Richard Ríos foi o melhor jogador em campo e marcou o golo que parecia ir dar a vitória ao Benfica. Foto Sérgio Miguel Santos
Richard Ríos foi o melhor jogador em campo e marcou o golo que parecia ir dar a vitória ao Benfica. Foto Sérgio Miguel Santos

Muita vontade, muita bola no pé, poucas ideias e o futebol a acontecer (crónica)

Benfica despede-se, na prática, do título num jogo que dominou... mas só até à entrada da área do Casa Pia, que fez pela vida e marcou, praticamente, na única hipótese que teve

O Benfica falhou a desejada aproximação à liderança da Liga depois do empate do FC Porto frente ao Famalicão. Jogou mais, teve mais bola, tentou muito mas conseguiu pouco. Sofreu um golo cheio de ressaltos — o futebol é isto mesmo — e assim terá visto caírem por terra as últimas possibilidades de lutar pelo título.

A primeira parte teve sentido único, mas com trânsito muito congestionado, demasiadas rotundas e necessidade constante de voltar atrás para tentar ir de novo para a frente. A posse de bola encarnada foi quase esmagadora, mas os caminhos da área de Sequeira estavam constantemente tapados, sem que se vislumbrasse do lado benfiquista arte e engenho para tentar abrir uma porta ou descobrir um caminho alternativo.

Richard Ríos percebeu cedo que talvez fosse boa ideia tentar o remate de longe, e a verdade é que logo aos 9 minutos podia ter surpreendido o guarda-redes casapiano. Este, todavia, disse presente pela primeira vez na noite e negou o golo.

O Casa Pia ia fechando a área no seu 5x2x3,que rapidamente se transformava em 5x4x1 defensivo. O Benfica andou, voltou a andar, insistiu, foi tentando criar mas sem grande resultado. Tudo o que de realmente relevante acontecia no jogo era de iniciativa encarnada, mas era pouco.

Foi preciso chegarmos aos últimos minutos do primeiro tempo para se entrever emoção em Rio Maior, quase em jeito de promessa para a segunda parte. Pavlidis teve duas boas aproximações à baliza e à terceira obrigou Sequeira a transformar-se na figura do jogo até esse momento, com grande defesa na sequência de um desvio do grego após assistência de Bah. Logo depois Lukebakio rondou a baliza casapiana e Schjelderup, na recarga, quase marcava. Mas o intervalo chegaria, ironicamente, logo depois da única aproximação séria do Casa Pia à area do Benfica. Trubin travou um remate quase em cima dele, Barrenechea cortou uma bola que ia lenta, mas segura em direção às redes.

A segunda parte foi quase toda vermelha. Faltou o quase, dirão os benfiquistas, e com razão. Domínio territorial, Casa Pia encostado à sua área (também por vontade própria e humildade), mas com muito pouco futebol. As sucessivas incursões para junto do último terço resultavam em poucas ou nenhumas oportunidades de golo.

Aos 68 minutos, a única substituição até então operada por Mourinho resultou em pleno: Prestianni desequilibrou como ninguém até então, pela direita, e deixou a defesa casapiana em contrapé. Schjelderup assistiu de cabeça e Ríos (o melhor e mais inconformado do Benfica) desviou, também de cabeça, para o fundo das redes.

O jogo parecia sentenciado, sobretudo pelo pouco que o Casa Pia conseguia produzir do meio-campo para a frente. Só dava Benfica, mesmo sem grandes resultados práticos, mas o mais importante estava alcançado e o momento exigia da equipa encarnada uma resposta capaz de segurar a vantagem.

Aconteceu futebol: um pontapé de baliza, três bons movimentos dos jogadores da casa, dois ressaltos e bola na baliza de Trubin. Daí em diante assistiu-se a um assalto desenfreado mas muito pouco inteligente à área casapiana, que resultou em zero oportunidades de golo e mais dois pontos perdidos na Liga.