Fletcher discorda de Amorim em relação à academia: «Não são perfeitos, mas...»
Uma das últimas grandes polémicas de Ruben Amorim no Manchester United, antes da saída, foram as críticas que deu a jovens jogadores como Harry Amass - o técnico português não gostou das provocações que recebeu nas redes sociais -, pedindo também uma mudança de ambiente, mas o seu sucessor (imediato), Darren Fletcher, desvalorizou essa questão e preferiu focar-se no que de bom tem a academia.
«Acho que, historicamente, este clube foi construído em torno da academia, temos uma academia incrível, o nosso histórico fala por si. Não posso ficar aqui e dizer outra coisa além disso: temos um histórico incrível e acho que é difícil de superar em termos da história dos clubes ao redor do mundo. Temos jogadores incríveis, talentos incríveis, o que vejo são muitos jovens jogadores humildes e trabalhadores que não são perfeitos, porque são jovens e estão a aprender e têm muito a fazer», começou por dizer, não querendo responder diretamente ao seu antecessor, que também apostava e muito nos jovens, incluindo nos seus dois filhos (um já se estreou).
«Exigimos demasiado dos jovens na sociedade e, em geral, isso não é uma crítica a ninguém, é apenas a minha opinião. Acho que temos de deixá-los aprender, educá-los, ajudá-los, compreender que eles vão cometer erros e fazer coisas que nos frustram, mas com o tempo e com a boa orientação dos treinadores, familiares, jogadores da equipa principal, todos nós temos um papel a desempenhar, esse é o nosso papel e o nosso trabalho em desenvolvê-los para serem jogadores e pessoas do Manchester United. Tudo o que posso dizer é que, ao trabalhar com eles individualmente e em geral em toda a academia, lido com jovens esforçados, honestos, receptivos ao treino e supertalentosos. Temos muito talento na nossa academia e espero que eles possam se destacar como Shea fez quando entrou em campo contra o Burnley e esteve tão perto de marcar um golo fantástico», acrescentou o técnico inglês.
Outro constante debate entre Amorim e a imprensa foi a pouca utilização de Kobbie Mainoo, mas Fletcher também não quis entrar por aí e revelou que o jovem médio não teve reação à saída do luso. «Ele parece estar bem. O Kobbie não demonstra muito, por isso não dá para saber se ele está bem ou não. Ele é assim, é a sua maneira natural de ser. Conheço-o bem e há muito tempo, tenho-o visto pelo edifício e conversado com ele. Ele está bem, mas conheço o Kobbie e ele conhece-me a mim e ao Travis Binnion e sente-se confortável neste ambiente. Ele está bem, treinou bem e, como digo, é difícil de ler, por isso, isso ainda está para se ver», afirmou, sendo questionado ainda sobre o seu futuro no clube.
«Não, não conversei [com a direção]. O processo aqui funciona da seguinte maneira: eu converso com o Omar [Berrada] e o Jason [Wilcox], é assim que funciona. No meu caso, tenho-me concentrado no trabalho que tenho em mãos, que é preparar a equipa para estes dois jogos. Não houve nenhuma conversa sobre o meu futuro. O Jason e o Omar deram-me total responsabilidade para assumir o controlo destes dois jogos. Eu tomo as minhas próprias decisões, lidero a equipa, oriento a equipa, preparo a equipa e é isso que tenho feito. Não houve conversas fora dessas duas pessoas em posições superiores no clube», disse, mostrando-se focado em apenas liderar a equipa em mais um jogo, o próximo com o Brighton para os 32 avos da Taça de Inglaterra, em Old Trafford.