«Fui educado no Bayern e quero aplicar a experiência no Estrela da Amadora»
Tem 35 anos, é formado em Direito, trabalhou uma década no Bayern e tratou por tu figuras como Robben, Ribery, Lewandowski ou Ancelotti, agora representa os investidores no Estrela da Amadora.
— Quem é Johannes Mosmang, presidente da SAD do Estrela da Amadora e rosto do consórcio internacional de investidores que tomou conta do clube em agosto?
— Bom, eu sou um funcionário desportivo que quer ajudar o Estrela da Amadora a crescer, sobretudo nas infraestruturas e no desempenho desportivo, onde posso ajudar com a minha competência e com as condições que oferecemos. Quero ajudar este clube a crescer e é um clube com muito potencial. Tem tradição, adeptos que vêm ao estádio e que gostam do Estrela e de futebol. E a minha história é simples: estudei Direito e joguei futebol. Falo português porque joguei no Brasil, no São Paulo, na formação, e estudei Direito na Alemanha. Depois comecei a trabalhar no Bayern, onde fiquei dez anos.
— Tem apenas 35 anos, mas já percurso abrangente no Bayern.
— Sim, e aprendi a ser realmente um funcionário desportivo. Eu não sou um ex-jogador que foi colocado de um dia para o outro nesta posição, eu aprendi e fui educado como ser funcionário num dos melhores clubes do mundo. E penso ser grande diferença e que pode ajudar um clube, pois vi como os bons clubes funcionam e conheço os parâmetros importantes para um clube crescer e para funcionários, equipa técnica e adeptos. Tenho a experiência e posso aplicá-la em Portugal e no Estrela.
— Haverá um bocadinho de Bayern no Estrela? Parceria já há.
— Sim, claro. Há colaboração com o Bayern, uma plataforma. Portugal tem uma Liga top seis na Europa e é uma plataforma muito interessante para jogadores jovens. E a Liga oferece um nível desportivo muito alto. Os jogadores jovens têm condições para poder dar os primeiros passos ao mais alto nível no futebol europeu. Obviamente, é plataforma para talentos jovens do Bayern, mas não só do Bayern. Pela minha história e pela história dos próprios investidores há uma proximidade com o Bayern, mas queremos ter também ligação com outros grandes clubes europeus.
— Como é que o E. Amadora entra no radar de um consórcio internacional que tem como investidores Thomas Muller, Hummels, Yann Sommer, Lucas Hernández ou o neto do fundador da Adidas?
— Em primeiro lugar, o potencial para crescer que a Liga Portuguesa tem. E vem aí o Mundial-2030, que vai ser em Portugal, Espanha e Marrocos. Há uma reforma de direitos de TV que vai ajudar a Liga a crescer e a criar um produto competitivo internacional. Há uma liga competitiva com quatro clubes de topo ao nível europeu, Benfica, Sporting, FC Porto e SC Braga. Há um desempenho desportivo muito alto. São motivos interessantes para nós. Observas a Liga e percebes quais são os clubes que fazem sentido para um investimento a longo prazo e com potencial para crescer. Para nós é o Estrela, com a tradição, com a cidade da Amadora, sendo próxima de Lisboa, com os seus adeptos, com o próprio estádio e as condições para melhorar a infraestrutura e criar valor.
— Onde vê o Estrela da Amadora dentro de dez anos?
— Daqui a dez anos? No top seis em Portugal e a competir sempre pelas competições europeias, com o próprio estádio, moderno, com o seu próprio centro de treino, para primeira equipa, sub-23, sub-19, sub-17, e com uma independência que irá fazer com que não importe quem seja presidente, diretor desportivo, ou treinador. Um clube estável e bem sucedido.
— Mudou-se para Portugal com a família, como está a correr?
— Quero começar por agradecer a forma como nos receberam. Adoro Portugal, Lisboa, a comida, a cultura, a tradição.
— Fala português. Como aprendeu e quantas línguas fala?
— Sim, falo português, mas peço desculpa pelos meus erros. Estou em Portugal e quero falar português. E falo seis línguas: Português, aprendi no Brasil. Os portugueses notam... [sotaque], mesmo assim tento que seja um Português melhor. Espanhol, aprendi em casa, pois a minha mãe é peruana. Falo alemão, pois nasci e cresci na Alemanha, o inglês aprendi da escola. Depois, estudei Direito em Heidelberg, na Alemanha, e joguei no Mannheim. Havia sempre jogadores franceses ou africanos e não falavam inglês, não falavam alemão. Percebia um bocado de francês e quando jogávamos fora partilhava quarto no hotel com eles e tentava ajudar a traduzir para eles. E assim fiquei a saber também falar francês. Quanto ao italiano, aprendi com Carlo Ancelotti e com a família dele, com o filho. É um bom amigo. Treinaram no Bayern quando eu entrei no Bayern e criámos uma relação muito próxima.