Jorge Fernandes, defesa-central português de 29 anos - Foto: Al Fateh
Jorge Fernandes, defesa-central português de 29 anos - Foto: Al Fateh

«Futuro? Olho para os exemplos do Cláudio Braga e do Jamie Vardy»

Aos 29 anos, Jorge Fernandes vê-se com tempo para chegar a um patamar mais elevado

— Sendo agora um jogador livre, qual o próximo passo na carreira?

— Sinto que estou na melhor fase da minha carreira a todos os níveis: físico, técnico e mental. Existem três pilares na minha escolha: a parte financeira, a desportiva e a familiar. Tenho tido abordagens, mas, para já, mantenho-me aberto a tudo. Não nego que, com a minha idade, a parte financeira é importante — e a ida para a Arábia Saudita foi muito nesse sentido. Houve momentos de ansiedade durante a época, especialmente pelo medo de sofrer nova lesão, mas agora estou bem. Quero sentar-me com quem gere a minha carreira e decidir o melhor caminho. Gostaria de me manter no campeonato árabe ou no Médio Oriente, mas o mercado está a começar e podem surgir oportunidades inesperadas noutros locais.

— O regresso a Portugal é uma possibilidade em cima da mesa?

— Comigo ninguém falou diretamente, mas tenho uma relação de muitos anos com o meu empresário, o Hélio [Martins]. Trabalhamos de forma a que ele só me transmita propostas quando a abordagem é séria e o caminho pareça viável. Já aconteceu em ocasiões anteriores, a nossa ligação é forte a esse ponto. Ele ainda não me falou de nada concreto em Portugal. Contudo, tenho a certeza de que o meu fim de carreira será no futebol português. Espero, nesse momento, ainda estar bem fisicamente para ser útil e ajudar quem quer que seja, em vez de ser apenas um regresso por cortesia.

— Com 29 anos, o que é que ainda lhe falta fazer no futebol?

— O futebol é uma caixinha de surpresas. Temos exemplos como o Cláudio Braga no Hearts, mais recente, ou o Jamie Vardy, que fez o que fez numa fase mais adiantada da carreira. São exemplos que mostram como as carreiras podem dar saltos enormes em fases mais tardias. Tenho muitos sonhos: conquistar títulos, jogar competições europeias e representar equipas grandes. Quando digo «grandes», refiro-me a estruturas fortes, com adeptos fervorosos e ambição de ganhar, seja em que campeonato for. Não é só títulos ou o nome… Mas tenho os pés assentes na terra. O meu lema é: «O que tiver de ser meu, será meu». Se algo não foi, é porque não tinha de ser. Tenho muito orgulho na carreira que tenho feito até agora. Mas tenho essa fome de que eu preciso e o foco acaba por ser sempre o trabalho diário. É aquilo que eu digo: farei sempre aquilo que eu controlo, e o que tiver de acontecer na minha carreira, acontecerá. Vou estar sempre agradecido por tudo aquilo que tem sido o meu percurso.

«Passei mais tempo no FC Porto do que com a minha família»

— Como analisou as épocas de FC Porto, V. Guimarães e Tondela, clubes que representou em Portugal?

— Acompanho os três com muito carinho. O FC Porto foi um campeão merecido, numa época fabulosa e com um trabalho incrível de estrutura e do treinador. É o clube que me formou, onde entrei aos 10 anos. Passei lá mais tempo do que com a minha família... Ver o sucesso deles é muito gratificante. Sobre o Vitória, é mais difícil falar, porque sou adepto. É um clube de altos e baixos e acho que lhe falta encontrar uma estabilidade racional. A exigência lá é enorme, ao nível de um grande, e isso é bom, mas difícil de gerir. A Taça da Liga foi uma conquista histórica, mas depois houve instabilidade. Espero que a nova presidência traga o equilíbrio necessário. Quanto ao Tondela, foi o meu primeiro clube na Liga e tenho muita pena da descida. As pessoas daquela região merecem ter a equipa no topo. Espero que regressem rápido e consigam a estabilidade de que tanto precisam.

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