Marítimo contesta castigo de falta de comparência no jogo com FC Porto
O Marítimo Madeira Andebol SAD contestou esta sexta-feira a decisão da Federação Portuguesa de Andebol que puniu com derrota, por falta de comparência, a equipa insular no jogo frente ao FC Porto, relativo à 21.ª jornada do Campeonato Nacional Andebol 1.
Em comunicado, o Marítimo defendeu que a decisão «não salvaguarda o interesse do desporto nem o bem-estar físico dos atletas» e cria «um precedente preocupante», dado que a Federação não reagendou o jogo apesar de comprovadas dificuldades logísticas e meteorológicas que impediram a deslocação da equipa.
O clube explicou que, após o adiamento de um jogo frente ao Vitória de Guimarães devido a condições meteorológicas adversas na Madeira, a comitiva regressou a Lisboa, mas os voos para a ilha foram cancelados duas vezes devido a ventos fortes, obrigando a equipa a permanecer na capital até ao dia 28 de fevereiro.
Esta decisão do Conselho de Disciplina da Federação de Andebol de Portugal significa que os madeirenses são castigados com uma derrota por 15-0, conforme o regulamento, e dessa forma perdem as hipóteses que tinham de assegurar a última vaga para o Grupo A, que, na próxima fase, irá discutir o título de campeão nacional.
O Marítimo argumenta, sublinhando que manteve contacto permanente com a Federação e com o FC Porto, procurando soluções para reagendar o encontro, mas que a impossibilidade material de viajar tornou a participação no jogo impossível.
«O incumprimento da deslocação não resultou de qualquer decisão voluntária do Marítimo», reforça o clube, lembrando que a equipa sempre cumpriu rigorosamente os compromissos de deslocação ao longo da sua história.
O clube anunciou que analisará detalhadamente a decisão da Federação e tomará as medidas que considerar necessárias para defender os seus interesses, reiterando o compromisso com a verdade desportiva e o respeito institucional.
O caso teve origem na dificuldade de os madeirenses regressarem ao Funchal depois de uma jornada no continente, e após sucessivos adiamentos por parte da companhia aérea, os insulares acabaram por apanhar um voo para o Funchal no sábado de manhã, na expetativa de regressar de imediato ao continente, e conseguir realizar o jogo no Dragão Arena, no Porto, nesse mesmo dia às 15h00.
O curto espaço entre viagens inviabilizou a intenção maritimista, que devido aos protocolos com o governo regional para as deslocações das equipas das ilhas, teria poucas alternativas.
O comunicado na íntegra:
«A Marítimo Madeira Andebol SAD não pode deixar de manifestar a sua posição relativamente à decisão assumida pela Federação Portuguesa de Andebol na sequência dos acontecimentos que impediram a nossa equipa de cumprir a deslocação para o encontro diante do Futebol Clube do Porto.
No entendimento da Marítimo Madeira Andebol SAD, a decisão tomada pela Federação não salvaguarda o interesse do desporto nem o bem-estar físico dos atletas, criando ainda um precedente preocupante. A interpretação agora assumida pela Federação estabelece que, em situações de comprovado impedimento de viagem, os jogos não devem ser reagendados, sendo aplicada de imediato a falta de comparência, uma posição que o Marítimo não pode aceitar nem compreender.
Importa recordar que, numa primeira abordagem ao processo, a própria Federação Portuguesa de Andebol reconheceu a razão apresentada pelo Marítimo. No entanto, esta sexta-feira, 13 de março, foi comunicada uma decisão diferente, que no entendimento do clube não defende o interesse desportivo.
Nesse sentido, a Marítimo Madeira Andebol SAD considera essencial esclarecer os factos:
Como é do conhecimento público, o encontro frente ao Vitória Sport Clube, inicialmente agendado para 13 de dezembro, foi adiado devido às condições meteorológicas adversas que afetaram a Região Autónoma da Madeira. O jogo foi posteriormente reagendado para o dia 25 de fevereiro, em Guimarães, a contar para a 5.ª jornada do Campeonato Placard Andebol 1.
