Mourinho: «Não abriria espaço para ninguém agora, nem Yamal»
José Mourinho, treinador do Real Madrid, abordou a rivalidade com o Barcelona segunda parte de uma entrevista concedida ao programa espanhol «El Chiringuito».
Questionado sobre o rival, o técnico português elogiou o trabalho que tem sido desenvolvido pelo treinador. «Sim, sim, gosto. Muito bom trabalho. Flick, Deco e, obviamente, os jogadores, gosto», afirmou, referindo-se ao novo Barça de Hansi Flick.
No entanto, Mourinho descartou a possibilidade de contratar Lamine Yamal para o Real Madrid. «Não. É um grande jogador, sem dúvida, um jovem com uma margem de progressão incrível. Não é normal, com a sua idade, ser campeão europeu e do mundo, mas temos um plantel de topo, não abriria espaço para ninguém. Agora, os meus são os melhores», declarou de forma categórica.
Sobre a reestruturação do meio-campo do Real Madrid após as saídas de Toni Kroos e Luka Modric, Mourinho foi lacónico: «Só há um Luka e um Toni». Contudo, apontou Arda Guler como uma peça fundamental para o futuro, prevendo uma evolução na sua posição em campo. «Adoro o Guler. Creio que lhe vai acontecer algo parecido com Modric ou Bernardo Silva. Começas numa posição e acabas noutra, começas a 10 e acabarás a 8, a 6. Penso que o Arda irá nessa direção com a evolução e o conhecimento do jogo», analisou.
«Agora venho sem ganhar nada»
O treinador, à época no Benfica, recordou ainda o processo do seu regresso ao clube merengue, descrevendo-o como uma decisão fácil e imediata. «Primeiro, rumores. O normal é haver contacto e depois rumores de contacto, mas neste caso foram rumores e depois o contacto. Quando o Real Madrid me ligou, teve o impacto que eu quero que os jogadores tenham quando o Real Madrid lhes liga pela primeira vez. Quando o Madrid me ligou, pronto: fácil, quero ir, não tive dúvidas», explicou.
Quando o Madrid me ligou, pronto: fácil, quero ir, não tive dúvidas
Mourinho destacou o significado especial deste regresso, comparando-o com a segunda passagem pelo Chelsea. «Ir para o Madrid quando se ganha o triplete [no Inter], quando se ganha tudo... A sensação é que o Madrid me quer porque ganhei tudo. Agora venho sem ganhar nada, venho porque me conhecem, venho porque sabem o que posso trazer. É mais profundo, estou muito contente», confessou.
O técnico português foi também instado a comentar o escândalo de «Caso Negreira», que envolve o Barcelona e pagamentos a árbitros, um tema que abordou com ironia. «O Caso Negreira está na Justiça... vamos ver o que a Justiça faz. Digo-te simplesmente que, sem saber que se chamava José María Negreira, quando eu estava aqui cheirava a algo, sentia-se algo estranho, mas não sabia o nome, não sabia quem era. Se era um alien, não sabia... mas era estranho», disse.
Confrontado com a ideia de que o pagamento ao vice-presidente dos árbitros implica manipulação da competição, Mourinho fez uma analogia com o futebol italiano. «É só ter a coragem de olhar para isso de frente. Em Itália fizeram-no com o Calciopoli». No entanto, quando o entrevistador sugeriu que o Barcelona deveria ser despromovido à Segunda Divisão, o treinador refutou: «Essa é a tua conclusão. Não, a Liga espanhola deve ter o Barça».
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