Filipe Coelho, treinador do Casa Pia, na primeira parte do jogo com o Benfica em Rio Maior
Filipe Coelho, treinador do Casa Pia, na primeira parte do jogo com o Benfica em Rio Maior

Filipe Coelho: «A nossa entrada na segunda parte foi desastrosa»

0-7 contra o Benfica foi «demasiado pesado», na ótica do técnico dos gansos, que destacou a importância de crescer e melhorar índices físicos

O treinador do Casa Pia, Filipe Coelho, analisou derrota pesada dos gansos (0-7), diante do Benfica, na sala de imprensa do Estádio Municipal de Rio Maior.

-Como é que se explica um resultado destes?

-Acho que resultado é demasiado pesado. Olhando ao que fizemos na primeira parte, ao intervalo elogiei alguns dos nossos momentos junto aos jogadores, porque é preciso perceber o que fizemos na Madeira e o que conseguimos fazer hoje contra o Benfica. É uma belíssima equipa e tivemos alguns bons momentos na primeira parte. Obviamente que esses momentos estavam longe de nos fazer discutir qualquer tipo de resultado no jogo. A nossa entrada na segunda parte foi desastrosa, em sete minutos sofremos três golos e o resultado passa a ser avolumado, 5-0. Nesse momento temos de perceber realmente o que se passou. Não é nada próximo da identidade que queremos construir na equipa e no clube e, acima de tudo, matou-nos a possibilidade de continuarmos a viver o jogo no sentido de evoluirmos com ele porque nos afastou emocionalmente. Demorámos ou nem sequer nos chegámos a encontrar depois na segunda parte, e o Benfica acabou por também ter a possibilidade de gerir o jogo à sua maneira para também gerir o de quinta-feira. Mas, acima de tudo, o que eu passei aos meus jogadores é que há um processo que está a ser construído, é doloroso ser com esta derrota tão pesada. Quero pegar nas coisas boas que fizemos na primeira parte, mas não quero fugir às responsabilidades do crescimento que temos todos que apresentar naqueles dez minutos iniciais da segunda parte. Todos temos de crescer, a começar por mim, pela equipa técnica, depois os jogadores. O clube está a fazer um esforço para continuar a dotar a equipa de mais talento, de mais qualidade para se aproximar da identidade que queremos. Foi dito sempre ao longo da pré-época dito e vivenciado no clube que seria uma pré-época mais longa, que entraria dentro da primeira/segunda jornada até final do mercado. E é óbvio que são pedras no caminho para construir algo melhor mais à frente. Esta pedra é demasiado grande, mas por isso é que temos já treino amanhã. Vamos analisar o jogo, arrumá-lo rapidamente porque são estes homens que hoje estiveram aqui, obviamente com mais uma ou outra peça que vai chegar, que vão ter que demonstrar trabalho em Barcelos na próxima semana e virar a página rapidamente.

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-No plano mais tático, quais é que acredita terem sido as maiores dificuldades do Casa Pia perante este Benfica?

-Não olhando só para os dez minutos da segunda parte, que foram realmente desastrosos, fomos muito agarrados a referências individuais, com um meio-campo móvel e o Benfica a tentar queimar algumas linhas de pressão. Isso foi muito visível nesses dez minutos. Depois não foram golos limpos do Benfica. Exploraram muito bem os espaços que nós deixámos, mas depois lembro-me que o Rafa quer passar para o Barreiro e a bola bate no Seba Pérez e sobra para o Pavlidis. O Ofori numa bola alta quer parar de peito, o Sudakov escorrega e ainda consegue recuperar. São alguns detalhes que não podemos voltar a cometer. A dificuldade era a nossa linha de quatro conseguir à largura matar as investidas do Benfica. Com um bocado de alguma assimetria fomos conseguindo fazer isso, com o Abdu a tentar marcar o Bah um bocadinho mais à frente e depois do lado direito procurar que o Ofori conseguisse utilizar o seu espaço para poder controlar um bocadinho o Sudakov posição. A força do Benfica mostrou-se claramente na primeira parte, mesmo nós estando melhor e a conseguir controlar as investidas. E na segunda parte também ficou bem visível, aproveitando erros do nosso posicionamento que não vão ao encontro da forma como nós queremos defender e que acabaram por matar a possibilidade de nós vivermos o jogo durante mais tempo e tentarmos trabalhar no jogo, mesmo perdendo, a nossa identidade.

