Presidente da Federação Portuguesa de Andebol falou após a reunião com leões, dragões e Ministra da Cultura, Juventude e Desporto

Federação Portuguesa de Andebol reage à polémica entre Sporting e FC Porto

A FAP reiterou que «participou» os incidentes que marcaram o clássico de andebol de sábado e que precipitaram a instauração de um inquérito, mas demarcou-se do apuramento de «eventuais responsabilidades de outra natureza»

A Federação Portuguesa de Andebol reagiu em comunicado às reuniões separadas de Frederico Varandas e André Villas-Boas com a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarido Balseiro Lopes, e aos incidentes que mancharam o clássico de andebol entre o FC Porto e o Sporting, no sábado.

A FAP começou por explicar que Margarida Balseiro Lopes «solicitou a presença» do presidente da federação, Mário Laranjeiro, nas reuniões desta tarde com Sporting e FC Porto.

A mesma entidade reiterou que «participou as ocorrências verificadas» no Dragão Arena ao Conselho de Disciplina, que na terça-feira «deliberou a instauração de processo de inquérito ao jogo» para apurar «eventuais responsabilidades disciplinares».

A FAP frisou, ainda assim, que «eventuais responsabilidades de outra natureza, que estejam associadas às ocorrências verificadas, nomeadamente de nível criminal e ou contraordenacional, não cabem na esfera de competências» da entidade.

«A FAP defende a ética no desporto em geral e no andebol em particular, pugnando por um clima de desportivismo, fair play e integridade das competições, e estará sempre disponível para estabelecer e promover o diálogo que os clubes entendam por bem encetar», pode ler-se na mesma nota de imprensa.

O Ministério Público instaurou na terça-feira, um processo-crime para averiguação dos factos ocorridos, depois de os leões se terem queixado de uma intoxicação no balneário, que levou a que Ricardo Costa, treinador, e Christian Moga, pivô, fossem assistidos no local.

A Federação explica que cabe ao clube «promotor», ou seja da casa, «garantir todas as condições de segurança no recinto», sendo «responsável pelos incidentes eventualmente ocorridos no recinto desportivo, incluindo as cabines».

Mário Laranjeiro, presidente da FAP, destacou a necessidade de diálogo entre todos os clubes pelo bem-estar do andebol luso.

Comunicado Completo da Federação Portuguesa de Andebol
1. A Senhora Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Dr.ª Margarida Balseiro Lopes, solicitou a presença da Federação de Andebol de Portugal, na qualidade de entidade reguladora da modalidade em Portugal, em reunião realizada hoje, com os Clubes Sporting Clube de Portugal e Futebol Clube do Porto. 2. A FAP enquanto detentora do estatuto de utilidade pública desportiva, detém os poderes normativo, disciplinar e de supervisão da modalidade, poderes que tem exercido e cumprido na integra, designadamente e entre outros, determinando a obrigatoriedade de presença de Gestor de Segurança nos jogos do Campeonato Placard Andebol 1, propondo a qualificação do jogo como de Risco Elevado de Nível 1 (o que determina a adoção de especiais e reforçadas medidas de segurança pelo Clube e pelas forças policiais afetas ao jogo) e designando dois delegados para o jogo, que atuaram, em conjunto com os árbitros nomeados, de acordo com as orientações técnicas da modalidade em vigor, a nível nacional e internacional- que inclui o dever de assegurar todas as condições para a realização do jogo- e que são do pleno conhecimento de todos os Clubes participantes na competição. 3. Atentas as disposições e quadro legal decorrente da Lei da Violência associada ao Desporto e do Regulamento de Prevenção de Violência no Andebol, ao Clube promotor incumbe garantir todas as condições de segurança no recinto, elaborar e implementar planos de segurança, assegurar o controlo de entradas e permanência de espectadores e no geral, colaborar com as forças de segurança; assim, é o Clube promotor responsável pelos incidentes eventualmente ocorridos no recinto desportivo, incluindo as cabines. 4. Tendo sido o jogo classificado pela APCVD, em 26.2.2026, de Risco elevado de nível 1, essa qualificação implica legalmente o reforço de medidas de segurança; a adoção de planos específicos de prevenção e uma maior exigência no controlo de acessos e circulação interna, de modo a garantir a segurança em todas as áreas do recinto. 5. A FAP participou as ocorrências verificadas no próprio dia 28.3.2026 ao Conselho de Disciplina, que, entretanto, deliberou ontem a instauração de processo de inquérito ao jogo, no âmbito do qual serão apuradas as eventuais responsabilidades disciplinares. 6. As eventuais responsabilidades de outra natureza, que estejam associadas às ocorrências verificadas, nomeadamente de nível criminal e ou contraordenacional, não cabem na esfera de competências da FAP. 7. A FAP defende a ética no desporto em geral e no andebol em particular, pugnando por um clima de desportivismo, fair play e integridade das competições, e estará sempre disponível para estabelecer e promover o diálogo que os clubes entendam por bem encetar.