Após essa deslocação, a comitiva regressaria à Madeira na manhã de 26 de fevereiro. Contudo, devido aos fortes ventos que afetavam o Aeroporto da Madeira Cristiano Ronaldo, o voo Lisboa–Funchal sofreu atraso e, depois de cerca de 40 minutos a sobrevoar a região na expectativa de melhoria das condições atmosféricas, foi forçado a regressar a Lisboa.
Já em Lisboa, a equipa foi reencaminhada para outro voo na mesma noite. Esse voo também acabou por regressar a Lisboa após nova tentativa frustrada de aterragem na Madeira, levando a que a comitiva apenas chegasse novamente à capital portuguesa por volta das 2h30 do dia 27 de fevereiro.
Entre procedimentos logísticos, recolha de bagagens, atribuição de alojamento e transporte, a equipa apenas conseguiu dar entrada no hotel pelas 04h35. Após poucas horas de descanso, regressou ao aeroporto, onde, na porta de embarque, foi informada do cancelamento do voo seguinte devido às mesmas condições meteorológicas adversas na Madeira.
Desde as 11h00 do dia 27 de fevereiro, a Marítimo Madeira Andebol SAD manteve contacto permanente com a Federação Portuguesa de Andebol e com o Futebol Clube do Porto, procurando de forma construtiva encontrar soluções equilibradas para uma situação absolutamente excecional. Importa sublinhar que, nesse momento, milhares de passageiros se encontravam retidos nos aeroportos, com fortes constrangimentos nas comunicações e na reorganização de voos.
A comitiva acabaria por regressar à Madeira apenas na manhã de 28 de fevereiro. O voo que permitiria a deslocação ao Porto para o encontro no Dragão partiu cerca de uma hora antes da nossa chegada à ilha, tornando materialmente impossível cumprir essa ligação.
Foram encetadas diligências imediatas junto da companhia aérea e da agência de viagens para encontrar alternativas, mas tal revelou-se inviável. De acordo com a informação transmitida, devido ao congestionamento atmosférico no Aeroporto da Madeira Cristiano Ronaldo, não era possível realizar novas reservas com partida anterior a 5 de março.
Importa ainda sublinhar que, caso o voo previsto para as 06h20 do dia 28 de fevereiro tivesse ocorrido dentro do horário inicialmente programado, a chegada da comitiva à Madeira teria acontecido em tempo útil para cumprir a ligação ao Porto. Assim, o incumprimento da deslocação não resultou de qualquer decisão voluntária do Marítimo, mas sim de sucessivas alterações operacionais e atrasos totalmente alheios à vontade do clube.
A equipa do Marítimo regressou à Madeira consciente de que o jogo seria reagendado, conforme uma primeira indicação da Federação de Andebol. A opção de seguir diretamente de Lisboa para o Porto, sem regressar à Madeira, era totalmente inviável, uma vez que a não realização da ligação Funchal–Porto implicaria o cancelamento automático do voo de regresso. Numa altura em que as marcações de viagens se encontravam bloqueadas pela TAP, tal significaria que a comitiva apenas poderia regressar à Madeira depois do dia 5 de março.
Ao longo da sua história, o Marítimo nunca falhou uma deslocação aérea por decisão própria, nem deixou de receber qualquer equipa visitante na Madeira, mesmo em contextos de grande dificuldade. O clube continuará a pautar a sua atuação pelo respeito institucional, pelo cumprimento rigoroso das normas e pelo compromisso com a verdade desportiva.
À Federação Portuguesa de Andebol exige-se isenção na defesa dos interesses superiores da modalidade e do desporto, algo que, nesta situação, não aconteceu nem ficou refletido na tomada de decisão.
Face ao exposto, a Marítimo Madeira Andebol SAD irá analisar detalhadamente a decisão da Federação Portuguesa de Andebol e tomará as medidas que entender necessárias para a defesa dos interesses do clube.
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