Futebol francês enfrenta nova crise com os direitos televisivos
O futebol francês enfrenta uma nova e profunda crise nos direitos televisivos, um problema que parecia resolvido no verão do ano passado. O rastilho foi a atribuição dos direitos de transmissão dos Mundiais de 2026 e 2030 à BeIN Sports, o que gerou um terramoto na Ligue 1 e levou à demissão do diretor da LFP Media, Nicolas de Tavernost.
A plataforma de streaming Ligue 1+, criada no ano passado para evitar a falência dos clubes franceses e que transmite oito jogos por jornada, parecia ter garantido inicialmente os direitos do Mundial.
Segundo o L'Équipe, o serviço tinha chegado a um acordo com a FIFA no valor de 20 milhões de euros. Contudo, a BeIN Sports, que transmite o torneio em França desde 2014, reagiu rapidamente com uma oferta superior e assegurou os direitos.
Esta reviravolta teve como consequência imediata a demissão de Nicolas de Tavernost, anunciada esta quinta-feira. O agora ex-diretor da LFP Media tinha condicionado a sua permanência ao apoio unânime de todos os clubes da Ligue 1, algo que não se verificou.
O conflito de interesses é evidente, de acordo com a Imprensa gaulesa, uma vez que o presidente do PSG, Nasser Al Khelaïfi, é também o principal dirigente da BeIN Sports. Questionado sobre o assunto em Bruxelas, durante o Congresso da UEFA, o líder dos parisienses afirmou que o conflito televisivo «não lhe interessava».
A perda dos direitos do Mundial coloca em risco a sobrevivência da Ligue 1+, que contava com o evento para evitar uma perda massiva de subscritores durante o verão. A plataforma, que já reunia mais de um milhão de assinantes, encontra-se agora num impasse total. A possibilidade de a Liga de Futebol Profissional (LFP) apresentar um recurso contra a FIFA foi ponderada, mas acabou por não se concretizar devido à oposição de vários clubes.
Vincent Labrune, presidente da LFP, lamentou a saída de Tavernost, reconhecendo o seu papel na estabilização do panorama televisivo após o fracasso da DAZN na época passada. «Todos os membros da junta diretiva apoiaram a Ligue 1+, mas as aparições de Nicolas nos meios de comunicação causaram agitação e esta manhã percebi que seria difícil retomar o rumo», afirmou, acrescentando: «Não estou convencido de que sejamos capazes de reconstruir um forte impulso coletivo em torno do projeto».
Com a demissão de Tavernost e a incerteza em torno da Ligue 1+, o futebol francês está novamente mergulhado numa crise televisiva, um pesadelo recorrente no país nos últimos cinco anos.