Guillermo Ochoa, guarda-redes mexicano de 40 anos e ex-Aves SAD
Guillermo Ochoa, guarda-redes mexicano de 40 anos e ex-Aves SAD - Foto: IMAGO

Vai superar Ronaldo e Messi em Mundiais: «Fiz muitos sacrifícios»

Ochoa pode ser o primeiro jogador a participar em seis fases finais do Campeonato do Mundo, antes dos dois astros do futebol mundial, e concedeu uma entrevista ao L'Équipe

Guillermo Ochoa fará história esta quinta-feira, no Estádio Azteca, ao tornar-se o primeiro jogador a participar em seis fases finais do Campeonato do Mundo. O guarda-redes mexicano, de 40 anos, deverá ser titular no jogo de abertura contra a África do Sul, um marco numa carreira de excecional longevidade.

Com 153 internacionalizações, Ochoa, que se estreou pela seleção a 14 de dezembro de 2005, atinge este recorde antes de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, também presentes na competição. O percurso, no entanto, esteve longe de ser fácil, com o guardião a recordar os sacrifícios e os obstáculos que teve de superar.

O início da sua aventura em Mundiais foi passado no banco de suplentes, tanto em 2006 como em 2010. Se a primeira experiência foi encarada como uma aprendizagem, a segunda foi um «golpe muito, muito duro», pois já era o titular da equipa. «Isso serviu-me de clique. Compreendi que, se quisesse ter sucesso, precisava de ter a coragem de sair do México», confessou Ochoa, que na altura representava o Club America, em entrevista ao L'Équipe.

A mudança para a Europa, no entanto, trouxe novos desafios. «Nenhum guarda-redes mexicano tinha vindo para a Europa. Abrir esse caminho deu-me uma força suplementar», explicou. O seu passaporte extracomunitário fechou-lhe as portas de clubes de maior dimensão. «Diziam: 'Ele é bom. Mas guardamos a vaga de extracomunitário para um avançado ou um defesa. Não para um guarda-redes'», recorda. Apenas aos 37 anos, já na Salernitana, em Itália, jogou pela primeira vez com passaporte europeu. Em 2024/25, representou o Aves SAD.

«Fui suspenso dois meses e depois ilibado»

Um dos maiores dissabores da sua carreira foi a transferência falhada para o PSG em 2011. «É uma pena. Tínhamos um acordo antes da chegada dos qataris», lamentou. Um controlo antidoping positivo por clembuterol, substância presente em carne contaminada no México, suspendeu a sua carreira por dois meses e meio e deitou por terra o negócio. «Fui suspenso e depois ilibado», esclarece.

Foi então que surgiu o Ajaccio, clube pelo qual jogou entre 2011 e 2014. Ochoa recorda com carinho o presidente Alain Orsoni, assassinado em janeiro de 2026. «Ele acreditou em mim, deu-me confiança e mudou a minha carreira. No final, era como um pai», afirmou, revelando que a amizade entre ambos perdurou para além do futebol.

As suas exibições em França, nomeadamente contra o PSG e o Marselha, e a titularidade no Mundial 2014, catapultaram a sua carreira. O jogo contra o Brasil nesse torneio, que terminou 0-0, foi, segundo o próprio, «um clique» decisivo na sua trajetória profissional. «Houve um antes e um depois. Antes, era: 'OK, Ochoa, sabemos quem é.' Mas depois, toda a gente me conhecia nos jornais, na televisão, no Japão, na Arábia Saudita... Em todo o lado. As pessoas ainda me falam disso na rua. Esse jogo ficará comigo para toda a vida», recorda.

Adeus à seleção é 100% certo

Questionado sobre o segredo da sua longevidade, Ochoa aponta para a força mental e a importância da seleção nacional. «É o mental. O truque é fixar um objetivo, não a longo prazo, que te impulsione a avançar. Não concebo a minha carreira sem a equipa nacional. Ela constituiu um motor», sublinha. Como exemplo, menciona a sua decisão após o Mundial do Qatar: «Disse a mim mesmo: ninguém participou em seis. Vou assinar por um ano e meio em Itália para terminar em casa, no México

Ochoa confirma que o fim da sua carreira na seleção é definitivo. «Com a equipa nacional, é 100% certo. É magnífico e o momento certo para parar, tendo o meu nome nesta lista de jogadores incríveis como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo...», declara. Quanto ao futuro em clubes, admite que precisa de refletir, mencionando os sacrifícios pessoais e familiares feitos nos últimos anos, enquanto a sua família permanecia em Madrid. «Depois de tantos anos no futebol, preciso de limpar a cabeça durante dois ou três anos», confessa, deixando uma nota final.

«Depois do Qatar, comecei a preparar a minha retirada. Por isso, não será uma surpresa para mim, nem um revés. Não será fácil, mas conheço-me bem e não terei a obrigação de trabalhar. Tenho essa liberdade. Ainda assim, é uma pena não poder jogar futebol a vida inteira», completou.

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