-No ano passado, o Casa Pia sobreviveu na luta pela manutenção no play-off, este ano tem zero pontos à segunda jornada. Perspetiva mais uma época dura? Que mensagem quer transmitir aos adeptos?

-O que queremos é que não seja uma época dura. É verdade que não começou da forma como nós gostaríamos, que é com pontos, mas este crescimento tem algumas dores que têm de ser encaradas da forma mais positiva possível. É óbvio que há muita coisa a melhorar. Queremos oferecer aos adeptos também uma época mais tranquila e fazer referência também hoje e pedir desculpa pela prestação, essencialmente na segunda parte, aos adeptos. Mas queremos dizer que queremos fazer uma época mais tranquila. Mas épocas tranquilas fazem-se com pontos e até agora não temos nenhum para podermos almejar algo diferente. Acima de tudo, temos de reconhecer que estamos na segunda jornada e que para a semana, na visita a Barcelos, temos de mostrar uma reação e não há volta a dar.

-O que pretendeu quando passou de uma linha de quatro para uma linha de três atrás?

-Foi fugir um pouco à nossa identidade para tentar passar uma mensagem de que não queríamos que o resultado se avolumasse mais. Não sentia que era hora de passar uma mensagem de tentarmos chegar ao golo ou tentarmos ir mais para a frente quando o Benfica estava demasiado confortável e não nos conseguíamos encontrar na nossa organização defensiva. Procurei estabilizar um pouco mais, não no sentido da organização porque era difícil encontrá-la, mas mais na densidade, no número de jogadores presentes à frente da área. Houve ali momentos onde estabilizámos realmente um bocadinho mais. Não foi uma plataforma na segunda parte que nos permitisse continuar a estimular o jogo que queremos estimular, fruto daqueles sete minutos em o Benfica fez três golos e da nossa entrada muito aquém das nossas expectativas e daqueles ajustes que fomos fazendo ao intervalo para tentar fazer crescer a equipa.

-Quando é que acredita que a equipa vai estar já nos índices necessários para discutir um jogo a 100% com os adversários? O Rochinha perde a bola no lance do golo do Rafa e o tempo de reação foi muito tardio. São indicadores de que os jogadores poderão não estar ainda nos índices físicos necessários?

-Não estamos e isso é um facto. Toca no ponto do Rochinha ter caído, gosto de analisar também o facto do lançamento ter sido mal executado e já falamos com o Abdu sobre isso. O lançamento tem ser para o pé onde possa ser mais favorável darmos seguimento ao jogo. Para a semana vamos aparecer melhor do que aparecemos esta semana. Obviamente que nesta construção da nossa forma desportiva aparece um Benfica muito bem, com um pedal diferente do nosso já pelas competições europeias, isso foi claramente notório. Não só por esse andamento que o Benfica já tem, mas pela diferença no talento e na qualidade de todos os presentes. Estamos a crescer, somos jovens e temos que aprender com os erros. É difícil digerir pelos números, mas são três pontos que não conseguimos conquistar e foram três pontos que foram para o Estádio da Luz desta vez. Sinto que a semana que agora antecede a deslocação a Barcelos, a partir de amanhã, limpamos a análise deste jogo, focamo-nos nas coisas que fizemos realmente bem e naquelas que temos que melhorar. Depois da folga, temos quatro bons dias para preparar um jogo em Barcelos onde temos que dar uma resposta não só a nível físico, mas a forma desportiva que engloba todas as dimensões.

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