Técnico das águias falou de tudo abertamente após o comprometedor empate com o Casa Pia — Foto: Manuel de Almeida/LUSA
Técnico das águias falou de tudo abertamente após o comprometedor empate com o Casa Pia — Foto: Manuel de Almeida/LUSA

FC Porto 'fugiu', Sporting mais difícil e futuro no Benfica: tudo o que disse Mourinho

Treinador dos encarnados não gostou da primeira parte da sua equipa diante do Casa Pia, mas entende que a etapa complementar foi o suficiente para a conquista dos três pontos. Dá o título como perdido e vê a chegada ao 2.º lugar como complicada. «Gostava de continuar», assume, quando questionado sobre o seu futuro no comando dos encarnados

Que leitura faz do jogo? O que correu bem e menos bem?

— Perdemos as possibilidades que ainda tínhamos de ser campeões e perdemos também o controlo de ficarmos em segundo lugar, porque neste momento não depende só de nós. Perdemos muito com este resultado. Sobre o jogo, e partindo do que ele significava, não fizemos tudo. Na primeira parte faltou-nos vontade e determinação de acabarmos com o jogo, com uma tendência morna e um controlo ineficaz, na segunda parte foi completamente diferente. A entrada do Prestianni também nos deu muita coisa, tivemos caudal ofensivo e várias situações. Isto diante de um adversário que tinha fome de ponto, não jogou para os pontos. O árbitro, sem ter influência nenhuma em decisões importantes, contribuiu para este jogo. E quando o adversário não faz um remate à baliza e somos nós que fazemos a assistência para o golo do empate, é porque nos faltou a sagacidade de sermos matadores. Em vez de dizer que empatámos o jogo, prefiro dizer que perdemos o campeonato.

Por que razão não conseguiu convencer a equipa da importância desta partida?

— Não fui bem sucedido. A minha frustração é que quem treina como os meus jogadores treinam e chegarem a um jogo desta importância realizando aqueles 45 minutos… O Casa Pia, para lutar por este ponto, simulou, mandaram-se para o chão, o banco protestava por tudo… Fizeram tudo por sacarem o seu pontinho e eu dou-lhes mérito, não os critico. Critico o árbitro, que os deixou fazer, a senhora VAR, e a minha equipa. Ao intervalo falei de aspetos táticos e de matemática. Comecei a fazer contas e a conta era muito simples: estamos a 8 pontos do FC Porto, se ganharmos ficamos a 5 e se ganharmos ao Nacional ficamos a 2, pelo que era assim que o FC Porto entraria no Estoril. Pensei que os tinha convencido a, tivemos uma segunda parte para ganhar claramente, mas a situação que dá o golo ao Casa Pia é aquela em que sinto que não jogámos a vida. Talvez não tenha sido suficientemente bom para transformar alguns carácteres, não maus caracteres, atenção, em caracteres de jogadores para lutarem pelo título.

Em determinado momento opta por três pontas de lança, algo que nunca tinha acontecido. Já tinha sido treinado?

— Claro que sim, ainda ontem voltámos a treinar. A ideia era óbvia, era ter jogadores fixos na frente e dar largura com alas puros, ofensivos, casos de Prestianni e Schjelderup, que foram dois dos jogadores mais produtivos que tivemos. E depois um médio e o Sudakov por trás dos avançados. Sempre que fizemos no treino as coisas correram muito bem. Hoje, do minuto 80 ao 90 não houve jogo, e depois, nos seis minutos de compensação, praticamente também não. Ainda tivemos alguma boa ocupação da área, o Anísio tem uma ou outra situação para fazer, assim como um cruzamento forte do Pavlidis.

Concorda que a equipa subiu de rendimento na segunda parte?

— Acho que sim. Prestianni chegou doente da Argentina e não treinou um único dia. Teve febre e nem ao centro de estágios ia. Ontem mostrou-se disponível para vir e para jogar. Foi por isso que não comecei o jogo com ele. Depois de se empatar um jogo como este não fazia sentido ir buscar algumas coisas, mas sinto isso e Dedic é Dedic. A sua intensidade e irreverência são importantes. Dois jogos de suspensão quando a maioria dos cartões vermelhos neste campeonato nunca deram origem dois jogos de suspensão… Apanhámos um Bah, e espero que no FC Porto não me interpretem mal ou digam para eu estar calado, um bocadinho à imagem do Froholdt que o FC Porto apanhou [com o Famalicão], chupado por 120 minutos de jogo e chupados psicologicamente por terem perdido uma qualificação para o Mundial. Senti também a falta do Dedic num jogo com este.

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A CNN avançou que Jorge Mendes está a fazer tudo para que Mourinho não fique no Benfica? É verdade? Que comentário lhe merece?

— Se aconteceu alguma coisa durante o jogo, não sei. Antes do jogo, não aconteceu nada. O Jorge Mendes é meu agente, mas eu sou o dono da minha decisão.

E qual é a sua decisão?

— A minha decisão é que eu gostava de continuar no Benfica.

Quais são os objetivos do Benfica para este final de época?

— O principal é lutarmos pelo segundo lugar. Já não dependemos de nós, mesmo ganhando todos os jogos até final do campeonato, mas é possível. Temos de lutar por isto, podemos ganhar todos os jogos e pode ser que o Sporting tenha algum empate. O objetivo número dois é aquilo que não conseguimos hoje. Não perdemos e somos imbatíveis, mas não penso que um empate como este enobreça o Benfica em alguma coisa ou a carreira de qualquer um de nós. Tenho de pensar bem em conjunto, neste momento tinha vontade de não fazer jogar mais alguns jogadores, mas há valores mais altos que se levantam, são ativos e mesmo que eu não quisesse continuar com algum deles se calhar é mais fácil não continuar tentando valorizar do que hostilizando. Ao nível desportivo, o objetivo possível é ficar em segundo lugar, dependendo de terceiros, repito.