Donald Trump
Donald Trump - Foto: IMAGO

Donald Trump pode ser impedido de marcar presença nos JO... de Los Angeles

Evento vai decorrer nos EUA, daqui a dois anos e meio

A Agência Mundial Antidopagem (WADA) está a considerar uma alteração às suas regras que poderá impedir o presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, e outros oficiais do governo de marcarem presença nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.

A medida, que surge na sequência de uma prolongada recusa dos EUA em pagar as suas quotas anuais, poderá também ter implicações para o Mundial futebol, que se realiza este verão no país, em conjunto com o Canadá e o México.

A proposta controversa consta da agenda da reunião do comité executivo da WADA, agendada para a próxima terça-feira. A recusa do governo americano em liquidar os seus pagamentos é descrita como um protesto bipartidário e unânime contra a forma como a agência lidou com o caso dos nadadores chineses, entre outras questões.

A Associated Press teve conhecimento da proposta através de correspondência entre a WADA e oficiais europeus, informação essa confirmada por outras duas fontes com conhecimento da agenda. Por sua vez, James Fitzgerald, porta-voz da WADA, minimizou a situação, afirmando que «não há nada de novo aqui» e que as discussões sobre o não pagamento por parte de governos decorrem desde 2020, não estando diretamente relacionadas com os EUA.

Sara Carter, diretora do Gabinete de Política Nacional de Controlo de Drogas dos EUA (ONDCP), mantém uma posição firme. «Apesar das crescentes ameaças da WADA, continuamos firmes na nossa exigência de responsabilização e transparência por parte da WADA para garantir uma competição justa no desporto», declarou.

A proposta prevê um conjunto de sanções em três níveis para os países que não paguem as suas quotas. No caso dos EUA, a dívida ascende a cerca de 3,2 milhões de euros do ano passado, somados a 3,1 milhões de 2024. Entre as sanções mais severas está a «exclusão de representantes governamentais da participação em grandes eventos como Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos e Paralímpicos», o que afetaria Trump, o vice-presidente, J.D. Vance, e outros membros do Congresso.

A disputa entre os EUA e a WADA tem vindo a agravar-se desde a primeira administração Trump, alimentada pela desconfiança americana no sistema antidopagem global. Esta desconfiança foi exacerbada pelo escândalo de doping russo antes dos Jogos de Sochi em 2014 e, mais recentemente, pela notícia de que 23 nadadores chineses puderam competir, inclusive nos Jogos de Paris, apesar de terem tido testes positivos, depois de terem sido testados duas vezes mais do que os atletas de outros países.

Recorde-se que a WADA aceitou a justificação da agência antidopagem chinesa de que atletas foram contaminados por vestígios de um medicamento para o coração proibido, presente na cozinha de um hotel.