«Estava na marcação individual ao Ronaldo e ele faz algo fora do normal...»
— Entre tantas estrelas no futebol saudita, qual foi aquela que lhe criou mais dificuldades?
— É difícil escolher, porque os clubes investem muito no ataque. Este ano, o Al Qadisiyah tinha o Retegui e o Quiñones, uma dupla que se complementa muito bem. Mas não posso deixar de falar do Cristiano Ronaldo. Este ano, em casa do Al Nassr, eu estava na marcação individual no lance do golo dele e aquilo que ele faz é fora do normal. Estávamos num momento bom e ele resolve assim... Com a idade que tem, continua a ser um matador. Se tivesse de dar um top-3, incluiria também o Ivan Toney, uma besta a segurar a bola, com apoios muito fortes, e o Benzema. O Benzema é surreal a jogar entre linhas. Ele movimenta-se e cria espaços para os colegas sem sequer tocar na bola. Provoca-te, faz de chamariz para te tirar da posição. Foi uma aprendizagem constante defrontar jogadores com esta inteligência. Bem, isto já nem é um top-3, passou a ser um top-5! [risos]
O golaço que Jorge Fernandes viu Ronaldo marcar no Al Nassr-Al Fateh
— Pelas suas palavras, acredito que considere a ideia de um certo declínio de Cristiano Ronaldo exagerada…
— As opiniões dividem-se, mas ele, melhor do que ninguém, sabe lidar com isso. Viveu sob crítica a carreira toda, mesmo quando estava no auge. A minha opinião é que ele é um jogador fora do normal. Quem o quer criticar agora, com 41 anos… É óbvio que ele já não está no auge, ele próprio perceberá isso, mas as pessoas esquecem-se que ele está a contrariar a própria natureza humana. O futebol é uma atividade física exigente e a idade pesa a qualquer um, mas ele continua a dar provas de uma capacidade incrível. Podem falar da qualidade do campeonato, da velocidade ou do que quiserem, mas ele faz o trabalho dele e continua a marcar. Para mim, foi um prazer enorme partilhar o campo com ele e ver de perto o que ainda é capaz de fazer.
— Que diferenças qualitativas e táticas nota entre a liga saudita e o futebol europeu?
— A grande diferença é tática. Na Arábia o jogo é muito mais aberto e partido, voltando à questão do duelo individual. Não encontras tanto aquele rigor europeu de uma equipa a defender em bloco baixo, muito compacta e a bascular. O jogador saudita foca-se muito mais em atacar e fazer golo do que em recompor a posição defensiva. Isso provoca situações de três para três ou quatro para três constantes. Para nós, defesas, a exigência é máxima. A nível físico, os jogos são intensíssimos, com muitas transições, o que exige uma capacidade aeróbica se calhar superior à de alguns jogos na Europa, onde o ritmo é mais controlado taticamente.