«Fomos lá dar um apoio»: quando o futebol une clubes de distritos diferentes
De distritos diferentes, mas unidos pelo futebol. Centro Cultural e Recreativo de Vila Viçosa (AF Aveiro - II Divisão) e Nespereira Futebol Clube (AF Viseu - Divisão de Honra) vivem realidades distintas, mas a paixão pelo futebol une os dois clubes. No verão, os incêndios que afetaram o concelho de Arouca, distrito de Aveiro, destruíram o sonho das gentes de Vila Viçosa. Dias depois da inauguração, o sintético ardeu parcialmente. Com a casa às costas, o Vila Viçosa começou por jogar em Alvarenga, mas rapidamente se mudou para Nespereira, que pertence ao distrito de Viseu.
«Os primeiros jogos da época foram no estádio do Alvarenga. Só que como o Vila Viçosa fica muito mais próximo de Nespereira, e existe a amizade entre os clubes e presidentes, eu dei a hipótese ao presidente do Vila Viçosa, ao Hugo [Amaral], para que os jogos fossem em Nespereira. É mais perto para todos e poderia ter muito mais público a ver o jogo, sendo mais perto», contou a A BOLA Vítor Diogo, adjunto do Vila Viçosa, que esteve no Nespereira durante quase 20 anos, desempenhando nesta fase também o cargo de diretor desportivo no emblema que compete na Divisão de Honra da AF Viseu.
Na mesma conversa com o nosso jornal, Vítor Diogo, que também vestiu a camisola do Vila Viçosa, destacou, várias vezes, a amizade entre as pessoas de Vila Viçosa e Nespereira.
«Mesmo os adeptos do Nespereira iam ver os jogos do Vila Viçosa. O Hugo [Amaral, presidente do Vila Viçosa] achou interessante, falámos com o presidente do clube do Nespereira, que nos disse logo que sim, que não havia qualquer problema. Falámos com a Câmara Municipal, que também nos deu essa abertura. A Associação de Futebol de Aveiro também aceitou, assim como os clubes», prosseguiu.
No último fim de semana, o Nespereira recebeu em casa o Mangualde, num jogo decisivo nas contas da manutenção, e, num grande gesto de união e amizade, os jogadores do Vila Viçosa juntaram-se aos Ultras do Olival para apoiar a equipa. Com apoio extra nas bancadas, o Nespereira venceu por 3-1.
«O Vila Viçosa teve jogo em Nespereira no domingo de manhã. Como era o último jogo em casa, a minha mãe ofereceu o almoço em casa dela a todos os jogadores do Vila Viçosa. Depois eu e o presidente, o Hugo, falámos com a malta. O Nespereira, pela cedência das instalações, merecia um apoio extra, porque era um jogo que se ganhasse garantia a manutenção na Divisão de Honra. Todos os jogadores alinharam em ir. Fomos lá dar um apoio aos Ultras do Olival, que é a claque do Nespereira», afirmou Vítor Diogo, que fez um balanço da época do Vila Viçosa. Uma época, diga-se, ainda mais exigente.
«Futebolisticamente, não era o que o Vila Viçosa poderia esperar, porque tem um plantel com grande qualidade. Esperávamos estar um pouco mais acima da posição em que estamos. Em relação às dificuldades, é de louvar principalmente o trabalho do presidente do clube, assim como em toda a direção, porque têm que andar todos os fins de semana com a casa às costas. A roupa, é muito trabalho… As receitas não são as mesmas e é um clube que não paga a ninguém, não paga aos jogadores, e precisa da receita para poder viver. O Vila Viçosa oferece os lanches no final de todos os jogos e treinos, e que tem todas as condições humanas para ser um grande clube», contou.
Nem tudo são más notícias e já há perspetivas para o regresso do Vila Viçosa a casa. «A União de Freguesias de Canelas e Espiunca reuniu com o presidente e na próxima época, se tudo correr bem, iremos começar a pré-época no estádio do Vila Viçosa», revelou.