos 36 segundos. Desde aí não parou até ao fim.

Marco Silva apostou, pela primeira vez, em Prestianni e Schjelderup de início, que tinham coincidido em campo nos últimos 30 minutos com o Marítimo. Esse ensaio no Funchal foi positivo e conheceu, agora no Minho, a evolução. O argentino jogou nas costas de Pavlidis, em detrimento de Sudakov, e o norueguês na esquerda — foi por aí que a bola mais andou, sem que o Moreirense encontrasse soluções para travar o impacto dos três.

Já com alguma ansiedade no banco do Benfica, provocada pela sucessão de ocasiões desperdiçadas, o golo chegou depois de intervenção do videoárbitro, depois de Fábio Veríssimo, condescendente disciplinarmente, não ter visto pontapé de Parsemain sobre Lenglet, após cabeceamento do francês num canto. Pavlidis não perdoou — bola para um lado, André Ferreira, que já tinha feito tantas defesas, para o outro. Os números do final da primeira parte diziam tudo sobre o domínio do Benfica — 25 ataques, 72 por cento de posse de bola, 13 remates, seis cantos e 14 cruzamentos.

O Moreirense, apesar de pouco ter conseguido sair para o ataque, foi, na primeira parte, equipa competitiva, intensa e quase imaculadamente competente a defender, mesmo em muitos momentos de aflição. Ameaçou Samuel Soares só uma vez. No segundo tempo, chegou duas vezes à baliza dos encarnados nos primeiros dois minutos, mas o génio de Prestianni — deixou Dinis Pinto pregado ao relvado antes de assistir com tanta classe como tranquilidade Schjelderup para o segundo golo. O avançado argentino derramou mais uma bênção — deixou Gilberto Batista para trás, depois de aguentar carga do rapagão mais alto 21 centímetros, e finalizou à frente de André Ferreira.

Marco Silva começou depois a pensar nos próximos jogos, o primeiro já no domingo, com o Gil Vicente, na Luz, tirou do jogo Prestianni, Barreiro e Pavlidis, para alimentar o desejo de jogar de Durán, Aursnes e Lukebakio.

Já com o Moreirense destruído, houve ainda mais um golo, de Aursnes, com a cortesia de Schjelderup na assistência.

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