«Onde quer que tenha estado, Mourinho venceu ou esteve perto»
Numa entrevista a Mario Suárez, no podcast El camino de Mario, Álvaro Morata abordou vários temas marcantes da sua carreira, desde os problemas de saúde mental à dolorosa saída do Atlético Madrid, passando pela ausência no Mundial e um quase-acordo com o Barcelona. O jogador deixou ainda elogios a José Mourinho, que o lançou na equipa A do Real Madrid, em 2010, frente ao Saragoça.
«Mourinho acolheu-me como se fosse filho e deu-me uma oportunidade. Nunca esqueces isso. As pessoas não conseguem imaginar o quanto pode ser divertido. Mais tarde, Mourinho tentou-me levar para o Manchester United e para a Roma. Onde quer que tenha estado, Mourinho venceu ou esteve perto. Então, no Real Madrid, que precisa de vencer sempre, acho que Mourinho poderá sair-se muito bem. Tem um equilíbrio fantástico entre ser um motivador incrível e um bom gestor da equipa», referiu o atacante.
Na mesma entrevista, Morata confessou que o seu maior arrependimento profissional foi ter deixado o Atlético Madrid, onde sempre sonhou estar. «Sair do Atleti é a única coisa de que me arrependo na minha carreira. Desde o jogo de Dortmund, a minha cabeça foi para o lixo. Em três meses, saí do Atleti», lamentou, acrescentando: «Trocaria tudo o que ganhei por ter conquistado um título com o Atleti.»
Morata descreveu o período após o jogo em Dortmund como «o momento mais difícil» da sua carreira, não tanto pelas críticas, mas pelo significado pessoal que o momento tinha. O seu amor pelo clube é tal que considerou ir à final da Taça do Rei contra a Real Sociedad. «Sou adepto do Atleti. Falei com o Koke, comprei os bilhetes e depois não fui por medo que acontecesse alguma coisa, que alguém me dissesse algo», revelou.
A saúde mental foi um tema central, com o jogador a admitir que se apresentou no Milan «medicado, sem saber muito bem o que estava a fazer», embora reconheça a grandeza do clube italiano. A instabilidade emocional também o leva a descartar um regresso a Espanha, apesar do desejo de jogar no Getafe: «Pensando bem, creio que não estou preparado mentalmente para jogar em Espanha. Por ter de enfrentar os comentários das pessoas nos estádios. Continua a afetar-me muito o que as pessoas dizem.»
A ausência do Mundial também foi um golpe duro. Morata contou que recebeu uma chamada de Luis de la Fuente e que já sabia que não seria convocado. «Entendo que é o que tem de ser. Não mereci estar na lista. Obviamente, sabes que é a última oportunidade que tens para jogar um Mundial. Foi duro», admitiu. Recordou ainda a desilusão de ter ficado de fora do Mundial 2018, por decisão de Lopetegui, um momento que, segundo ele, mudou a sua carreira «a nível de autoestima».
No que toca a transferências, Morata confirmou que esteve muito perto de assinar pelo Barcelona. «Estive muito perto de jogar no Barça. O Xavi ligou-me. Disse-me que via que eu podia ajudar a equipa», explicou, elogiando Fabrègas, treinador do Como: «Vai fazer história como treinador. Absorveu o melhor de todos os treinadores que teve, que foram muito bons.»