Se fazem tão boa despesa também devem pedir fatura (crónica)
O SC Braga leva apenas um golo de vantagem para o jogo da segunda mão desta terceira pré-eliminatória da Liga Conferência. E o leva apenas não é escrito ao acaso. Refere-se à despesa que os arsenalistas... não pagaram.
Porque, em bom rigor, os guerreiros do Minho ficaram a dever a si próprios um resultado (bem) mais confortável e que lhes permitira rumar à Bulgária — o encontro da segunda mão, agendado para as 18h (hora portuguesa) da próxima quinta-feira, vai ser realizado em solo búlgaro, mais concretamente no Stara Zagora (estádio do Beroe), devido às sanções impostas pela UEFA ao Dinamo Minsk, na sequência do conflito entre a Rússia e a Ucrânia — com um conforto maior.
Ainda assim, sublinhe-se, o conjunto bracarense tem tudo para chegar à casa emprestada à equipa bielorrussa e vincar a sua superioridade (se possível com mais golos, para dar corpo à grande diferença que existe entre os dois clubes), carimbando, de forma tranquila, prevê-se, o apuramento para o play-off da referida prova europeia.
A formação orientada por Carlos Vicens mandou, mandou e mandou, teve posse, posse e posse (terminou a partida com... 75 por cento!), pisou, pisou e pisou o meio-campo ofensivo, mas foi (muito) pouco audaz no último terço. A qualidade de jogo ofensivo tem de ser elogiada, porque o SC Braga sabe ter controlo, percebe o que tem de fazer para atrair por um lado para ganhar o espaço pelo outro, ou por dentro, os artistas dos guerreiros tem uma técnica acima da média, mas falta aquela pitada letal na hora da verdade. Porque se os condimentos estão todos lá, exige-se que o produto confecionado oferece um sabor mais açucarado. Algo que, no futebol, tem um nome: golos.
Pau Víctor e Ricardo Horta foram tentando, Sergio Barcia também ousou a sua sorte numa bola parada, mas o momento da tarde/noite na Pedreira teve a assinatura habitual: a do capitão. Em cima do intervalo, Ivanov desviou com o braço um remate de Gabriel Silva, dentro da área, e Ricardo Horta (claro) não perdoou da marca dos 11 metros. Três jogos oficiais do SC Braga na época 2026/2027... três golos do icónico camisola 21. É a somar.
Na etapa complementar, e diante de um adversário que praticamente não incomodou Bernardo Fontes, Pau Víctor voltou a perdoar em lances que até nem costuma facilitar e Fran Navarro também ficou a centímetros de festejar.
Para a semana metam lá o selo.
Carlos Vicens (treinador do SC Braga):
A equipa controlou o jogo, entrou para se impor, tentou gerar ocasiões de golo, tivemos chegadas à área, mas faltou o último passe e a finura de fazer bem esse passe para encontrar o homem livre. Não podemos subestimar organização do rival.
Alexandr Shagoyko (treinador do Dínamo Minsk):
Tenho sentimentos contraditórios. Para um jogo fora não é um mau resultado de todo, por outro não conseguimos fazer tudo o que queríamos. Cada eliminatória consiste em duas mãos, esta já foi e agora vamos fazer o nosso melhor na segunda mão.